Investigação Olival & Azeite

Variedades de oliveira minoritárias de Trás-os-Montes

um património a explorar e valorizar

Trás-os-Montes é a segunda região olivícola portuguesa, representando atualmente entre 12 a 15% da produção nacional de azeite. Apesar de percentualmente ter vindo a perder expressão, a olivicultura é uma atividade de grande importância nesta região, não apenas do ponto de vista económico, mas também social, paisagístico e ambiental. Aqui, o olival é maioritariamente tradicional, com menos de 200 árvores por hectare, conduzido em sequeiro e baixa intensificação cultural. O olival encontra-se distribuído por toda a região, mas é sobretudo nos concelhos da chamada Terra Quente Transmontana onde tem maior expressão, onde se estima que esteja presente praticamente em todas as explorações agrícolas.
Em Trás-os-Montes também existe uma grande diversidade de variedades de oliveira, sendo as mais conhecidas e difundidas a Cobrançosa, a Verdeal Transmontana, a Madural, e a Cordovil, que representam a maioria das oliveiras da Terra Quente Transmontana. Por sua vez, a norte da região transmontana, sobretudo na parte sul do concelho de Bragança e na parte norte de Macedo de Cavaleiros e Vimioso, o olival é maioritariamente constituído pela variedade Santulhana, enquanto no concelho de Freixo de Espada à Cinta, Moncorvo e Mogadouro, a Negrinha de Freixo tem grande expressão. Esta última variedade é produzida predominantemente para azeitona de mesa.
Contudo, existe um grande património por conhecer e explorar. Por toda a região são referidas diferentes variedades de azeitona ainda desconhecidas, que não foram ainda caracterizadas nem exploradas. Em muitas dessas variedades existem apenas árvores antigas, muitas delas centenárias, pelo que nestes casos a sua caracterização é ainda mais urgente.
Assim, nos últimos anos a nossa equipa tem levado a cabo um trabalho de caracterização de alguns exemplares de oliveiras centenárias da região de Trás-os-Montes, trabalho financiado em parte no âmbito do Projeto “OliveOld – Identificação e caraterização de oliveiras centenárias para obtenção de produtos diferenciados” financiado pelo Programa PRODER, onde se procedeu à caracterização genética da planta, morfológica das folhas, frutos e endocarpos e química e sensorial dos azeites de mais de 100 exemplares de oliveiras centenárias. Para além da grande diversidade genética e morfológica foi também observada uma grande variabilidade em termos de composição química e parâmetros sensoriais dos azeites obtidos. Este último aspeto é da maior importância, uma vez que estes exemplares, e as variedades minoritárias a que pertencem, conferem aos azeites características sensoriais únicas que devem ser exploradas e valorizadas.

Um artigo de:

Nuno Rodrigues(1); Susana Casal(2);

Paula Baptista(1); José Alberto Pereira(1)

(1) Centro de Investigação de Montanha (CIMO), ESA, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal. Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Bragança. nunorodrigues@ipb.pt, pbaptista@ipb.pt, jpereira@ipb.pt
(2) REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, FFUP, Rua de Jorge Viterbo Ferreira nº228 4050-313 Porto, Portugal. sucasal@ff.up.pt

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 217 (julho 2018)