Agrociência Hortofruticultura

A importância do magnésio e do boro no castanheiro

António P. T. Guerra*

Introdução
Entre os diferentes nutrientes, vamos destacar dois, que têm uma grande influência no desenvolvimento vegetativo, na quantidade e qualidade da produção da castanha, que são o Magnésio e especialmente o Boro.
Relativamente ao Magnésio, verifica-se que a falta deste, pode causar quebras de produção de castanha, menores calibres e fraco  desenvolvimento das árvores, contribuindo nos casos mais graves a desfoliações precoces, que limitam a actividade fotossintética.
A carência de Magnésio é frequente no castanheiro, em especial em árvores jovens, podendo no entanto observar-se em árvores com 50 anos (Portela, 2007). A sintomatologia é única, mas as causas podem ser diversas, desde as ligadas às características físicas (textura) e químicas
(pH) do solo, passando pela manutenção do solo, até à fertilização da cultura (antagonismos iónicos).
No que se refere ao Boro, a importância deste microelemento é decisivo para o desenvolvimento normal das plantas, sendo a sua falta uma das principais causas da diminuição das produções, perda da qualidade da castanha e enfraquecimento das árvores.
Nos soutos da Região Norte, a carência de boro observa-se com bastante frequência. Ela é uma das grandes responsáveis pelo fraco rendimento desta cultura.
Assim vamos descrever o papel destes nutrientes para a planta, sintomatologia, causas das carências e tratamento das mesmas.

Magnésio

O papel do magnésio na planta
O magnésio (Mg) é absorvido pelas raízes das plantas na forma de ião magnésio (Mg ++).
A absorção do ião Mg ++ pode ser afectada, negativamente, pela presença de outros catiões: K+, NH4+, Ca ++.
O magnésio é essencial no processo da fotossíntese, na assimilação e transporte do fósforo, na síntese dos açucares e na formação e qualidade dos frutos.

Sintomatologia da carência de magnésio
A carência de magnésio manifesta-se com uma clorose entre as nervuras (figura 1), que começa no centro da folha e que acaba em casos mais graves em necroses (figura 2).
Esta carência afecta inicialmente as folhas mais velhas da base dos ramos, acabando por atingir as das extremidades.
Em algumas situações podem observar-se desfoliações precoces, às quais se iniciam nas folhas mais velhas (Portela, 2007).
A análise foliar (folha + pecíolo) é um excelente meio de diagnóstico desta carência. Portela (2007) elaborou a informação relativa à probabilidade de ocorrência de carências de magnésio e respectivos teores foliares ou razões entre nutrientes, referentes ao castanheiro, que estão resumidos no quadro 1.

 

Causas da carência de magnésio
As causas da carência em magnésio são várias, sendo as mais comuns as seguintes: a primeira está relacionada com a natureza do solo (esta carência frequente nos solos ácidos e ligeiros e com fraca capacidade de troca); a segunda é resultante dos desequilíbrios entre a disponibilidade do magnésio em relação à presença em excesso do azoto amoniacal e de potássio no solo (antagonismo K/Mg).
A elevação dos níveis de matéria orgânica, podendo favorecer a nutrição potássica, poderá ter um efeito negativo na nutrição magnesiana.

Em que casos se justifica a adubação com magnésio?
Na presença de sintomas de carência caracterizada em Mg, ainda que esporádica.
Nos terrenos em que se observam carências deste nutriente.
Quando a análise do solo ou das folhas indique uma alimentação insuficiente em Mg.
Nos solos em que se aplicaram adubos potássicos em doses consideráveis.

Como e quando aplicar o magnésio?
Via solo: nos solos ácidos, recorrendo aos calcários dolomíticos e nos solos neutros a alcalinos, através do sulfato de magnésio (1kg por árvore).
Via foliar: recorrendo às pulverizações com sulfato de magnésio (1 a 2 kg por 100 litros de água, em duas ou três aplicações), ou com um produto comercial similar, nas doses recomendadas pelo fabricante.

Boro

O papel do boro na planta
A absorção do boro faz-se sob a forma de ácido bórico, quer a nível do sistema radicular, quer via foliar.

O boro é um elemento que apresenta uma fraca mobilidade na planta, admitindo-se, que é transportado unicamente no xilema, já que é praticamente imóvel no floema.
O boro intervém na absorção e metabolismo dos catiões, como é o caso do cálcio, na formação da pectina das membranas celulares, na absorção da água e no metabolismo dos açúcares.
A sua deficiência ocasiona irregularidade no crescimento (ramos com entrenós curtos), limita o processo da floração, fecundação e vingamento dos frutos (frutos que abortam).

Sintomatologia da carência de boro

Causas da carência de boro
As causas da carência em boro são várias, sendo as duas mais comuns as seguintes: a primeira está relacionada com a natureza do solo (esta carência é frequente nos solos ácidos e ligeiros e nos solos em que o pH é superior a 6,5); a segunda está relacionada com os períodos de secura no Verão.
Uma forte adubação azotada pode induzir a uma deficiência em boro, particularmente quando realizada com nitratos.

Como e quando aplicar o boro ?
Via solo: recorrendo ao Tetraborato de sódio (Bórax) à razão de 100 gramas por árvore.
Via foliar: recorrendo às pulverizações com Borato de sódio (Solubor) à razão de 200 gramas por 100 litros de água, na plena floração feminina (estado fenológico L, segundo Bergounox, 1978).
Actualmente existem no mercado um grande número de fitonutrientes, que contêm boro ligado a moléculas de etanolamina, que o tornam mais assimilável e com maior mobilidade na planta.

 

*Engenheiro Técnico Agrário
Licenciado em Engenharia Agro-Pecuária
Formador e Consultor Técnico em Nutrição Vegetal
Escrito ao Abrigo do Anterior Acordo Ortográfico

Referências Bibliográficas
BERROCAL,M; LANCHO,J.F.;HERRERO,J.M. – El Castaño, 1998
GUERRA, António Pedro Tavares Guerra – Algumas considerações sobre a
Fertilização das culturas arbóreas, D.R.A.E.D.M., 1986
LOUÉ, André – Los Microelementos en agricultura, 1988
LARANJO,J; CARDOSO,J; PORTELA,E; ABREU,C. Castanheiros, 2007
PORTELA, Ester – Deficiências de magnésio em solos e culturas do norte de Portugal, 2007
TROCME, S. GRAS, R – Suelo y Fertilizacion en Fruticultura, 2ª édition, 1979

Publicado na Voz do Campo n.º 212 (fevereiro 2018)