Opinião

“A Agroglobal é um evento de características únicas”

“Há mesmo quem a considere um autêntico “congresso de agricultura a céu aberto” e essa parece-me uma boa imagem do certame, se pensarmos nas múltiplas possibilidades que ele oferece aos agricultores, exclusivamente do ponto de vista da partilha de conhecimento e de informação”, palavras do Ministro da Agricultura, Capoulas Santos para se referir à Agroglobal. Em entrevista dá-nos
a sua opinião sobre este evento e o atual momento que vive a agricultura nacional.

Como tem visto a evolução da Agroglobal?
A Agroglobal tem tido uma evolução muito positiva. Edição após edição, de dois em dois anos, a feira tem vindo a crescer e tornar-se cada vez mais representativa daquilo que é a moderna agricultura portuguesa. Há mesmo quem a considere um autêntico “congresso de agricultura a céu aberto” e essa parece-me uma boa imagem do certame, se pensarmos nas múltiplas possibilidades que ele oferece aos agricultores, exclusivamente do ponto de vista da partilha de conhecimento e de informação. Há um crescimento em termos de dimensão, ao qual o setor tem correspondido, fazendo-se representar e visitando esta feira, à qual o Ministério da Agricultura tem uma certa ligação, já que os campos de demonstração cultivados para a Agroglobal estão instalados em terrenos do INIAV.

Seria importante haver mais iniciativas deste género noutras regiões do país?
Certamente que todas as iniciativas que promovam a agricultura, os agricultores, a produção nacional, as boas práticas, a inovação e atraiam as atenções de visitantes, nacionais e estrangeiros, para o que de melhor se faz no nosso país, são iniciativas que todos gostaríamos de ver replicadas por todo o país. No entanto, a Agroglobal tem uma dimensão que faz dela um evento de características únicas, pelo que julgo que será um modelo difícil de replicar. No entanto, repito, considero sempre importante a produção de iniciativas promotoras da produção nacional.

Estando ali representadas as principais culturas agrícolas do país, com ensaios, investigação, demonstração, tecnologia de ponta (…), considera que é uma boa forma de fazer a ligação com os agricultores?
Todas as iniciativas que promovam interação entre a produção de conhecimento e a sua aplicação prática, como é o caso, são positivas. É obviamente uma boa forma de fazer essa ligação.

Enquanto “representante máximo” da agricultura nacional, como encara o atual dinamismo do setor?
Com satisfação e orgulho. O percurso da agricultura portuguesa nas últimas décadas tem sido notável. Tem sido um percurso de grande transformação, graças à estabilidade das políticas setoriais, mas, sobretudo, graças ao esforço dos agricultores, que souberam adaptar-se, modernizar a produção e torná-la competitiva. Hoje, Portugal compete com os países mais avançados do mundo, quer ao nível da produtividade, quer, o que é mais importante, ao nível da qualidade. Por outro lado, os agricultores portugueses estão despertos para a importância da internacionalização e têm apostado fortemente nas exportações, o que resulta numa nova dinâmica. A agricultura está numa excelente fase, a crescer, e eu acredito que, com as políticas de incentivo ao investimento que estamos a implementar, pode continuar a crescer mais.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 218 (ago.set 2018)