Grande Entrevista

Fátima Duarte, diretora executiva do CEBAL

Dez anos depois o CEBAL continua focado em identificar e desenvolver oportunidades para o Alentejo

Fátima Duarte, natural do Porto, é licenciada em Bioquímica pela Universidade do Porto (2001) e Doutorada em Ciências da Saúde pelo Maine Medical Center Research Institute, Estados Unidos, em conjunto com a Universidade do Minho (maio de 2006). Após o seu Pós-Doutoramento de 2 anos na Universidade do Minho, iniciou o trabalho como Investigador Principal no CEBAL, em 2008, onde desde então coordena o Grupo de Investigação em Compostos Bioactivos. Desde 2014 assume a Direção Executiva do CEBAL e em 2017 tornou-se também investigadora da Unidade de Investigação do ICAAM/Universidade de Évora.
Em entrevista Fátima Duarte fala-nos sobre os projetos, preocupações e aspirações do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-alimentar do Alentejo.

Começando pelo início, o que esteve na base do CEBAL?
O CEBAL foi criado com o objetivo máximo de promover o desenvolvimento da região, impulsionado através da investigação científica, como opção estratégica fundamental para o estímulo à competitividade, à endogeneização do conhecimento tecnológico, e à sua conversão em realidades mais produtivas, mais inovadoras, e consequentemente mais competitivas, abrangendo as fileiras agroalimentar e agroflorestal.
Atrair a Beja recursos humanos altamente qualificados, foi uma das premissas de base, que na visão integradora do mentor deste grande projeto CEBAL, o Professor Lopes Baptista, permitiria estabelecer uma rede regional de trabalho, fortalecida com parcerias nacionais e internacionais relevantes para o trabalho a desenvolver.

Passada uma década, o que é hoje o CEBAL?
A estratégia inicial seguida pelo CEBAL revela, no presente, um perfil de especialização diferenciadora, tanto a nível científico como tecnológico, que traduz-se no progressivo reconhecimento, por parte de outras instituições de I&D, empresas e entidades financiadoras, do potencial instalado.
Capacitado para promover uma resposta multidisciplinar, alavancando sinergias com aplicação a múltiplos setores de atividade económica, o CEBAL é hoje em dia um parceiro de referência em I&I, potenciando competências e oportunidades do território na área da biotecnologia agrícola, baseada do uso sustentável de recursos naturais, e seus subprodutos, como fundações para um crescimento económico durável e socialmente mais equilibrado e impactante.

O CEBAL é uma entidade científica que cresceu, mas que continua muito ávida de trabalho em rede, de estabelecimento de parcerias, que permitam ampliar o conhecimento, criando mais escala e consequentemente mais atratividade.

Exemplo disto, é a recente ligação que os investigadores do CEBAL fizeram à Unidade de Investigação ICAAM (Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, da Universidade de Évora). Os Investigadores têm um novo e unificador desafio, que permitirá criar mais escala, completar sinergias, participação em redes de colaboração nacionais e internacionais, potenciar recursos numa nova dinâmica para o desenvolvimento técnico-científico do Alentejo, com grande visibilidade nacional e internacional.
Felicito o CEBAL por este percurso, pelo seu 10º aniversário. Comemoramos uma década das atividades técnico-científicas. Parabéns a todos os que diariamente trabalham nesta instituição e que materializam todas as realizações alcançadas. Parabéns aos Sócios Coletivos e Individuais que tiveram um papel muitíssimo importante na constituição do Centro, e que ao longo destes 10 anos têm continuado a materializar financeiramente, o seu interesse e empenho em transformar o CEBAL num projeto de referência regional, nacional e internacional. Parabéns CEBAL!!!

Quais foram os principais marcos?
Foram muitos, não me focando em questões de índole científica, sob pena de esquecer-me de pontos muito relevantes, prefiro mencionar os marcos institucionais.
– Atração a Beja de Investigadores altamente qualificados, potenciando o recrutamento de alunos que escolheram fazer no CEBAL o seu percurso académico (Mestrados, Doutoramento, Pós-Doutoramento);
– Estabelecimento de redes regionais, nacionais, e internacionais de colaboração, globalizando o conhecimento gerado;
– Angariação de financiamento para projetos que permitiram a construção de um conhecimento científico e tecnológico, e consequentemente um reconhecimento por parte dos parceiros de I&D, mas também pelas empresas, do potencial instalado;
– Aposta na transferência de tecnologia;
– Potenciação do marketing institucional;
– Divulgação de ciência para públicos jovens – literacia científica.

Quais as principais dificuldades sentidas?
A falta de instalações próprias, e a consolidação financeira do Centro.

Qual é a grande aspiração do Centro?
Eu diria que são duas as grandes aspirações: i) continuar a atrair a Beja Investigadores de elevadíssima qualidade, sendo que são os Recursos Humanos a componente determinante para a consolidação técnico-científica do CEBAL, no caminho contínuo para a excelência científica; ii)ter instalações próprias, permitindo aos atuais investigadores partilhar um espaço físico único, que reúna todas as necessidades de um centro de investigação de média dimensão (gostaríamos de crescer até aos 80-100 investigadores).

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 218 (ago-set 2018)