Agrociência Olival & Azeite

A importância do boro no olival

António Pedro Tavares Guerra Engenheiro Técnico Agrário Licenciado em Engenharia Agro-Pecuária Formador e Consultor Técnico em Nutrição Vegetal *Escrito ao Abrigo do Anterior Acordo Ortográfico

Introdução
A oliveira é uma espécie muito exigente em boro, o que explica o facto da generalidade dos nossos olivais, manifestarem, sintomas de carência de boro.
A disponibilidade de boro depende essencialmente do estado hídrico e do pH do solo, sendo a sua deficiência mais acentuada nos anos secos e nos solos de pH mais elevado.
Juntamente com o azoto e o potássio, é o nutriente ao qual o olival responde melhor. Esta resposta deve-se às características dos nossos solos e a uma elevada necessidade deste elemento, quando a produção é grande.
A falta deste nutriente afecta muito o rendimento desta cultura, quer em termos quantitativos, quer qualitativos.

O papel do boro na planta
O boro é um elemento regulador sobre a absorção dos outros elementos, sendo o nutriente de mais baixa mobilidade na planta.
Tem como função regular as relações hídricas da planta, quer a nível da absorção, quer da transpiração.

Consumo de boro ao longo do ciclo vegetativo da cultura:

 

Sintomatologia da carência de boro
A sua deficiência ocasiona irregularidades no crescimento e floração (polinização e vingamento dos frutos).

Atenção: A sintomatologia desta deficiência pode confundir-se, por uma pessoa pouco prática nesta área, com uma deficiência de Potássio, como se pode constatar nas figuras abaixo (figuras 4 e 5):

São condições favoráveis para a sua falta:
A insuficiência de Boro no solo;
Solos ácidos e ligeiros;
Solos de pH elevado;
Períodos de secura.

A apreciação do teor de boro disponível para a planta pode realizar–se através dos resultados das análises de solo e foliares.

Relativamente à análise foliar, os valores de referência são os referidos pelo Laboratório Químico Rebelo da Silva, relativos às épocas de repouso vegetativo e do endurecimento do caroço.

Uma concentração de boro (ppm B) de 16-50 no repouso vegetativo e uma de 19-50 no endurecimento do caroço, traduzem um estado óptimo.

Como e quando corrigir?
O boro é aplicado ao solo ou via foliar na forma de bórax (tetraborato de sódio), ácido bórico ou borato de sódio.
As doses a aplicar estão dependentes dos teores a nível do solo, das folhas e das águas de rega.
A incorporação de boro no solo deve ser realizada no Inverno, até meados de Março, recorrendo ao Tetraborato de sódio (Bórax), na dose de 100 gramas por árvore adulta.
Via foliar: recorrendo às pulverizações com Borato de sódio (Solubor) à razão de 200 a 250 gramas por 100 litros de água.
Nota importante: no sentido de aumentar a permeabilidade da cuticula da folha da oliveira e assim a absorção do boro pela mesma, recomenda-se juntar ureia na concentração de 1% à solução com este elemento.
Actualmente existem no mercado um grande número de fitonutrientes, que contêm boro ligado a moléculas de etanolamina e aminoácidos, que o tornam mais assimilável e com maior mobilidade na planta.

A aplicação via foliar deverá ser efectuada nos seguintes estados fenológicos:
Um antes da floração (aparecimento dos botões florais) e possivelmente outro (estado G ou H -vingamento).

Nota importante:
A correcção desta carência, deve realizar-se com cuidado e com conhecimento da mesma, pois os níveis de carência e os de suficiência estão muito próximos, e os de toxicidades não estão muito longe destes, pelo que é fácil passar de uma deficiência à toxicidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CTFIL – L’Olivier, 1999
CANTERO, Faustino de Andrés – Enfermedades y plagas del Olivo, 1991
D.Barranco, D.Fernandez-Escobar L.Rallo – El cultivo del Olivo, 1997
GUERRA, António Pedro Tavares – Algumas considerações sobre a Fertilização das culturas arbóreas, D.R.A.E.D.M., 1986
JORDÃO, Pedro – Boas práticas no Olival e no Lagar, 2014
SANTOS, J.Q – Fertilização: Fundamentos da utilização dos adubos e correctivos, 1991

Publicado na edição n.º 213 (março 2018)