Agroalimentar Hortofruticultura

Batata-doce ganha espaço num setor onde produção e indústria trabalham com objetivos comuns

Forte competitividade dos mercados, segurança alimentar, inovação, produtos mais saudáveis são alguns dos desafios que hoje se colocam aos produtores agrícolas em geral e aos de agroindustriais em particular uma vez que chegam ao consumidor praticamente prontos a serem consumidos.

Para fazer face a esta exigência crescente nos últimos anos a produção tem procurado organizar-se e, embora possa não estar ainda na situação ideal, o facto é que são já várias as organizações de produtores que conseguem negociar com as agroindústrias e obter melhores dividendos para os seus produtores, o que seria impensável se fosse cada um a fazê-lo individualmente, como reforçou à nossa reportagem o diretor geral da Agromais, Jorge Neves. Só esta organização representa cerca de uma centena de produtores que cultivam à volta de 1500 hectares no norte do Vale do Tejo e no perímetro de rega de Alqueva.
Opinião idêntica tem Vasco Reis, diretor da Cadova, Cooperativa que representa meia centena de associados e uma área superior a 1100 hectares distribuídos por vários municípios ribatejanos.
Na Torriba, o seu diretor, Gonçalo Escudeiro sublinha que o papel desta OP é precisamente a ligação entre a oferta dos seus produtores/fornecedores e a procura dos seus clientes. Tudo acontece numa base de contratação prévia por forma a que pelo menos o produtor tenha garantia das condições de comercialização e do escoamento do produto.

Indústria procura estar muito próxima  dos seus produtores
Esta profissionalização da produção não tem disso alheia à indústria, que neste setor em concreto procura estar muito próxima dos seus produtores. A Monliz é uma das agroindústrias a operar em Portugal, com uma unidade fabril situada em Alpiarça e cujo modelo de negócio assenta no controlo de toda a cadeia de fornecimento ao cliente. Isto é, a empresa compra as sementes, contrata os viveiros, acompanha os seus agricultores, congela e acondiciona os seus produtos que entrega dos armazéns dos clientes.
Também na Dardico, unidade portuguesa do Grupo d’Arta, os agricultores são vistos como parceiros “uma vez que o negócio tem de ser favorável para todos”. Situam-se num raio relativamente próximo da fábrica (Avis), que sabe exatamente que tipo de produto pretende, tentando transmitir-lhes essa informação o mais detalhadamente possível.
No caso da Bonduelle, a relação com os agricultores começa logo com a seleção das parcelas, na ajuda na instalação das culturas (através do fornecimento de sementes ou plantas), disponibilizando uma equipa de técnicos que acompanha todo o desenvolvimento da cultura até à logística da colheita. Registe-se que antes da distribuição de determinada planta/semente há um processo anterior de ensaios que demora dois a três anos, no sentido de validar o potencial dessa variedade.

Tomate continua importante mas há outras culturas a ganhar escala
Mas afinal que culturas são estas? Se o tomate para transformação industrial continua a ser de longe a principal cultura agroindustrial produzida em Portugal, quer em valor económico quer em dimensão da superfície cultivada, há muito que não é a única. Por inúmeras razões, incluindo a própria necessidade de promover rotação entre culturas foram sendo introduzidas novidades como a ervilha, o brócolo, o pimento, a beringela, a cebola e o alho, a fava, o amendoim, a batata, curgete e abóbora, entre muitas outras, todas com o fim de virem a ser transformados pela indústria.
Acompanhar as necessidades do mercado é uma condição base para quem opera neste setor que também está muito ligado às dietas alimentares e às modas que vão surgindo. E o exemplo mais recente é o da batata-doce, sobre a qual o setor nota haver um aumento do consumo. As três Organizações de Produtores com quem falámos já estão a trabalhar com a cultura, umas em fase mais embrionária que outras e do lado da indústria também já não é propriamente uma novidade.

O “caso” da batata-doce
Aliás, precisamente fruto da necessidade sentida no mercado europeu por plantas de batata-doce com qualidade e das melhores variedades, Portugal foi o local escolhido por dois investidores, um português e outro irlandês, para instalação da NativaLand, uma jovem empresa de biotecnologia capaz de mudar a forma como se faz batata-doce, principalmente na Europa que tem vindo a registar um aumento exponencial no consumo desta raiz nomeadamente pelos benefícios que traz para uma alimentação saudável.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 220 (novembro 2018)