Agroalimentar Hortofruticultura Novas culturas

“À medida que a dieta alimentar vai evoluindo, as oportunidades chegam ao campo e os agricultores têm de estar preparados”

A Torriba foi criada no âmbito da cultura do tomate para indústria, mas isso já foi há mais de 20 anos. Agora, embora o tomate continue importante, do portefólio fazem parte 17 culturas agroindustriais, tão variadas como o brócolo, o pimento, o amendoim ou a batata-doce. Mais recentemente vocacionou-se também para os cereais porque a dieta alimentar está em constante mutação e é preciso dar resposta aos clientes.

Reconhecida como organização de produtores no ano 2000, data de 1997 a fundação da Torriba, então muito ligada à cultura do tomate de indústria. Hoje é o resultado do trabalho de cerca de 150 agricultores, instalados nas principais zonas de produção do país e sobretudo focados nas culturas agroindustriais que representam cerca de 95% da atividade. Um valor avançado pelo diretor da Organização de Produtores, Gonçalo Escudeiro, ao mesmo tempo que refere serem 17 as diferentes culturas para o mercado agroindustrial e mais quatro para o mercado fresco trabalhadas por este universo de produtores.
O tomate para indústria mantém uma posição de relevo dentro da Organização, mas percebeu-se que mesmo para esta cultura a diversificação era importante para provocar a rotação das terras e fazer com que os produtores não ficassem dependentes de uma só cultura. É nessa altura que vão sendo introduzidas outras culturas, agora também elas marcantes, como a batata de indústria, o pimento, o brócolo, a ervilha, o amendoim, a curgete e mais recentemente a batata-doce.
Não é novidade que cada vez mais a agricultura tem de enquadrar-se com as vontades e interesses do mercado e este por sua vez está muito ligado às modas da alimentação, onde recentemente é notório por exemplo o aumento do consumo de batata-doce, de curgetes e brócolos. Com esta afirmação Gonçalo Escudeiro quer explicar que estes panoramas têm impacto junto dos clientes da Torriba que, por sua vez, tem de saber como reagir. É com base no conhecimento que tem sobre os seus fornecedores (produtores), que trabalham numa significativa diversidade de solos e climas, que é possível introduzir estes novos desafios. Aponta a batata-doce como um bom exemplo. A experimentação iniciou-se há dois anos, no ano passado já houve uma área comercial e este ano entrou num desenvolvimento mais alargado e está a criar alguma expectativa no âmbito da OP.

Nos últimos anos as práticas culturais sofreram grandes mudanças
Para falar na evolução das culturas é preciso referir que os mercados estão cada vez mais exigentes e as dinâmicas que se criam dentro das campanhas são muito diferentes daquilo que se passava há cinco anos. “Essa exigência tem o seu lado positivo porque cria alguma diferenciação e acaba por ser comum a todas as culturas. Agora já se entende que há práticas culturais cada vez mais essenciais como a rotação das culturas, como a colheita mecânica no caso do pimento que está a ser introduzida e testada, novas variedades e máquinas mais eficazes, entre outras, até porque se a rastreabilidade foi um marco importante, hoje já não é suficiente e caminha-se cada vez mais para um produto com nível de resíduos cada vez mais próximo do zero, onde é impensável trabalhar sem certificações, e os produtores associados à Torriba estão todos já com um nível de certificação bastante elevado ”, explica o diretor.

Para ler na íntegra na edição n.º 220 (novembro 2018)