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NativaLand está a introduzir novas variedades que vão revolucionar o mercado da batata-doce

Novas variedades, mais produtivas do que as existentes, e mais resistentes a pragas e doenças. É assim que a jovem NativaLand está a fazer o seu percurso.

A NativaLand é uma jovem empresa, fundada por dois sócios, um português e um irlandês, que decidiram investir numa estratégia que mudasse a forma como se faz batata-doce, principalmente na Europa que tem vindo a registar um aumento exponencial no consumo desta raiz nomeadamente pelos benefícios que traz para uma alimentação saudável. É da Louisiana State University (EUA), onde está sediado um dos mais importantes departamentos mundiais de investigação na cultura da batata-doce, que vem muito do conhecimento e variedades que estão a fazer crescer a NativaLand. Em apenas dois anos o investimento já ultrapassou os dois milhões de euros na estrutura necessária à produção de plantas para abastecer a Europa. À pergunta do porquê investir nesta área de negócio, o diretor geral da NativaLand, Tiago Santos, recorda o estudo que detetou uma necessidade no mercado europeu por plantas de batata-doce com qualidade e das melhores variedades.
Assim, o trabalho da empresa portuguesa tem sido introduzir novas variedades no mercado, mais produtivas do que as existentes, bem como mais resistentes a pragas e doenças.
Todos os anos são testadas aproximadamente 70 novas variedades para validar, o que transmite profissionalismo e empenho ao mercado, bem como confiança aos investidores para poderem desenvolver o seu negócio. Aliás, a profissionalização do mercado é um objetivo subjacente à atividade da NativaLand.
Curiosamente, a empresa não se instalou na zona de produção mais tradicional em Portugal, a Costa Vicentina. A explicação é clara. Depois de vários estudos a empresa instalou-se no Ribatejo, mais propriamente em Muge, porque na Costa Vicentina existe uma elevada pressão da cultura, dificuldade na obtenção de mão de obra e de serviços de apoio bem como na maior dificuldade nos acessos. Todos os anos o processo produtivo das plantas parte de material genético F0, plantas mães, produzidas nos seus laboratórios na Irlanda. Chegadas ao Centro de Produção, em Muge, as plantas mães de diferentes variedades são colocadas em duas estufas de ambiente controlado, onde estão completamente isoladas do exterior e onde é feita uma primeira multiplicação. Depois passam por sucessivas fases de multiplicação até à produção de batata semente. É desta semente que brotarão os milhões de plantas (slips) de geração 1 (F1) que serão comercializadas junto dos agricultores. Desta forma é dada a garantia aos clientes de que estão sempre todos os anos a ser fornecidas plantas de primeira geração 1 (F1) com a máxima qualidade e garantia.
A NativaLand além de trabalhar com variedades licenciadas também trabalha com as ditas variedades “abertas”, ou seja, livres de licença e royalties que entende serem interessantes para o mercado, onde se inclui a Beauregard, uma das variedades mais conhecidas a nível Mundial. Desde início da sua atividade a NativaLand está a selecionar plantas de diferentes variedades “abertas” e em laboratório, através de análises moleculares e bioquímicas separa aquelas que estão isentas de vírus e que posteriormente serão multiplicadas e colocadas à disposição dos agricultores.
São utilizados algumas dezenas de hectares para produção de batata-semente, cumprindo-se as melhores práticas agrícolas nas quais se inclui uma correta rotação de culturas.
Neste que foi o primeiro ano de produção na NativaLand, produziram-se largos milhões de plantas, utilizadas numa área total superior a 600ha estando programado para 2019 a duplicação desse valor. Atualmente 85% da produção da NativaLand é exportada maioritariamente para o Continente Europeu.
Tiago Santos afirma que este foi um ano excelente para a divulgação das variedades por toda a Europa tendo estas demonstrado um muito bom e homogéneo comportamento, reforçando “o pioneirismo e liderança da empresa”. E deste conhecimento que vai recolhendo no terreno a empresa está a perceber que em Portugal existem muitos agricultores apostados na cultura, especialmente no Ribatejo que apresenta um enorme potencial, nomeadamente pelo facto de possuir solos arenosos muito férteis e um clima bastante propício.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 220 (novembro 2018)