Agroalimentar Grande Entrevista

Cláudia Domingues Soares, presidente da InovCluster

“O papel da InovCluster passa por ser guia mas também despertar as empresas para a inovação”

A InovCluster (Associação do Cluster Agroindustrial do Centro) está sediada nas instalações do Centro de Apoio Tecnológico Agroalimentar ( Cataa) na cidade de Castelo Branco. Uma localização privilegiada, assegura a sua presidente, Cláudia Domingues Soares, uma vez que está bem no centro do que chama de “verdadeiro ecossistema agroalimentar”.
No ano em que a InovCluster celebra uma década de atividade e depois de muito recentemente ter liderado o projeto de Valorização da Fileira do Queijo do Centro para o qual já estão aprovados 2 300 mil euros, entrevistámos a mulher que durante vários anos exerceu o cargo de diretora executiva da Associação e hoje assume a sua presidência, assim como integra a direção do Cataa e por inerência do CEI ( Centro de Empresas Inovadoras). Vereadora na autarquia albicastrense, responsável pelos pelouros de Desenvolvimento Económico, Empreendedorismo e Inovação, define-se como uma pessoa de desafios e considera ser uma mais-valia para as funções que desempenha o facto da sua formação de base ser a Engenharia Mecânica, o que em diversas situações lhe permite uma visão mais abrangente do setor agroalimentar como um todo.

Como se caracteriza a InovCluster?
É uma associação privada sem fins lucrativos, que reúne um conjunto de atores e tem como grande objetivo estabelecer uma plataforma de concertação entre eles. Como o nome refere é um cluster, que agrega entidades de diferentes tipologias, desde empresas, que é o grande foco, até instituições do ensino superior, instituições de investigação, associações empresariais e setoriais, municípios (… ) com objetivo de que desenvolvam uma rede entre si e que justifica a atividade diária da InovCluster.

Quais as áreas de maior intervenção?
A Inovcluster está dividida em seis áreas de intervenção. Uma primeira de investigação e inovação, que acontece numa ligação muito próxima ao Cataa. Na perspetiva de monitorização de mercado funciona muito como um “piloto” que transmite para o setor quais vão sendo as tendências para cada ano (está marcada para o dia 11 de fevereiro a apresentação das 10 tendências agroalimentares para 2019) tal como ponte muito próxima para as instituições de investigação propriamente ditas.
Temos trabalhado muito próximo com a Portugal Foods e no âmbito do projeto mobilizador do setor agroalimentar fizemos um levantamento de fundo no sentido de perceber melhor quais eram as áreas principais de intervenção e os parceiros que fazia sentido estarem envolvidos.

“Temos o papel de fazer do empreendedorismo uma forma de estar das empresas”

Outra área muito específica situa-se ao nível do empreendedorismo, aqui trabalhando de forma muito próxima com a incubadora Cei e também com um dos associados fundadores – IPN (Instituto Pedro Nunes), com o papel de fazer do empreendedorismo uma forma de estar das empresas. E isto seja ao nível da ligação com os alunos, na perspetiva de um público mais juvenil, seja na perspetiva de um empreendedorismo já mais empresarial.
A internacionalização é a área mais importante, através da presença nos vários mercados. E não só nas feiras. A InovCluster tem dois tipos gerais de ações. Esta estratégia de internacionalização começa em 2013 e tem tido projetos comuns aprovados (pela AICEP) de forma contínua ao longo do tempo, no âmbito dos quais levamos empresas connosco que são financiadas precisamente para participarem nessas ações. Outra tipologia é quando a InovCluster vai aos mercados e representa as empresas, levando os seus produtos. E são vários tipos de ações: a participação em feiras, as missões empresariais, as ações de prospeção de mercado e as missões inversas, nas quais se trazem a Portugal os importadores, jornalistas, opinion makers (…) para terem contacto com os produtores e empresas.
Outra unidade é a da comunicação, na qual, além da presença internacional onde se comunica como um todo, também é importante comunicar cada um dos associados, quer seja através de catálogos que vão sendo feitos, das próprias redes sociais (…).
Uma última área refere-se a projetos financiados, sendo que ao longo dos últimos anos foram vários para os quais a InovCluster obteve financiamento, tendo neste momento a decorrer cerca de uma dezena.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 223 (fevereiro 2019)