Hortofruticultura

Difusão do abacate traz grande cooperativa espanhola para o Algarve

Provavelmente ainda não será do senso comum associar o Algarve à produção de abacate mas já em março de 2018 o então Diretor Regional de Agricultura e Pescas avançava que a região contabilizava mais de 800 hectares desta cultura e com tendência de crescimento. Nessa mesma altura os dados da Portugal Fresh diziam que em 2013 o valor das exportações de abacate foi de 665 mil euros e em 2017 já atingiu os seis milhões.

O abacateiro é uma fruteira originária da América Central, onde se verificam baixas amplitudes térmicas, muita humidade relativa e solos com muita matéria orgânica, as suas condições preferenciais. Embora no Algarve não seja exatamente assim, há locais onde está a ser muito bem sucedida, como provam os números acima mas também a presença cada vez mais consistente da TROPS, uma Cooperativa espanhola da zona de Vélez (Málaga) especializada em fruta subtropical.
Em Espanha o passado desta Cooperativa remonta a 1979 e a ligação com Portugal também já não é nova, até porque, além da comercialização, do seu trabalho faz parte o acompanhamento e aconselhamento dos produtores, dispondo de uma forte equipa de técnicos e apostando muito na investigação.

Armazém em Tavira no final do verão
Duarte Pereira é o rosto da TROPS em Portugal e a presença da Cooperativa está a ser reforçada com a construção de um armazém na zona industrial de Tavira, prevendo-se que a obra esteja finalizada no final do verão. A mais-valia desta presença manifestar-se-à principalmente a nível logístico, com maior rapidez no processo de comercialização.
Entretanto, enquanto isso não acontece, a fruta segue os trâmites normais, para Málaga, onde é calibrada, embalada numa grande diversidade de opções e segue para os circuitos comerciais (em 25 países). Neste momento em Espanha a TROPS conta com cerca de 2700 sócios, com produções de dimensões muito diferentes. Em Portugal contabilizam-se 31 sócios com uma área aproximada de 500 hectares, numa realidade diferente da espanhola, isto é, “menos sócios mas com áreas maiores”.
Conhecedor dos produtores portugueses, a perceção de Duarte Pereira é que estes estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido pela Cooperativa, cuja postura base é ajudar o sócio em todas as suas necessidades relativamente à cultura do abacate.
Pedro Mogo é um bom exemplo disso. Formado em Engenharia Agrícola quando terminou a sua formação quis apostar em algo diferente e trocou a familiar cultura dos citrinos pelo abacate (ver páginas seguintes). Ainda vendeu alguma produção em Portugal mas está com a TROPS desde 2012 e diz-se bastante satisfeito com a decisão porque desta forma consegue fazer um planeamento atempado da colheita com uma previsão de preços à quinzena. É também um bom representante do universo de produtores portugueses que trabalham com a TROPS que se inserem num perfil maioritariamente jovem.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 223 (fevereiro 2019)