Grande Entrevista

Élio Ventura, Diretor Regional da Agricultura dos Açores

Uma população agrícola das mais jovens do país. 16% dos agricultores açorianos têm menos de 40 anos

Institucionalmente como se caracteriza a Direção Regional da Agricultura dos Açores? Qual a sua missão?
A Direção Regional da Agricultura (DRAg) é o departamento da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas a quem compete contribuir para a definição de políticas públicas na área agrícola e pecuária. Além de realizar, anualmente, ações de formação, sensibilização e estudos científicos, a DRAg zela pela fiscalização, promoção e melhoria da qualidade da produção agrícola açoriana, pelo fomento da diversificação agrícola, agricultura biológica, sanidade animal e vegetal, bem como pela higiene pública veterinária. Esta entidade é ainda responsável pelo Laboratório Regional de Veterinária, Laboratório Regional de Sanidade Vegetal e Laboratório Regional de Enologia.

Como estão organizados os serviços, dada a dispersão das Ilhas?
A DRAg está sedeada na ilha Terceira. No entanto em todas as ilhas existem Serviços de Desenvolvimento Agrário, o que permite operacionalizar as políticas públicas em matéria de agricultura. Relativamente aos três laboratórios regionais, o de Veterinária está sediado na ilha Terceira, o de Enologia na ilha do Pico e o de Sanidade Vegetal na ilha de São Miguel.

Como se caracteriza o setor agrícola do Arquipélago dos Açores (em termos de culturas, áreas e dos próprios produtores)?
A atividade agrícola é o setor mais relevante da economia açoriana, o qual assume um papel determinante para o rendimento da população e continua a ser o principal pilar da economia regional, alcançando particular importância ao nível do emprego, coesão social, salvaguarda ambiental, criação de riqueza e melhoria das condições de vida.
As suas atividades primárias, representam cerca de 9% do PIB da Região e integram 13% da população ativa.
A produção agrícola está fortemente alicerçada na produção pecuária, particularmente na produção de leite.
Os Açores produzem 33% do leite nacional e cerca de 50% do queijo. Os produtos lácteos produzidos na Região representam mais de 300 milhões de euros anuais.
Ao nível da produção de carne, os Açores suplantam o seu grau de autoaprovisionamento em carne de bovino, expedindo uma parte significativa das carcaças abatidas e aprovadas para consumo.
A exportação de carne de bovino cresceu 10% nos últimos 2 anos.
De destacar, ainda, que a área da diversificação agrícola, dedicadas à produção de hortícolas, fruta e flores, cresceu mais 25%, pretendendo-se produzir essencialmente para o mercado local em condições de sustentabilidade. Relativamente à área de produção de próteas exporta-se, anualmente, para o mercado mundial mais de 2 milhões de hastes, que rendem cerca de 1 milhão de euros.
Entretanto prosseguem os investimentos na modernização das explorações agrícolas e da agroindústria, tendo sido aprovados 314 projetos num investimento de 36,9 milhões de euros. Alguns destes investimentos permitiram que mais 88 jovens agricultores iniciassem a sua atividade.

Face às preocupações dos consumidores com a saúde e segurança alimentar, tem havido preocupação dos produtores alterarem os modos de produção? Por exemplo a Agricultura Biológica, tem alguma expressão?
A produção biológica é assumida na Região como uma oportunidade estratégica para a agricultura, que acrescenta valor ao produto, regista um contínuo aumento da sua procura e faz uso de práticas respeitadoras do ambiente e da saúde.
Pretende-se promover a divulgação, o desenvolvimento e a consolidação do modo de produção biológica, estreitando a cooperação entre a ciência e a atividade agrícola e fomentando a inovação nesta área, ao mesmo tempo que se preenche o défice na oferta destes produtos.
Com este objetivo, o ano passado foi apresentado o Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Agricultura Biológica.
Devo dizer ainda que já existem nas ilhas Terceira e de São Miguel projetos na área da produção de leite biológico, cujo preço pago ao produtor será melhor do que o praticado em modo de produção convencional.

Qual ou quais os setores com maior peso?
O setor com mais peso na economia regional é claramente o do leite, seguindo-se o da carne de bovino.
Na área da diversificação incluímos as produções de menor dimensão, como a horticultura, a fruticultura, a floricultura, a viticultura e a apicultura. As primeiras duas destinam-se essencialmente ao abastecimento do mercado local, enquanto as restantes três já têm uma forte componente de exportação.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 225 (abril 2019)