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Quando a informação se torna valor económico para o utilizador

Recuemos a 2015, altura em que os dois sócios, Mário Luís e José Rafael Marques da Silva, resolveram desenvolver um modelo de negócio. Já haviam sido colegas de faculdade e quis o destino que viessem a cruzar-se mais tarde quando concluíram que “a investigação desenvolvida pelo Professor José Rafael, da Universidade de Évora e ICAAM, tinha de sair da esfera universitária e criar valor societário”, confidencia-nos Mário Luís.
Então, mas de que negócio falamos? É aquilo que em termos informáticos se chama SaaS. Ou seja, a empresa nem vende software nem vende equipamento, aquilo que faz é montar uma plataforma tecnológica digital para onde são canalizados dados a partir de várias fontes e depois tratados por uma equipa multidisciplinar que os analisa sob vários prismas. Essa informação é depois disponibilizada em pacotes de serviços. O cliente subscreve um determinado nível de serviço e de suporte e no último patamar ainda acede a consultadoria, que pode ser de dois tipos, dentro da plataforma ou no terreno.
Embora o modelo de negócio em termos operativos e de conceito continue o mesmo, entretanto houve várias nuances que foram sendo introduzidas. Por exemplo, se no início se tinha pensado que a estratégia seria falar diretamente com o agricultor, e inicialmente até poderia ser plausível na região, quando a escala começou a ser maior, tornou-se necessário colocar outros operadores da cadeia de valor no meio.

O que é que a Península Ibérica e a América Central têm em Comum? A AgroInsider.
Em termos de mercados estratégicos a empresa está focada na Península Ibérica e no Brasil, antevendo a primeira incursão nos EUA até final do ano, “que é o mercado mais competitivo de todos, mas também aquele que mais intensamente olha para estas tecnologias, a par do Brasil”. Na sequência das conferências onde a AgroInsider tem participado abriu-se o caminho para mercados na América Central, onde o interesse pelo projeto e pela tecnologia tem crescido. A empresa foi dando acompanhamento a clientes, criando pilotos e fazendo demonstrações até que teve de socorrer-se de uma filial onde estão duas pessoas para apoiar comercialmente a zona que vai do México ao Peru.
Mário Luís e José Rafael estão cientes de que do outro lado do Atlântico existe um enorme potencial de mercado, até porque há também uma visão mais empresarial da agricultura, onde o risco da atividade raramente está dependente de subvenções. Mas, “internacionalizar é um processo muito caro, sendo necessário tempo para formar pessoas, consolidar estruturas e processos e posteriormente colher então resultados”.

Neste momento a AgroInsider processa quatro milhões de imagens por semana, de forma automática
Portugal continuará a ser sempre relevante para a empresa porque é cá que se situam as equipas de desenvolvimento e investigação, uma área crítica e de capital intensivo, “tanto mais que a investigação na agricultura funciona por ciclos, logo precisa de tempo e de diversidade para aprender rápido”.
Para se ter uma ideia, neste momento a AgroInsider processa de forma automática quatro milhões de imagens por semana, detetando diferentes tipos de problemas dentro das parcelas monitorizadas, contudo, a empresa já percebeu também, que a maioria dos atuais técnicos e consultores agronómicos não detêm o conhecimento para trabalhar este tipo de informação e vão ser necessários muitos anos até que as Universidades comecem a ensinar este tipo de abordagens digitais nos seus currículos. Nesse sentido a AgroInsider já se encontra a desenvolver o “agrónomo digital”, por forma a colmatar a ausência de técnicos habilitados no terreno, para lidar com este tipo de ferramentas.
Outro aspeto que a plataforma vai gerar é indicadores avançados de business intelligence (BI) para ajudar o agricultor na sua estratégia de negócio, “uma área onde o agricultor decide como e quando potencia a sua própria informação, na certeza de quanto mais informação colocar, mais informação técnica e económica recebe de volta”. O objetivo é sempre o mesmo: ajudar a ganhar eficiência e rendimento.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 225 (abril 2019)