Investigação Olival & Azeite

Todolivo obtém variedades de azeitona muito rentáveis em gordura

Este ano lança a variedade I-15: obteve mais 4,4 pontos de rendimento gordo que a Arbosana.

A Todolivo culmina um programa inovador de melhoramento genético, único no mundo, que permitiu a obtenção de 38 novas variedades de azeitona, precoces, muito produtivas e com extraordinário rendimento em gordura. Algumas delas chegaram a ultrapassar em mais de cinco pontos o rendimento (em gordura) de todas as variedades tradicionais.

Este projeto emocionante começou em 2007: a primeira tarefa consistiu em selecionar os pais com os quais os futuros cruzamentos seriam feitos. Escolheram-se variedades que se destacaram devido à sua alta produtividade, precocidade e rendimento em gordura mas também por aquelas que apresentaram alta tolerância ou resistência a certas doenças ou ainda cujos azeites se destacaram pela sua qualidade ou pelas características organolépticas apreciadas.

Os cruzamentos foram então realizados, de forma natural, por meio de polinização dirigida, ou seja, o pólen do pai foi recolhido e colocado na flor da mãe, tudo dentro de um saco para garantir a fertilização. Nesta primeira fase de cruzamentos obtiveram-se 1.345 novas variedades de azeitonas que deveriam ser submetidas a uma primeira avaliação no campo. Para este fim, foram plantadas individualmente na “Cruz de los Huertos”, uma parcela pertencente ao centro de pesquisa que a Todolivo possui em Pedro Abad, uma cidade na região de Córdoba (Espanha), onde durante anos foram submetidas a exigentes critérios de avaliação.

Os resultados foram surpreendentes: foi selecionado um grupo de 38 variedades formado por aquelas que demonstraram ser mais precoces, produtivas e com maior rendimento em gordura. Algumas chegaram a produzir mais de 2.000 kg de azeite/ha. Atualmente permanecem nesta parcela e já são avaliadas há nove campanhas.

Após estes resultados promissores foi necessário proceder a uma segunda avaliação no campo que confirmou os excelentes resultados alcançados em Pedro Abad. Todavia, desta vez, ao contrário do anterior, o ensaio foi feito de uma forma maciça, ou seja, plantaram-se linhas completas de cada uma das novas variedades. Para este fim a Todolivo adquiriu a “La Mata”, uma propriedade de regadio com 37,6 hectares, localizada nas imediações de Villafranca de Córdoba. A grande homogeneidade do seu terreno fez de “La Mata” a exploração ideal para realizar o ensaio de melhoramento genético. No entanto, a sua alta composição em argilas expansivas (quase 60%) retém o excesso de humidade, fazendo com que as variedades entrem em dormência durante o outono/inverno e seu desempenho aumente muito lentamente.

Desenhou-se um ensaio composto por 9 blocos, cada um contendo linhas completas das 38 seleções e uma coleção mundial de 19 variedades tradicionais muito produtivas, entre as quais se encontravam os pais das primeiras, para serem comparadas. O projeto da plantação permitiria também avaliar o comportamento das variedades com diferentes compassos.

Durante o outono de 2015 fez-se o trabalho de preparação do solo e no final desse mesmo ano a plantação foi realizada.

No outono de 2017, ou seja, um ano e dez meses após a plantação, os técnicos afetos ao ensaio foram surpreendidos por um grupo com mais de metade das variedades, que se manifestou extremamente precoce. Dos seus ramos pendia já uma grande quantidade de azeitona que apesar da tenra idade exigia ser colhida. Uma vez colhidas e pesadas as azeitonas pôde notar-se, para surpresa de todos, que a produção de 15 variedades oscilou entre 3.000 e 6.500 kg/ha, com 1 ano e 8 meses de vida. Os rendimentos em gordura obtidos foram elevados, o que permitiu que algumas das variedades produzissem até 1.000 kg de azeite por hectare.

No final de abril de 2018 a floração começou a surgir nas primeiras variedades e progressivamente em todas as outras, cobrindo as árvores de um manto branco que era visível à distância.

Este grande leque floral presente na nova coleção varietal permitiu personalizar as plantações futuras, optando-se pelas variedades cuja floração não coincidisse com os potenciais riscos climáticos da zona em causa.

A polinização desenvolveu-se suavemente deixando antever uma boa colheita para o outono seguinte. O verão foi menos quente do que o habitual e à medida que os dias se passaram as azeitonas cresceram em tamanho, fazendo-se notar cada vez mais nos ramos das árvores.

Com a chegada do outono, os primeiros ramos de azeitonas começaram a amadurecer nas variedades mais temporãs, com suas marcantes cores amarelo-esverdeadas e tons avermelhados e deixarem antever que o momento ideal para a colheita se aproximava.

Autoria: TODOLIVO S.L. | Departamento de Comunicação

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 227 (junho 2019)