Grande Entrevista

Direção da PORTUGAL INSECT

“Estamos solidamente convictos de que os insetos vieram para ficar quer na alimentação humana quer na animal”

A Associação Portuguesa de Produtores e Transformadores de Insetos – PORTUGAL INSECT – surge quando os três fundadores (Entogreen, Nutrix e Portugal Bugs) perceberam que se estivessem unidos provavelmente seria mais fácil um contacto coeso e coerente com as autoridades (2017) a quem se pediam respostas para as mesmas questões.
Entretanto, aquando das reuniões da Comissão Instaladora, neste que é um tema ainda relativamente novo para a sociedade portuguesa, foram surgindo outras missões e objetivos.
Por enquanto a lei ainda só permite a comercialização de proteína de inseto para ser incorporada em rações para peixes de aquacultura. Prevê-se que ainda este ano seja aprovada a legislação que permitirá a utilização desta mesma proteína para a alimentação de aves e suínos.
Já em relação à alimentação humana, a Associação está confiante que o consumo de insetos seja autorizado no início de 2020.
Todas as questões e respostas para ler na Entrevista à PORTUGAL INSECT.

Qual a necessidade de criação da Portugal Insect?
A criação da Portugal Insect surge quando os três fundadores (Entogreen, Nutrix e Portugal Bugs) se encontram em Bruxelas para uma evento internacional, no final de 2017, relacionado com o uso de insetos na Europa e reparámos que todos lutávamos contra os mesmos problemas no nosso país e acabávamos por saturar as nossas autoridades oficiais com as mesmas perguntas. Após alguma conversa chegámos à conclusão que talvez fosse benéfico para o setor se estivéssemos todos unidos a uma só voz através de uma associação, para que o contacto com as nossas autoridades fosse mais coeso e coerente. Nas reuniões da comissão instaladora, rapidamente percebemos que haveria outras missões para a associação, de que destacaríamos o trabalho de divulgação do setor junto dos consumidores.

Com quantos associados conta?
Atualmente a nossa associação conta com 9 associados efetivos (projetos empresariais e empresas) bem como com 3 associados honorários (instituições do tecido técnico-cientifico e académico português).

Como se caracterizam?
A Portugal Insect procura ser a entidade que representa todos os produtores e transformadores de insetos para alimentação humana e animal em Portugal.

Em termos da produção, que tipo de insetos são produzidos em Portugal?
Atualmente o inseto mais produzido para alimentação animal é a mosca soldado negro (Hermetia illucens). No caso da alimentação humana, são a larva do bicho da farinha (Tenebrio molitor) e os grilos (Acheta domestica).

E de que modo?
De momento a maior parte dos projetos dos nossos associados, encontra-se a apurar procedimentos e métricas de produção para se lançarem de forma industrial no mercado.

Na transformação? Como se processa? Quais podem ser as aplicações dos vários produtos obtidos?
Relativamente ao uso de insetos para alimentação humana, acreditamos que os insetos chegarão ao mercado português por duas vias. Ou sob a forma de farinha para enriquecimento de produtos que já conhecemos, tais como barras proteicas, massas, bolachas e pães. Ou simplesmente desidratados e temperados, para consumo como snack saudável.
Para alimentação animal, o inseto será incorporado não como um todo mas sim com a sua separação em proteína e gordura em rações animais e desta forma acreditamos que esta incorporação irá desempenhar uma papel importantíssimo no mercado Europeu ao reduzir a nossa dependência externa relativamente a fontes de proteína como por exemplo a soja.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 228 (julho 2019)