Hortofruticultura

Coopval investe forte e capacita-se para responder aos mercados mundiais mais exigentes

Os 50 anos da Coopval foram assinalados com um investimento de seis milhões de euros, demonstradores que a Cooperativa que já na altura foi visionária, está preparada para novos desafios, adotando também uma nova imagem.

Foi com pompa e circunstância que a Cooperativa dos Fruticultores do Cadaval – Coopval – celebrou o seu cinquentenário no passado dia 23 de julho. Uma data marcante que significa a consolidação da Cooperativa e um sinal de reconhecimento pela visão que os seus fundadores tiveram à época, quando foram capazes de perceber que unidos, numa estratégia para otimizar as suas produções, teriam mais sucesso. “Muito provavelmente sem imaginarem a dimensão e longevidade que a Cooperativa haveria de ter”, revive o atual presidente da direção, Aristides Sécio.
Com 50 anos, mas sentindo-se atualizada e à altura daquilo que são as exigências do mercado e na resposta aos seus associados, como é obvio a Cooperativa teve um percurso com momentos menos áureos que outros, alguns bem difíceis, como quando quase entrou em falência, recorda o presidente. “Na altura em que aconteceu o 25 de abril de 1974 a Cooperativa estava prestes a construir a central, mas faltaram os apoios públicos necessários que já estavam confirmados e havia compromissos assumidos. Foi a determinação dos fundadores e diretores da época que evitou esse cenário”.
Em termos do seu funcionamento, inicialmente a Cooperativa recebia a fruta dos seus associados e comercializava-a tal como vinha do campo, mas sem acrescentar qualquer valor. É precisamente aí que reside a diferença em relação aos dias de hoje. Foi acrescentado valor a partir da seleção da fruta, novas embalagens (…). Depois, procurando novos mercados e atingindo alguma dimensão a Coopval pôde comprometer-se com operadores que exigiam maiores quantidades.
Seguiu-se o mercado externo, nomeadamente o Brasil, um dos primeiros passos para a internacionalização. Entretanto abriram-se novos mercados e hoje a Cooperativa exporta 85% da sua produção. A restante percentagem é escoada para o mercado nacional, através de um lugar no mercado abastecedor do Porto e mais recentemente de uma grande superfície que tem vindo a aumentar o volume de fruta adquirido.

Coopval é responsável por mais de 20% da produção nacional de pera Rocha
Claro que todos os mercados são importantes e Aristides Sécio reforça que Portugal é o maior consumidor do principal produto da Cooperativa – a pera Rocha. “O mercado interno consome 50% da produção nacional e a Coopval, que é responsável por mais de 20% da produção nacional, naturalmente que também tem interesse em operar neste segmento”. No ano passado produziu 20400 toneladas de pera Rocha, 2000 de maçãs e algumas toneladas de outras frutas de verão, com muito menor expressão.
Anualmente a Coopval comercializa entre 21 a 25 mil toneladas de fruta, sendo a pera Rocha a mais expressiva. Curiosamente a fundação da Cooperativa está associada à maçã, então a cultura mais expressiva na região. Mas, avança o dirigente, o Oeste e concretamente o Cadaval, têm um microclima resultante da influência marítima e do sistema montanhoso que vem de Sintra e vai até à Serra dos Candeeiros, “excecional para a produção da pera Rocha”. Recorda-nos que esta variedade remonta há cerca de 190 anos numa pequena aldeia nos arredores de Sintra (Ribeira) de onde foi sendo disseminada até encontrar o seu “solar”.

Tecido social tem vindo a rejuvenescer
Mas quem são os obreiros disto tudo? Os produtores. São 293 associados, maioritariamente com pequenos e médios pomares, que exploram mais de 900 hectares, área que está em crescimento. O tecido social da Cooperativa tem vindo a rejuvenescer e de uma forma geral são fruticultores com formação e muito profissionalismo, “indispensável para fazer fruticultura nos dias de hoje”. Além disso, o presidente define-os como associados muito empenhados e participativos, como por exemplo através de um conselho consultivo da Cooperativa onde estão presentes 40 produtores e onde são discutidas ideias e estratégias de forma um pouco menos formal que nas assembleias-gerais.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 229 (ago.set. 2019)