Hortofruticultura

Advice.AgriBusiness reforça áreas de negócio: batata-semente, sementes hortícolas e equipamentos

A Advice.AgriBusiness dedica-se à representação de outras empresas em Portugal, Espanha, nos PALOP e noutros países, de acordo com as condições contratuais estabelecidas com os seus parceiros. Tem três unidades de negócio: a batata-semente da STET (Holanda); as sementes hortícolas para profissionais da Cora Seeds (Itália) e da De Bolster (sementes biológicas -Holanda); e as máquinas e equipamentos da SKALS (Dinamarca) para operações de pós-colheita e normalização de batata e de produtos hortícolas (cebola, cenoura, beterraba, pastinaca, etc.). Sérgio Margaço é o rosto da empresa e responde às nossas questões.

Como correu o ano agrícola de 2019 para a empresa?
No último ano agrícola, a Advice.AgriBusiness registou crescimento nos três ramos do negócio. A batata-semente da STET liderou esse crescimento, em volume e em valor, dado ser o negócio iniciado há mais tempo (2015) e no qual já se sente uma excelente adesão às variedades, desde os produtores até aos embaladores que fornecem o mercado tradicional ou supermercados, assim como pela restauração e pela indústria. Com a STET, marcámos presença pela primeira vez na Agroglobal, onde estivemos representados em 2018 no espaço da PORBATATA, associação de que somos membros-fundadores.
Nas sementes de hortícolas, estamos a passar pela realização de ensaios de aptidão e ensaios comerciais na maioria das variedades novas, com destaque para culturas como: cebola (dias curtos e dias longos), brócolo (fresco e indústria), melancia (diferentes tipologias), nabo, baby leaves (diferentes espécies), pepino, pimento e tomate. Comercialmente, as sementes de cenoura, de cebola e das abóboras, especialmente da espécie Cucurbita moschata (var.: Musquée de Provence; Longa de Nápoles e Butternut) e do tipo Hokkaido, são as que registaram maior crescimento de vendas (convencional e biológico).
Relativamente à SKALS, a nossa atividade baseia-se na assistência pós-venda aos clientes atuais na Península Ibérica, fundamentalmente com a reposição rápida de peças de desgaste dos equipamentos instalados e, por outro lado, no levantamento de necessidades para o fornecimento e instalação de novos equipamentos, o que felizmente se verificou em 2019 com um importante parceiro no setor da batata. Estamos numa fase de análise de mais algumas propostas, algumas das quais com condições técnicas e económicas para serem fechadas nos próximos 12 meses.

Qual tem sido a adesão dos produtores às variedades de batata que representam?
No setor da batata, à semelhança de outros (ex. as castas na vinha), a escolha das variedades é notoriamente uma ação cada vez mais refletida e discutida entre o produtor e o seu cliente, seja a indústria ou o mercado de fresco. Excetua-se o caso de produção em pequena escala para o autoconsumo em que o produtor em geral não muda de variedade há décadas (ex., a Desiree e a Spunta) e só em caso de indisponibilidade da sua “variedade de eleição” é que experimenta algo similar, o que em muitos casos é a oportunidade para conhecer uma variedade nova que até é melhor.

Passados quatro anos temos vários produtores com mais de 50% da sua área com variedades STET e alguns casos, quase a totalidade da área

Assim, no início (2015) os produtores introduziram as variedades STET em pequena escala (até 10 a 15% da sua área total de batata), o que nós também aconselhamos quando as variedades são novas. Passados quatro anos temos vários produtores com mais de 50% da sua área com variedades STET e alguns casos, quase a totalidade da área. Isto significa que o nosso trabalho nas campanhas anteriores, com muitos ensaios realizados em diferentes regiões de Portugal, em várias datas e a sua divulgação está a ser valorizada pelo mercado. Foi um enorme investimento inicial por parte da Advice.AgriBusiness, uma start up que teve, e tem de trabalhar e investir muito, para desse modo poder crescer em vendas ano após ano. Mesmo assim foi necessário esperar cinco campanhas para atingir o ponto de equilíbrio (break even). Só mesmo para quem nutre uma enorme paixão e está focado no produto nobre que é a batata (e que tem as contas bem feitas para saber de onde vem e para onde pode ir).
Porém, a este esforço, têm correspondido bons resultados em termos de produção com qualidade e com muito destaque na precocidade (colher cedo e chegar mais cedo ao mercado, com menos concorrência é uma grande vantagem para quem produz e comercializa batata nova nacional), o que se reflete em bons resultados económicos para os produtores e para outros agentes na cadeia de valor. Assim, graças ao bom desempenho da maioria das variedades, os produtores iniciam as suas encomendas de batata-semente cada ano mais cedo para garantir que poderão usufruir das vantagens proporcionadas com as variedades de batata da STET. Por outro lado, a política comercial posta em prática desde o início e seguida junto dos seus distribuidores e parceiros em Portugal, tem permitido criar sinergias nas quais todos saem a ganhar. Hoje estamos a colaborar com excelentes parceiros e temos abertura para avaliar novas parcerias ou distribuição das nossas variedades STET em zonas livres, onde ainda não temos presença relevante.

Quais as características das variedades mais valorizadas?
Atualmente a STET tem um catálogo com cerca de 40 variedades comerciais, que dividimos nos seguintes segmentos de mercado: variedades de pele vermelha e amarela para fresco; variedades para fritura industrial em rodelas (chips); variedades para fritura em palitos, para restauração, 4ª gama e indústria. Em cada um destes segmentos há características específicas, mas atualmente e transversalmente aos diferentes segmentos o mercado prefere: variedades mais precoces (ciclo mais curto) mas produtivas; boas resistências à maioria das doenças causadas por fungos, bactérias e vírus; calibre médio a grado; capacidade de produção com qualidade em caso de stress hídrico (condições de seca); tolerância às variações bruscas de temperatura causadoras de defeitos na polpa da batata; tolerância aos danos mecânicos na colheita e boa capacidade de conservação.

Qual o tipo de batata mais procurada?
Na analogia com o vinho, onde há mercado para branco, tinto, rosé, espumante, licoroso, etc., também no setor da batata há mercado para as variedades dos vários segmentos e para outros nichos (variedades muito antigas/especialidades de cores, formas, etc.).
Pormenorizando um pouco, no mercado fresco mais tradicional, as variedades vermelhas mais precoces com calibre médio a grado e de polpa amarela, continuam a ser as mais procuradas devido a uma tradição cultural em Portugal. No mercado fresco para a grande distribuição, historicamente há uma repartição mais ou menos equilibrada entre variedades de pele vermelha e amarela. Para a fritura em rodelas, hoje a procura centra-se muito nas variedades precoces de polpa amarela, com boa aptidão industrial (matéria seca entre 22 e 24 % e baixo nível de açúcares redutores) e com estabilidade qualitativa em caso de armazenamento. Para a fritura em palitos para o canal horeca, as variedades mais procuradas são as que permitam um palito relativamente comprido, de cor amarela e com boa firmeza.

O que foi introduzido de novo na cultura. Qual o feedback dos produtores?
Sendo uma empresa líder a nível mundial na obtenção, multiplicação e comercialização de batata-semente das suas variedades protegidas, em Portugal a STET também se tem afirmado nos últimos quatro anos, com um percurso inovador baseado na introdução comercial de variedades sobretudo de grande precocidade, o que tem permitido aos produtores anteciparem as colheitas da batata nova em uma a duas semanas, com vantagens económicas, relativamente ao que era possível antes do surgimento das variedades STET em Portugal.

É uma cultura que está em expansão?
Qual a região mais “dinâmica”?
A cultura está a sofrer uma mudança que se baseia na redução do número de pequenos produtores distribuídos no Centro e Norte de Portugal, na maioria com idade avançada. Pode dizer-se que existe uma transferência para as regiões onde os produtores têm maior área média de batata cultivada, nomeadamente o Ribatejo com forte crescimento anual da área de batata para indústria, a Península de Setúbal no mercado de fresco com precocidade e indústria e o Oeste com produção precoce junto ao litoral e com produção mais tardia. Mas, no total há décadas que Portugal sofre uma diminuição progressiva da área. É possível que a área nacional esteja a estabilizar, ligeiramente acima dos 20.000 hectares. Contudo, a batata é uma cultura que se produz em todas as regiões pois é um ingrediente essencial na cozinha portuguesa.

Para ler na Voz do Campo  n.º 230 (outubro 2019)