Olival & Azeite

A azeitona paga ao produtor a pouco mais de 25 cêntimos

O preço da azeitona, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, situa-se entre os 25 a 30 cêntimos o quilo, segundo garante o presidente da Associação dos Produtores em Proteção Integrada daquela região.

De acordo com a Rádio Brigantia o valor tem vindo a cair na região, já que há três anos era paga a mais de 60 cêntimos o quilo e no ano passado acima dos 40 cêntimos.

Francisco Pavão, presidente da Associação explica que o valor, mais baixo que nos anos anteriores, se deve ao preço do azeite a nível mundial. “É um valor mais baixo que no ano passado e, sobretudo, do que há dois anos e isto tem muito a ver com aquilo que é o preço do azeite no mercado mundial”.

Francisco Pavão acredita que o caminho, em Trás-os-Montes passa pela produção de qualidade. “Há aqui situações em que é preciso investir e uma delas é a criação de pequenas barragens que sirvam de apoio aos agricultores e outra questão é a valorização e o apoio às especificidades deste tipo de olivais. Trás-os-Montes é, possivelmente, a região que mais prémios tem obtido em concursos nacionais e internacionais. A região tem uma capacidade enorme para produzir azeites de qualidade. Numa região que não tem condições para produzir em quantidade, o caminho que temos é a qualidade e aposta no mercado que valorize a diferenciação dos azeites”.

Também Jorge Pires, do Pró-Lagar, em Mirandela, em declarações á Rádio Brigantia, esclarece que o azeite lhe está a ser comprado a preços mais baixos que em campanhas passadas, o que acontece com outros lagareiros daquele concelho, sendo esta a origem do problema. “Aqui no meu lagar começámos com 25 cêntimos o quilo. O que originou isto foi o preço a que o azeite estava a ser comprado. Acabei de falar com um comprador e ofereceu-me 2,20 euros por um azeite virgem extra. Isto não é nada”. Jorge Pires afirma ainda que o rendimento da azeitona este ano também é baixo, ou seja, para produzir a mesma quantidade de azeite é preciso mais matéria-prima.

Jorge Pires garante mesmo que o setor, este ano, não está a ser rentável nem para os lagareiros nem para os produtores. “Quem transforma azeitona, com estes valores é um negócio complicado. Eu também sou agricultor, também acho que é um preço baixo para os custos que há. Estamos a falar em zonas em que, por hectare, pomos 200 a 220 árvores, comparado com o que se passa no Alentejo e com o regime de apanha completamente diferente, a um terço do nosso custo, é extremamente complicado ”.