Investigação Olival & Azeite

Em breve Portugal poderá ser o terceiro maior produtor mundial de azeite

“Com o crescimento esperado, nos próximos 10 anos, Portugal será a maior referência na olivicultura moderna e eficiente do mundo, e possivelmente o sétimo maior em superfície, e o terceiro maior na produção mundial de azeite”. Conclusões aferidas no estudo “Alentejo: a liderar a Olivicultura Moderna Internacional” realizado pelos consultores CONSULAI e Juan Vilar -Consultores estratégicos, apresentado no dia 26 de novembro nas VI Jornadas Olivum.

De acordo com os dados avançados pelo mesmo documento, atualmente existem 361.483 hectares de olival em Portugal, dos quais 352.404 hectares são de olival para azeite (INE, 2019). Durante os últimos 20 anos, o olival português passou por uma profunda transformação; “de um olival tradicional e não competitivo, passou-se para um olival moderno e eficiente, com todos os benefícios diretos e indiretos que isso gera”.

O olival tradicional ocupa uma área total de 134 mil hectares (37,2% da área total), tendo uma maior expressão nas regiões da Beira Interior e Trás-os-Montes. O olival moderno em copa ocupa uma área total de 119 mil hectares (33,2% da área total de olival) e encontra-se representando em todas as regiões de forma semelhante. O olival moderno em sebe ocupa uma área total de 108 mil hectares (29,6% do total da área de olival).

A análise refere que em 2005 a percentagem de Azeite Virgem e Virgem Extra era de 72% do total de azeite produzido e, em 2017, já tínhamos 95% do azeite nacional certificado como Azeite Virgem e Virgem Extra, sendo absolutamente residual a quantidade de azeite lampante (de menor qualidade) nas últimas campanhas.

Com o crescimento esperado, “nos próximos 10 anos, Portugal será a maior referência na olivicultura moderna e eficiente do mundo, e possivelmente o sétimo maior em superfície, e o terceiro maior na produção mundial de azeite, o que não surpreende pelo facto do país já contar com duas empresas que são referências internacionais na produção Em breve Portugal poderá ser o terceiro maior produtor mundial de azeite de azeitona e no embalamento de azeite. Outra particularidade de Portugal, é que é um dos primeiros lugares do planeta onde se inicia a campanha da azeitona, oferecendo ao mercado os primeiros azeites de campanha de elevada qualidade”.

Concretamente sobre o Alentejo é importante reter que o olival passou de 172 mil hectares, em 2007, para 188.500 hectares, em 2018 o que representa um crescimento de cerca de 10%. Se nesta região há 20 anos o olival moderno representava apenas 6.000 hectares, hoje em dia, representa 82% do total da área de olival, com a incorporação de novas áreas de regadio, sobretudo de Alqueva, e da transformação de olivais tradicionais em olivais modernos. “Esta alteração de tipologia de olival permitiu afirmar o Alentejo como a região do país com maior produção de azeitona tendo representado, em 2018, mais de 75% do total de azeitona produzida a nível nacional (em 1999, representava cerca de 25% do total nacional).

Esta alteração da tipologia de olival, com a instalação de olivais modernos, e eficientes, de regadio, permitiu aumentar a produtividade mais de 6 vezes nos últimos 18 anos, estando a média regional perto das 3 toneladas de azeitona por hectare. No entanto, nos olivais modernos instalados, em plena produção, obtêm-se produtividades médias de 10 a 12 toneladas por hectare, pelo que se espera um crescimento muito acentuado da produtividade regional (e, por arrasto, da produtividade nacional) de azeitona. Muitos dos olivais recentemente instalados ainda não atingiram a plena produção”.