Agrociência

Controlo de infestantes em pós-emergência na cultura do grão-de-bico com os herbicidas Agil® e Lentagran®

Introdução:

O grão-de-bico é uma cultura que tem uma baixa competitividade com as infestantes, devido à sua taxa de crescimento lenta e do crescimento limitado da sua área foliar nos primeiros estádios de desenvolvimento, apresentando uma canópia curta e aberta.

A quebra de produção desta cultura devido à competição das infestantes poderá variar entre 40 a 90 %, dependendo do tipo e da densidade de infestantes presentes. Em várias investigações realizadas, tem-se concluído haver um melhor controlo de infestantes com herbicidas de pré-emergência do que com herbicidas de pós-emergência, além de que estes, causam fitotoxidade na cultura. No entanto, apesar de uma maior eficácia dos herbicidas de pré-emergência, esta é relativamente baixa. No nosso país, o único herbicida de pós-emergência homologado para a cultura do grão-de-bico é o Lentagran® 45 WP, cuja substância ativa é o piridato.

Este herbicida, atua por contato e está indicado para o controlo de infestantes de folha larga (dicotiledóneas), tais como: urtiga-morta (Mercurialis annua L.); erva-moleirinha (Fumaria officinalis L.); morrião (Anagallis arvensis L.); margação (Anthemis arvensis L.); bredos (Amaranthus retroflexus L.); amor-de-hortelão (Galium aparine L.); polygono trepador (Polygonum convolvulus L.); catassol (Chenopodium album L.); erva-moira (Solanum nigrum L.), etc. Comercializado em Portugal, mas não homologado no nosso país para a cultura do grão-de bico, mas sim em Espanha, o herbicida Agil® 100 EC (propaquizafope) é sistémico e está indicado para o controlo de infestantes de folha-estreita (monocotiledóneas), entre as quais se destacam: balanco (Avena spp.); espigão (Bromus diandrus Roth); milhã-digitada (Digitaria sanguinalis L.); azevém (Lolium multiflorum Lam); erva-febra (Lolium rigidum Gaudin); grama (Cynodon dactylon L.); erva-cabecinha (Phalaris minor Retz), etc. Foi objetivo deste ensaio, estudar a eficácia da mistura destes dois herbicidas, no controlo das infestantes mono e dicotiledóneas e na produtividade da cultura do grão-de-bico.

A variedade estudada, foi a Elmo (Tipo – Desi), que é uma variedade de crescimento indeterminado, com sementes negras porte semi-ereto, sendo tolerante à acama, com uma duração média do ciclo de 175 a 210 dias e um rendimento médio de 2000- 3000 kg/ha. É altamente tolerante à Ascochyta rabiei e tolerante ao Fusarium oxysporum. É uma variedade de grão-de-bico destinada à alimentação animal.

Material e Métodos

O ensaio foi instalado em finais de janeiro, num solo cartografado como Vc (solo calcário vermelho de calcário), cujo pH em água é de 7,8. A técnica cultural utilizada na instalação da cultura foi a mobilização reduzida, tendo o controlo de infestantes em présementeira e a preparação da cama da semente, sido efetuados com um vibrocultor. A sementeira, com uma densidade de 100 kg/ha (35 plantas/m2 ), foi levada a cabo com um semeador convencional, em linhas, de fluxo contínuo, com duas tremonhas (semente e adubo). Foi efetuada uma adubação de fundo com o adubo ternário 20-8-10, na ordem dos 200 kg/ha.

Os tratamentos foram os seguintes:

  • T1 – testemunha (controlo)
  • T2 – Livre (monda manual)
  • T3 – Agil (0,5 L/ha) + Lentagran (1 kg/ha) – D1
  • T4 – Agil (0,75 L/ha) + Lentagran (1 kg/ha) – D1
  • T5 – Agil (1 L/ha) + Lentagran (1 kg/ha) – D1
  • T6 – Agil (0,5 L/ha) + Lentagran (1 kg/ha) – D2
  • T7 – Agil (0,75 L/ha) + Lentagran (1 kg/ha) – D2
  • T8 – Agil (1 L/ha) + Lentagran (1 kg/ha) – D2

As doses de Agil® recomendadas para o grão-de-bico, variam entre 0,5 e 1 L/ha, enquanto que as doses recomendadas de Lentagran® variam entre 1 e 2 kg/ ha. A 1ª data de aplicação (D1) dos herbicidas (T3, T4 e T5), foi realizada quando cerca de 70 % do Lolium rigidum Gaudin (erva-febra) se encontrava entre as fases de 3 folhas e o meio do afilhamento e 80% das infestantes dicotiledóneas, nas fases de 2 a 4 pares de folhas. Na 2ª data de aplicação (D2) dos herbicidas (T6, T7 e T8), 85 % do Lolium estava no afilhamento completo e 70 % das infestantes dicotiledóneas, nas fases de 5 a 7 pares de folhas. Estas datas de aplicação dos herbicidas corresponderam na cultura, as fases de desenvolvimento de 3 e 5 folhas, respetivamente.

O volume de calda aplicado foi de 200 L/ha. O tratamento 2 (Livre) (Foto 3), foi mondado várias vezes ao longo do período do ensaio, de modo a mantê-lo livre de infestantes e nos talhões testemunha (T1 e Foto 2) não houve qualquer controlo de infestantes (…).

• Autoria: José F. C. Barros

• Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciência e Tecnologia, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), Instituto de Investigação e Formação Avançada (IIFA), Universidade de Évora, Núcleo da Mitra, 7002-554 Évora, Portugal

Desenvolvimento deste e de outros artigos, na edição impressa da Revista Voz do Campo.