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Produtores de leite ambicionam melhores preços e investimento em produtos de valor acrescentado

A Aprolep – Associação dos Produtores de Leite de Portugal – assinalou o 10.º aniversário com um almoço-debate, em Benavente, onde participaram dezenas de produtores, bem como algumas entidades ligadas à fileira.

Em Entrevista à Voz do Campo, o presidente da Associação, Jorge Oliveira, reforça que aquilo que os produtores mais querem são preços justos que dispensem ajudas e lhes permitam investir e modernizar a atividade.

Como se caracteriza a Associação? A Aprolep é uma associação de âmbito nacional que reúne essencialmente produtores de leite do Continente português. Temos centenas de associados mas lutamos por um futuro melhor para todos os produtores portugueses.

Qual é a sua principal missão? Definimos a missão da Aprolep deste modo: “Defender os interesses dos produtores de leite através da união de esforços, da congregação de saberes, da partilha de experiências e da solidariedade entre produtores”. Queremos um preço justo que nos permita viver sem precisar de ajudas comunitárias e queremos que o leite como alimento seja respeitado pelo seu valor.

“Queremos que o leite como alimento seja respeitado pelo seu valor”

Jorge Oliveira, presidente da Aprolep

De um ponto de vista geral, como está a produção de leite em Portugal? Neste momento há cerca de 2300 produtores nos Açores e menos de 2000 no Continente. Há mais de 10 anos que estamos com preço abaixo da média europeia e abaixo dos custos de produção em muitas situações. Por isso sente-se revolta e sobretudo um grande desânimo e apreensão entre os produtores.

“Em 10 anos perdemos 6000 produtores”

Quais foram as principais mudanças na produção leiteira em Portugal ao longo destes 10 anos? Em 10 anos perdemos 6000 produtores. A produção de leite está a desaparecer no interior e a reduzir na zona centro. Resiste no Minho, no Ribatejo / Alentejo e nos Açores. Acabaram as quotas leiteiras aumentou a dimensão das vacarias que ficaram na atividade. Para além do preço baixo, tivemos uma redução de 16% nos apoios ao setor ao longo da atual PAC (…).

Desenvolvimento deste e de outros artigos, na edição impressa da Revista Voz do Campo.