Agrociência Grande Entrevista Investigação

Desenvolver investigação a partir de problemas que se colocam na prática

Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento.

O MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento – está oficialmente a funcionar desde o dia 1 de janeiro. Resulta da ‘fusão’ entre o ICAAM (Universidade de Évora), Cebal (IPBeja), MeditBio (Universidade do Algarve) e CibioÉvora (Universidade de Évora). Com sede na Universidade de Évora e pólos em Beja e na Universidade do Algarve, contará com cerca de 320 investigadores, dos quais 170 investigadores doutorados e 64 alunos de doutoramento.

À frente desta nova unidade de investigação está a Professora Teresa Pinto Correia, que até aqui liderava o ICAAM, entretanto extinto, e que explica à Voz do Campo que um dos objetivos do MED é desenvolver investigação cujas questões partem de problemas que se colocam na prática e, sobretudo, às que se relacionam com a nova realidade face às alterações climáticas. Responde ainda a outras questões de modo a conhecermos melhor como vai funcionar o Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento.

Teresa Pinto Correia

“A fusão procurou por um lado aumentar massa crítica e por outro aumentar o cruzamento entre disciplinas e especialistas com conhecimentos complementares”

Quais foram as principais necessidades sentidas para avançar com a fusão destes quatro Centros de Investigação? Estas unidades trabalhavam já em investigação em áreas que se complementam, sendo que o domínio de aplicação é fundamentalmente o contexto mediterrânico, com as suas características biofísicas, de produção agrícola e florestal, alimentares e culturais específicas. Não só a região do Alentejo e / ou Algarve, mas estas regiões como exemplo para outras com características e problemas semelhantes. Assim, alguns trabalhos já se desenvolviam em conjunto. O que nos fez pensar na fusão foi o facto de cada um por si sentir a necessidade de ter mais massa crítica, de conseguir dar respostas mais completas às questões que se levantam na prática. Só com investigação interdisciplinar e inovação com o cruzamento de métodos e abordagens complementares, conseguimos chegar a resultados mais próximos do que a aplicação prática procura.

Logisticamente como é que vai funcionar a partir de agora? Vai funcionar como um conjunto de unidades ligadas em rede. A instituição de gestão principal é a Universidade de Évora, onde se inclui o antigo ICAAM e o CIBIOÉvora. O CEBAL e a Universidade do Algarve são unidades de gestão complementares. O orçamento que recebemos da FCT é dividido proporcionalmente pelas três entidades de gestão. Mas as orientações científicas, os objetivos e as linhas temáticas centrais à investigação, são discutidas e decididas em conjunto.

Qual, ou quais, as vantagens deste novo modelo? Ainda não o testámos, mas esperamos que aumente a nossa capacidade de investigação e de inovação, que nos leve mais longe na construção de conhecimento para além do estado da arte, e sobretudo que nos leve a descobrir e explorar cruzamentos entre diferentes abordagens, que possam ao mesmo tempo ser férteis cientificamente e contribuir com respostas para a prática, tanto ao nível do setor privado como do setor público (…).

Desenvolvimento deste e de outros artigos, na edição impressa da Revista Voz do Campo.