Cereais

Agricultura integra solução para Portugal atingir a Neutralidade Carbónica em 2050

O 10º Colóquio Nacional do Milho reuniu 630 participantes, entre os quais cerca de 200 estudantes de 12 instituições de ensino da área das Ciências Agrárias, num debate sobre o papel da agricultura nos grandes desafios da atualidade.

A Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, marcou presença na sessão de encerramento do Colóquio, que se realizou em Coimbra, afirmando que “a cultura do milho nos sistemas agrícolas e pecuários nacionais assume uma importância reconhecida pelo país e pelo Governo de Portugal”.

Face aos temas abordados durante o 10º Colóquio Nacional do Milho, a ANPROMIS conclui que a resiliência e perseverança que os agricultores da região Centro têm demonstrado nos últimos anos, ao ultrapassarem os contínuos obstáculos que lhes foram colocados com as cheias de 2016, os incêndios de 2017, o Leslie em 2018 e as intempéries do final do ano passado, é um fator que importa realçar. Por outro lado, a reabilitação do canal principal de rega do Vale de Mondego, região onde o milho é uma cultura muito relevante, revela-se urgente e deve constituir uma prioridade do Estado Português, sob pena de a próxima campanha agrícola ficar irremediavelmente comprometida.

O 10º Colóquio Nacional do Milho realizou-se no passado dia 19 de fevereiro, em Coimbra, com organização da ANPROMIS – Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo.

Para a Anpromis, a agricultura seja ela efetuada em regiões de montanha ou nos vales, no sequeiro ou no regadio, seja biológica ou convencional, familiar e de subsistência ou empresarial, revela-se fundamental à coesão e ao desenvolvimento social, económico e ambiental do nosso território. Já o milho, como cultura arvense com maior expressão em Portugal, estando presente em mais de 67 mil explorações agrícolas distribuídas por todo o território nacional, tem uma responsabilidade acrescida. Num período marcado pelas alterações climáticas, a aposta do Governo na expansão de novas áreas regadas e na reabilitação dos perímetros de rega existentes, revela-se fundamental para a Associação no sentido de se contrariar a desertificação social e ambiental que se verifica num crescente número de concelhos do nosso país.

Na visão da Anpromis, “Portugal não pode caminhar para se tornar num país em que o fundamentalismo ambientalista de alguns, poucos mas com grande palco mediático, que vivem essencialmente nas zonas urbanas, se sobreponha às necessidades básicas e aos interesses de regiões inteiras onde a atividade agrícola é fundamental ao seu desenvolvimento – Não há mundo rural sem agricultura, nem agricultura sem mundo rural!”. Durante o 10º Colóquio Nacional do Milho concluiu-se ainda que “o envolvimento das Instituições de Ensino Agrícola e Agronómico e os seus alunos, muitos deles os nossos futuros agricultores, ao mundo empresarial revela-se fundamental na partilha de conhecimentos, preocupações e expectativas em torno de uma cultura e de uma fileira extremamente dinâmica como é a do milho”. É de registar que Portugal tem um grau de auto-aprovisionamento de cereais dos mais baixos da Europa, “o que põe em causa a nossa soberania alimentar”(…).

Desenvolvimento deste e de outros artigos, na edição impressa da Revista Voz do Campo.