Editorial

Com a falta de água as decisões devem ser urgentes

O cenário é de falta de água e as decisões são cada vez mais urgentes

“Portugal tem um clima mediterrânico, e por isso as alterações climáticas fazem sentir-se de forma mais significativa, uma situação que reforça a importância da água na agricultura.

Um pouco por todo o país, sobretudo mais a sul do território, a escassez deste precioso líquido começa a preocupar os agricultores levando-os à procura de soluções para minorar os seus efeitos, não só pelo aumento do investimento que tem vindo a ser realizado no setor, mas acima de tudo pela fraca pluviosidade de anos sucessivos.

É aqui que devem entrar novas ferramentas tecnológicas que permitam o uso da água com mais racionalidade num contexto de iniciativas conjuntas que permitam a sustentabilidade deste recurso, seja em termos de uso doméstico, seja na agricultura, até para melhor rentabilizar o produto final. A situação é preocupante, ao ponto de alguns investigadores preverem que Portugal continental irá sofrer uma diminuição da precipitação média anual de 10 por cento na zona norte e em todo o litoral e de cerca de 30 por cento nas zonas interiores e no sul.

O Algarve é sem dúvida a região que neste momento mais sente o problema, onde o turismo como a grande atividade económica por excelência, não poderá certamente desenvolver-se sem água. Reflete-se igualmente na agricultura que ali se faz, já com um nível de desenvolvimento notável, especialmente a nível dos citrinos e mais recentemente do abacate. É necessária uma avaliação técnica responsável, de modo a serem estudados todos os parâmetros e desenvolver esforços para, por exemplo, se evitarem perdas na rede de abastecimento de água principalmente nos mais envelhecidos.

Devem também ser implementadas medidas de gestão/captação e eficiência de consumo de água. Por outro lado, a reabilitação dos regadios é essencial para a redução da perda e para a melhoraria dos níveis de eficiência no consumo com reflexos positivos na balança comercial.

Quanto à construção ou não de uma nova barragem no Algarve, esta decisão vai certamente ser crucial para o futuro de toda uma região onde o poder autárquico por unanimidade parece considerar necessária uma nova estrutura que possa definitivamente resolver o problema. Urge portanto construir infraestruturas para o armazenamento de água. Recorde-se aqui a construção da Barragem do Alqueva no Alentejo, originando melhorias significativas nos índices de precipitação, para além de outros benefícios bem visíveis para a economia regional.”

Paulo Martins Gomes, Diretor da Revista Voz do Campo