Agrociência Hortofruticultura

Floração e Desenvolvimento Vegetativo das Cultivares de Amendoeira ‘Lauranne’ e ‘Guara’ no Alentejo

Introdução: A amendoeira é uma cultura perfeitamente adaptada ao clima mediterrânico, embora seja muito sensível à ocorrência de geadas tardias de primavera que podem ocorrer durante a floração.

Devem escolher-se cultivares de floração tardia e evitar-se situações de frio intenso (plantações em vales, ou em encostas viradas a norte). É uma árvore que prefere lugares ensolarados e arejados (Salazar e Melgarejo, 2002).

Suporta as altas temperaturas do verão e as baixas do inverno. O consumo da amêndoa tem vindo a aumentar em todo o mundo, devido ao fato dos frutos secos estarem cada vez mais associados a um “snack” saudável, e os produtos derivados da amêndoa, como o leite de amêndoa, óleo de amêndoa e manteiga de amêndoa estarem incluídos no grupo de alimentos que constituem uma comida saudável.

Estes aspetos têm conduzido à grande expansão da cultura da amendoeira nos últimos anos, principalmente no Alentejo, na zona do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. Em 2017 a área de amendoal nesta zona era de 5015 ha e no ano de 2018 foram inscritos 6994 ha nos perímetros de rega de Alqueva (Anuário Agrícola de Alqueva, 2018). Está a ocorrer a plantação de novos pomares, a introdução de novas cultivares com recurso a técnicas culturais mais modernas, havendo necessidade de acompanhar esta evolução da cultura na região. Para uma melhor conhecimento sobre a adaptabilidade da amendoeira à região de Beja, fez-se o acompanhamento de duas cultivares a ‘Lauranne’ e a ‘Guara’, de modo a verificar-se o seu comportamento relativamente às condições edafo-climáticas, no que se refere à época de floração, desenvolvimento vegetativo e número de frutos vingados.

Material e métodos

O presente estudo decorreu numa exploração situada no concelho de Beja. A propriedade possui uma área 150 ha, onde se encontra instalado um pomar de amendoeiras constituído por três cultivares. A cultivar ‘Lauranne’ ocupa a maior área, 75 hectares, segue-se a cultivar ‘Soleta’ com 40 hectares e a cultivar ‘Guara’ com 35 hectares. O porta-enxerto utilizado foi o GF 677.

O pomar foi plantado em 2017, com um compasso de 6 m x 3,3 m. Em 2019, quando foi realizado o presente trabalho, o pomar tinha apenas 2 anos de idade, sendo o primeiro ano em que se fez alguma colheita de frutos. De acordo com as análises efetuadas, o solo onde está instalado o pomar apresenta as seguintes características físicas: textura argilosa com 52 % de argila, 32,7% de limo e 15,4 % de areia. Relativamente às características químicas, o pH é 7,6, considerando-se o solo de reação alcalina, a CE é de 0,117 dS/m, o que se considera um valor baixo, o calcário ativo é de 3,24 %, que está dentro do normal, os carbonatos totais apresentaram o valor de 6,22 %, o que é um valor normal e o valor da matéria orgânica é de 1,06 %, considerado baixo.

No que diz respeito aos nutrientes, o potássio e o cálcio apresentaram valores altos, o azoto, o magnésio, o manganésio e o boro apresentaram valores normais e o fósforo, o ferro, o cobre e o zinco valores baixos. Efetuou-se uma fertilização de acordo com estes resultados, que foi realizada através da rega (fertirrega).

O controlo de infestantes foi realizado através do enrelvamento na entrelinha com destroçamento das infestantes e na linha com a aplicação de herbicida. A rega foi feita através do sistema automático de gota a gota com tubo duplo. Durante o crescimento das árvores os tubos vão sendo afastados, começando inicialmente a uma distância de 20 cm do tronco, passando posteriormente para 40 cm e atualmente encontram-se a uma distância de 1 m do tronco.

O período de rega foi de março a novembro. O consumo de água por hectare/ano rondou os 2500 m3 e foram realizadas 3 h de rega ao longo do dia. O sistema de condução é em vaso e a poda é feita de forma a manter as árvores com uma altura entre 2 m a 2,80 m, com um tronco com 70 a 80 cm de altura, para permitir a colheita mecânica através de vibradores de tronco, sem danificar a árvore. Foi realizada a poda em verde, durante a fase de crescimento vegetativo da árvore e uma poda de inverno entre dezembro e janeiro.

No decorrer do período dos dois anos da plantação, surgiram algumas doenças, nomeadamente a Phytophthora, que causou problemas ao nível da raiz e do tronco das árvores, principalmente em condições de encharcamento do solo, conduzindo à morte de algumas plantas. Outra doença que causou alguns danos foi a ferrugem, provocada pelo fungo Tranzschelia pruni-spinosae var. discolor Fuckel, cujos sintomas são pontos circulares com uma cor amarelo-avermelhado na página inferior das folhas e que pode conduzir à sua queda precoce. Pode surgir após as chuvas de inverno ou em ambientes húmidos, com temperaturas moderadas, no verão (Melgarejo, 2010).

Apesar das cultivares serem auto férteis, foram colocadas abelhas no pomar para auxiliar na polinização. As abelhas possuem um papel determinante neste processo pois chegam a ser responsáveis por 20 % a 25 % da totalidade da polinização. O ensaio decorreu de janeiro a maio.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com 4 repetições e 3 árvores por repetição, o que correspondeu a 12 árvores da cultivar ‘Lauranne’ e 12 árvores da cultivar ‘Guara’ Marcaram-se 4 ramos por árvore de acordo com os pontos cardeais n-s-e-o.

Os parâmetros observados foram os seguintes: ocorrência dos estados fenológicos, crescimento dos ramos do ano, número de gomos por ramo, número de flores por ramo e número de frutos vingados por ramo.

Saiba mais sobre os Resultados e Discussão deste artigo na edição impressa da → Revista Voz do Campo.

Autoria: Pedro Madeira e Mariana Regato

  • Instituto Politécnico de Beja/Escola Superior Agrária Rua Pedro Soares, Campus do Instituto Politécnico de Beja 7800-295
  • Beja e-mail: mare@ipbeja.pt
Referências:
Anuário Agrícola de Alqueva (2018). Direção de Economia da Água e Apoio ao Cliente-Departamento de Economia da Água. Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA). Beja. Felipe, A. (1977). Almendro. Estado fenoloìgicos. Informacioìn Teìcnica Econoìmica Agraria. Grassely, C.; Duval, H. (1997). L‘Amendier. Centre Technique Interprofessionel des Fruits et Leìgumes (CTIFL). Paris. Melgarejo P.; Garciìa-Jimeìnez J.; JordaÌ C.; Loìpez M.M.; Andreìs M.F. e DuraìnVila N. (2010). Patoìgenos de plantas descritos en EspanÞa. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino – Sociedad EspanÞola de Fitopatologiìa. Miarnau, X.; Torguet, L.; Batlle, I.; Romero, A.; Rovira, M. e Alegre, S. (2015). Comportamiento agronoìmico y productivo de las nuevas variedades de almendro. Simposio Nacional de Almendro y otros Frutos Secos, Feira de Lleida. Muncharaz, M. (2004). El almendro. Manual Teìcnico. Mundi-Prensa. Madrid. Salazar, D.; Melgarejo, P. (2002). Cultivos Lenhosos: frutales de zonas áridas.El cultivo del Almendro. Mundi-Prensa. Madrid.