Agropecuária

COVID 19 e Agricultura: Opinião da APROLEP

Marisa Costa, APROLEP

Portugal e o mundo sofrem os efeitos nefastos do coronavírus. Atravessamos um momento agitado, cheio de dúvidas, ansiedades e receios! Não sabemos o que nos reserva o futuro nem temos a verdadeira noção das consequências desta epidemia na nossa vida. Um facto é expectável: o mundo irá atravessar uma grave crise económica.

Há muito que a natureza dava sinais de que era necessário agir e o COVID 19 alerta-nos para a necessidade de mudar. Temos que alterar os nossos hábitos, a nossa forma de agir e viver em sociedade. Surgem novas formas de trabalho (teletrabalho), novas formas de nos relacionamos: evitam-se beijos, abraços, contactos com familiares e amigos…

O medo e ansiedade leva as pessoas a correrem para os supermercados, deixando prateleiras vazias e obrigando à reposição dos produtos.

É incrível como num ápice tudo muda, mudam as exigências, os hábitos de consumo e são-nos exigidos novos comportamentos e cuidados! Mas há algo que também nos é exigido: comida para alimentar a população!! O país não pode parar e as necessidades básicas terão que ser asseguradas.

Os agricultores têm consciência da sua importância na cadeia alimentar, e sabem que é o seu trabalho que garante o abastecimento das superfícies comerciais com alimentos saudáveis, seguros e nutritivos. É com agrado que vemos as prateleiras do leite e da carne vazias, o que significa que neste momento de crise os portugueses estão a valorizar os produtos essenciais para a sua alimentação.

A agricultura também sofrerá o impacto da crise causada por esta epidemia. Se por um lado, são muitos os produtores que abasteciam restaurantes, que agora fechados não garantem o escoamento de produtos: os leitões da bairrada e as queijarias são alguns dos inúmeros exemplos, por outro os produtores de pequenos frutos equacionam o futuro da sua produção pois desconhecesse como estará o mercado da exportação e a capacidade de resposta dos transportes para entregas internacionais.

Este momento que estamos a atravessar, prova uma vez mais que a forma como a sociedade e o poder político olha para a agricultura difere, consoante as necessidades e preocupações.

Nas alturas de tempestade todos aplaudem o nosso trabalho, mas em alturas de bonança e fartura somos atacados!

Ser agricultor é ser resiliente, é ser capaz de contornar vários obstáculos: desinteresse político, exigências burocráticas, limites à produção, desinformação dos consumidores, ataques dos animalistas…

Hoje, contrariamente há algumas semanas atrás, não se questionam as intolerâncias, a poluição causada pelas vacas, nem tão pouco se a agricultura é intensiva (caso não fosse este o modelo de produção mais comum o país não tinha a capacidade de resposta que tem) …

A agricultura teve no passado e terá agora um papel importante na economia. Os dados falam por si. Se olharmos para trás verificamos que entre 2011 e 2013 a economia portuguesa passava por uma grave crise económica, mas a agricultura registava crescimentos na ordem dos 2,8%. Verificamos que os chamados complexo agro-florestal representaram 20% do total das exportações portuguesas.

Em alturas de incêndios, são muitos os agricultores que são chamados para ajudar.
Atualmente enquanto a população está em casa (e bem!) em quarentena, os agricultores são chamados para que com os seus pulverizadores desinfetem as ruas e ao mesmo tempo colocam “mãos à obra” e trabalham arduamente com muitos cuidados para garantir que nada falte aos portugueses.

Esta é a prova que na tempestade e na bonança, na alegria e na tristeza e todos os dias ( mesmo todos os dias) da nossa vida estamos cá para garantir que todos os dias cheguem à casa dos portugueses alimentos frescos.