Editorial

A agricultura não vai parar

O momento que vivemos leva-nos a uma grande reflexão sobre o nosso comportamento, como tem sido no passado e como deverá ser no futuro, desde o simples cidadão até ao mais alto governante e decisor político.

Estamos provavelmente perante um dos marcos mais importantes na história da humanidade e que fará parte dos compêndios escolares das gerações vindouras. Muita coisa vai ter certamente de mudar, desde logo a nossa mentalidade. As opções deverão ser bem ponderadas já que muito iremos aprender com esta pandemia e com os efeitos colaterais das medidas restritivas impostas. Por entre esta aprendizagem, sobressai a atividade agrícola que veio lembrar aos mais distraídos a sua extrema importância, diria vital, porque dependemos dela para nos alimentarmos e consequentemente podermos sobreviver. Assim, a agricultura vai continuar a garantir a produção de alimentos à população. Inúmeras entidades ligadas ao setor agrícola já fizeram saber que não vão parar.

“É necessário alimentar quem nos alimenta”, conforme refere a recente campanha do nosso Governo. Temos no entanto de ser mais criativos para podermos enfrentar os tempos de incerteza que vivemos. Felizmente sobressai já o bom exemplo de alguns produtores que estão a enveredar pela distribuição dos seus produtos em cabazes ao domicílio, um formato que também poderá resultar sobretudo nos pequenos produtores mais dependentes das cadeias da hotelaria e restauração, agora sem atividade. Aqui também o serviço online está a reforçar a sua importância como ferramenta de apoio, possibilitando centralizar informação sobre produtores com dificuldade em escoar os seus produtos ajudando-os a fazer entregas ao domicílio.

No que diz respeito às grandes superfícies, há esperança de que possam reforçar o escoamento de produtos nacionais, obedecendo naturalmente aos típicos padrões de qualidade. Não quero finalizar este editorial sem antes voltar às preocupações climáticas, um tema que esteve ao rubro antes do início desta pandemia, onde na altura muito se falou das emissões de gases com origem na agricultura a contribuírem para o efeito de estufa.

Hoje, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), sabemos que o mundo está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia, com a quebra no consumo de petróleo devido à pandemia de covid19. Perante este facto, e tendo em conta que a atividade agrícola não parou, penso que será da mais elementar justiça alterar agora certos discursos e teorias.

Paulo Gomes, Diretor