EMPRESAS & PRODUTOS Hortofruticultura

Com o crescimento do amendoal há novas preocupações a surgir

A fábrica que a Almencor instalou em Azaruja, (Évora) está capacitada para laborar não só a produção própria como também a de outros produtores, uma vez que o negócio também contempla a compra, descasque e comercialização da amêndoa.

Aberta desde agosto de 2019, a Almencor é uma unidade de descasque e comercialização de frutos secos, nomeadamente amêndoa, instalada em Azaruja – Évora. Esta fábrica representa um investimento de 15 milhões de euros e possui capacidade para laborar 21 milhões de quilos. Além da fábrica, a empresa possui também cerca de três mil hectares próprios de amendoais e disponibiliza vários serviços a outros produtores que refletem a já vasta experiência profissional do empresário José Leal da Costa e de toda a sua equipa, com muitos desses conhecimentos adquiridos in loco nos Estados Unidos, nomeadamente na Califórnia (ver páginas 36 a 38 da Voz do Campo n.º 235 – março 2020).


AMENDOAL Portugal

2016 Área: 31 464 ha Produção: 8 713 ton

2017 Área: 34 002 ha Produção: 23 140 ton

2018 Área: 39 642 ha Produção: 21 642 ton

Estatísticas Agrícolas INE 2018


Nesta estratégia e lógica de partilha de informação e conhecimento, a Almencor realizou recentemente o ‘Dia da Amêndoa’, com um Seminário que contou com a presença de várias empresas que abordaram temas que foram desde soluções de financiamento para a agricultura até estratégias nutricionais para o amendoal, bem como o uso sustentável de fungicidas nesta cultura. Este é sem dúvida um assunto na ordem do dia, sendo evidente o crescimento da cultura, nomeadamente no Alentejo, que é já a segunda maior região produtora do país, depois do Interior Norte. São muitas as razões para este interesse no amendoal, nomeadamente os preços atraentes praticados nos últimos anos, a par da disponibilidade de água no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, que está a atrair muitos investidores, nacionais e estrangeiros.

O Seminário ‘Dia da Amêndoa’ realizou-se na Amieira Marina. Além da empresa anfitriã, a Almencor, contou ainda com participações da BASF, TRADECORP e Millenium BCP

Sendo uma cultura relativamente recente no nosso país no sistema de regadio, as empresas estão a adaptar as suas soluções e a desenvolver estratégias, como é o caso da Tradecorp, que no ‘Dia da Amêndoa’ apresentou precisamente a sua estratégia nutricional para o amendoal, pela voz de Ricardo Borges, com base em ensaios e trabalhos que a empresa tem realizado nos últimos anos.

Ricardo Borges – Tradecorp

Para a empresa, a estratégia nutricional inicia-se na fase da diferenciação floral, decisiva para o sucesso da cultura

É um período em que existe uma grande competição dos fotoassimilados e representa uma fase em que os stresses abióticos (hídricos, climáticos (…) originados por temperaturas e até falhas nutricionais, entre outros) são constantes. Essas falhas nutricionais influenciam muito o equilíbrio nutricional da planta, pelo que, diz Ricardo Borges, dentro do que é a nutrição nesta fase é importante dar-se ênfase a dois micronutrientes – o boro e o zinco – que vão definir precisamente o sucesso da diferenciação floral.

No ciclo vegetativo da cultura da amêndoa há outros pontos fulcrais como são a desfoliação, pós-colheita e repouso vegetativo e períodos críticos como as florações e vingamentos em que é necessário intervir

Os produtos que a Tradecorp recomenda para o amendoal são:

Mas, diz o técnico da Tradecorp, toda a estratégia tem de basear-se em análises de solos e análises foliares, estudando-se também as necessidades nutricionais da cultura.

Foram muitos os interessados em ouvir as estratégias que as empresas vão definindo para a cultura do amendoal

José Saramago – BASF

À BASF coube falar sobre uso sustentável de fungicidas no amendoal, uso esse que para José Saramago se prende com uma questão bastante debatida dentro da empresa – a necessidade de se manter a eficácia dos produtos. É importante recordar que está a verificar-se uma redução substancial do número de matérias ativas que estão à disposição dos agricultores, com todas as implicações dessa situação, nomeadamente pragas e doenças que não eram problemas e que começam novamente a ser. “E quando se pensa numa doença é necessário pensar em aspetos que vão desde o hospedeiro, à sensibilidade das variedades, ao tipo de agricultura que se faz (mais intensivo ou tradicional), entre outros.

No caso do amendoal moderno, em que existe intensificação cultural, começam a surgir doenças que não eram habituais” Já em relação aos produtos, quando são eficazes, há uma tendência natural para se repetirem tratamentos, o que provoca mutações na natureza, algumas vantajosas, outras não. “Também temos de ter algum cuidado porque na grande maioria das vezes os produtos falham não porque há resistência mas porque não se realizou o tratamento atempadamente ou o volume não era o indicado, tal como as condições de aplicação, entre um conjunto de causas responsáveis pela falha ”. Dentro dos fungicidas, atualmente é nos modos de ação mais eficazes que se verifica a maior possibilidade de haver mutações porque os modos de ação são cada vez mais específicos por atuarem numa zona particular da fisiologia do fungo que se quer eliminar. José Saramago aponta dois caminhos, “ou não usamos os produtos, e não vamos ter resistências ou então, se usamos os produtos, porque precisamos de os usar, vamos pensar em ter cuidado e seguir algumas práticas para limitar que essa criação de resistências aconteça”. Reforça ainda que no caso das doenças das plantas é importante pensar nos tratamentos preventivos.

Neste momento a BASF tem homologados e comercializa para o amendoal:

Kocide 2000: para o controlo de lepra, crivado e moniliose em tratamentos à queda da folha e no final do período de repouso vegetativo; Sugnum: para o controlo de mancha ocre, lepra, crivado e moniliose em tratamentos durante o período vegetativo.

Banca não descura o setor primário

Vasco Cunha – Millennium BCP

Além de dados estatísticos sobre a produção de frutos de casca rija em Portugal e no mundo, Vasco Cunha apresentou ainda algumas das soluções do Millennium BCP ajustadas ao dia a dia do empresário agrícola, nomeadamente a linha de crédito de curto prazo, antecipação das ajudas IFAP (Pedido Único), bem como outras soluções de apoio à tesouraria.

Desenvolvimento deste e de outros artigos, na edição impressa da Revista Voz do Campo.