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Grão-de-bico. Jovem recupera variedade tradicional com características únicas

Chama-se ‘Casal Vouga’ e é uma variedade que está há muito na família de José Azóia.

O jovem empreendedor ribatejano resolveu pegar nas suas características diferenciadoras – maior calibre, o menor tempo de cozedura e o paladar único – e fazer deste um produto único. Já trabalha com 20 produtores e nos últimos meses o projeto valeu-lhe dois importantes prémios no setor agrícola nacional.

Dependendo dos anos, as épocas de sementeiras são em janeiro/fevereiro e as épocas de colheitas em julho/ agosto.

José Azóia

José Azóia tem 32 anos, nasceu numa família dedicada à agricultura e desde sempre participou nas atividades da exploração familiar. Acabou por seguir a formação académica nessa área, tendo frequentado o curso de Engenharia Agronómica na Escola Superior Agrária de Santarém. Em Angola e França trabalhou em projetos agrícolas e entretanto voltou a Portugal para iniciar o seu próprio projeto ligado ao grão-de-bico que sempre fez parte das explorações da família, embora em pequenas áreas e com pequenas produções, apenas para consumo próprio. Pegou nessa semente e procurou fazer algo de novo e diferente, dando assim corpo à Egocultum. Neste momento a empresa dispõe de cerca de 150 hectares de produção própria, a maioria dos quais relativos a grão-de-bico de sequeiro. Conta ainda com algumas áreas de trigo e colza, com grande parte das parcelas localizadas no concelho de Santarém e limítrofes, na chamada zona do Bairro.

Além de produtor também é multiplicador de sementes, processo que passa principalmente por utilizar grande parte da colheita para esse efeito, passando por um rigoroso processo de seleção, calibração e posterior inoculação

São já cerca de 20 agricultores que trabalham uma área que ronda os 500 hectares que trabalham com o grão de-bico ‘Casal Vouga’, uma variedade própria que segundo José Azóia tem como principais características diferenciadoras o maior calibre, o menor tempo de cozedura e o paladar único. Aos agricultores no processo de multiplicação é-lhe prestado um acompanhamento regular da cultura, com visitas técnicas semanais e bastante partilha sobre os conhecimentos e experiência sobre o respetivo maneio.

Nos últimos meses o projeto de José Azóia foi vencedor de pelo menos dois prémios (Prémio Intermarché Produção Nacional e Prémio Nacional de Agricultura) que para o empreendedor “são dois importantes reconhecimentos que ajudam a divulgar o projeto e a despertar maior curiosidade sobre o grão-de-bico, particularmente importante num contexto de novas tendências alimentares. Além disso, os processos dos respetivos concursos são uma importante validação do nosso trabalho”. Até agora a grande maioria do produto tem sido escoada sob forma de semente certificada.

“Temos também alguns pontos de venda nomeadamente grossistas e também alguns restaurantes de excelente qualidade que valorizam a diferenciação do grão-de-bico ‘Casal Vouga’”. A finalizar Azóia afirma que o grande objetivo deste projeto é que o grão-de-bico ‘Casal Vouga’ chegue à mesa de cada vez mais pessoas e famílias, em Portugal e além fronteiras.

Desenvolvimento deste e de outros artigos, na edição impressa da Revista Voz do Campo.