Política Agrícola

Zoológicos pedem ajuda ao Ministério da Agricultura. “Por um ou dois meses ainda aguentamos o barco”

O Ministério da Agricultura já foi notificado da situação e prometeu avaliar as hipóteses de ajuda financeira aos zoos e aquários do país, que mantêm a sua atividade sem receita de bilheteira

Há três leões a habitar o Zoo Santo Inácio. Cada um come quatro quilos de carne por dia. A eles juntam-se outros 600 animais de 250 espécies diferentes e “muitos carnívoros, como o leão, o tigre, as panteras”.

Desde que fechou portas, a 16 de março, o jardim zoológico de Vila Nova de Gaia, a completar este verão 20 anos de existência, tem mantido as rotinas, garante a diretora Teresa Guedes. Metade dos 40 trabalhadores têm limpo o habitat exterior, soltado os animais para o exterior, limpo a sua casa e garantido a sua alimentação diária. A outra metade já entrou no regime de lay off simplificado.

“Por um ou dois meses ainda aguentamos o barco”, desabafa a diretora, quando, apesar do contributo dos supermercados das redondezas, a oferecerem as quebras dos alimentos frescos – frutas e legumes – impróprios para venda, é preciso continuar a comprar “todo o peixe, toda a carne, todo o feno, toda a palha, as rações, os suplementos vitamínicos e os medicamentos”.

50% dos trabalhadores do Zoo Santo Inácio já foram colocados em lay off simplificado.

A DIFICULDADES SÃO TRANSVERSAIS AOS VINTE ZOOS EM PORTUGAL

A alimentação dos animais e os ordenados dos trabalhadores são os custos que mais preocupam os zoos do país. “Sem receitas, as despesas mantêm-se iguais. O lay off nem sempre nos serve porque neste sector é preciso manter as pessoas a trabalhar”, assegura Carlos Agrela Pinheiro, membro da administração do Jardim Zoológico de Lisboa e presidente da Associação Portuguesa de Zoos e Aquários, que coordena o Zoo Santo Inácio, o Jardim Zoológico de Lisboa, o Oceanário de Lisboa, o Aquário Vasco da Gama, o Grupo Lobo e o Zoo de Lagos.

Ao Expresso, conta que já foi feita uma sinalização ao Ministério da Agricultura, através da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, para pedir apoio. “As dificuldades são transversais”, conta, ressalvando haver várias espécies na lista de espécies em extinção.

No caso do Zoo Santo Inácio, “sendo um espaço aberto e amplo” Teresa Guedes acredita que, levantado o Estado de Emergência, se possam reabrir as visitas, apesar de já contar com perdas de visitantes na ordem dos 70%. Contudo, para já, os animais não estão em risco.

Fonte: Expresso