Olival & Azeite

A produção de azeite e as assimetrias regionais

O Ministério da Agricultura – GPP publicou os resultados do Inquérito Anual aos Lagares de Azeite, da campanha 2019-2020. disponíveis AQUI, “Estes resultados apontam para um aumento de 51% na produção de azeite, relativamente à campanha anterior, alcançando-se novo máximo histórico de produção.” 

Se olharmos para os números com um pouco mais de atenção verificamos que a Região do Alentejo produziu 88% do total nacional. É o resultado expectável dados os avultados investimentos realizados na plantação de olival intensivo e superintensivo e na capacidade de transformação, alavancados pelos fundos públicos, nacionais e comunitários.

Está na altura de perguntar: o que aconteceu ao olival no resto do País? Pois, é de assimetrias que falaremos a seguir.

A segunda maior região produtora do país é Trás-os-Montes. Esta região concentra o maior número de produtores e explorações com olival tradicional do país e produz dos melhores azeites do mundo. Nesta região, ao contrário do Alentejo, não é possível (e provavelmente não desejável) intensificar a produção, o modelo não é replicável dados os condicionalismos próprios da região (orografia complicada, acesso à água. etc.

Acresce que a baixa continuada dos preços do azeite ao produtor tem contribuído igualmente para a desmotivação dos produtores e o progressivo abandono do olival.

Estamos perante um verdadeiro paradigma: caminhamos para a satisfação total das necessidades de abastecimento do mercado, mas o sector fica mais pobre!

É, provavelmente, necessário um verdadeiro “Programa Nacional de Revitalização do Olival Tradicional” nas múltiplas dimensões: económica, social e, talvez, através de uma abordagem consistente e ecossistémica.

Breve análise Por: Lucinda Pinto