Investigação

Universidade de Évora integra campanha de estudo das mudanças na atmosfera

A Universidade de Évora (UÉ) integra uma campanha europeia sobre o estudo das mudanças na atmosfera durante o período de confinamento e de restrições na circulação, nomeadamente de tráfego aéreo, causadas pela Covid-19.

Trata-se de um grupo de investigadores da infraestrutura europeia ACTRIS (Aerosol Clouds and Trace gases Research Infrastructure), da qual a UÉ é a única parceira em Portugal, que iniciou a semana passada, e a nível europeu, uma campanha de medições intensiva das propriedades óticas da atmosfera, utilizando em Évora o PAOLI (Portable Aerosol and Cloud Lidar), um instrumento na UÉ desde 2009 por integrar a rede europeia EARLINET (European Aerosol Research Lidar Network), que por sua vez participa nos estudos efetuados pela ACTRIS.

“A poluição do ar é ainda um grande problema para a saúde pública na Europa e em muitos outros países do mundo” sublinha Daniele Bortoli, professor do Departamento de Física da Escola de Ciências e Tecnologia da UÉ.

Com esta campanha europeia, que tem instalada em Évora um ponto de medição, pretende-se “monitorar a estrutura da atmosfera durante o período de confinamento a que estamos sujeitos e identificar possíveis alterações devido à redução das emissões, em comparação com a climatologia de aerossóis registados na Europa”, sublinha Bortoli, obtendo dados de alta resolução temporal e vertical da informação relativa à estrutura atmosférica, sua dinâmica e propriedades óticas.

O investigador do Instituto de Ciências da Terra reconhece que nesta fase é prematuro avançar com dados mais robustos, observando ainda assim, durante a primeira semana de maio uma “mudança dos padrões climáticos e alguma poeira do deserto do Saara que chega à Península Ibérica”.