Política Agrícola

Comissão Europeia quer redução em 50% de uso de pesticidas até 2030

Comissão Europeia lançou duas estratégias para travar a perda de biodiversidade e reforçar a sustentabilidade da cadeia alimentar

A Comissão Europeia (CE) adotou no dia 20 de maio a “Estratégia da Biodiversidade”, com um financiamento de 20 mil milhões de euros por ano, e a “Estratégia do Prado ao Prato”, que contempla uma redução para metade da utilização e risco dos pesticidas.

Em comunicado, a CE indica que  “a nova Estratégia de Biodiversidade” tem o “objetivo de trazer a natureza de volta às nossas vidas”, e a “Estratégia do Prado ao Prato” pretende ser a “defesa de um sistema alimentar justo, saudável e amigo do ambiente”.

“As duas estratégias reforçam-se mutuamente, reunindo a natureza, os agricultores, as empresas e os consumidores para trabalharem em conjunto com vista a um futuro sustentável e competitivo”, sublinha o executivo comunitário.

Para isso tem como principais e “ambiciosos” objetivos reduzir em 50% a utilização de pesticidas químicos e risco deles decorrente, e em 50% a utilização dos pesticidas mais perigosos, até 2030.

Quer também reduzir as perdas de nutrientes em pelo menos 50%, e reduzir em 50% as vendas de agentes antimicrobianos para animais de criação e aquacultura até 2030.

O diretor para o Capital Natural na Direção-geral do Ambiente da Comissão Europeia, o português Humberto Rosa, justifica a redução de pesticidas dizendo que “se tem verificado um declínio muito acentuado de vida selvagem, parte da qual muito útil para a produção agrícola e entre as causas está o uso de pesticidas”. Esta medida “irá aliviar a pressão e irá dar espaço à natureza para se restaurar parcialmente”.

A CE pretende também estender a agricultura biológica a 25% das terras agrícolas até 2030, e levar a Internet de banda larga rápida a todas as zonas rurais até 2025.

A “Estratégia da Biodiversidade” aborda os principais fatores de perda da variedade de espécies, como a utilização insustentável das terras e dos mares, a sobre-exploração dos recursos naturais, a poluição e as espécies exóticas invasoras.

Propõe medidas concretas para colocar a biodiversidade da Europa na via da recuperação até 2030, incluindo transformar pelo menos 30% das terras e dos mares da Europa em zonas protegidas geridas de forma eficaz e repor elementos paisagísticos de grande diversidade em, pelo menos, 10% da superfície agrícola.

As estratégias terão de ser aprovadas pelo Conselho da UE e pelo Parlamento Europeu e fazem parte da colocação em prática do Pacto Ecológico Europeu.

O Pacto Ecológico Europeu, apresentado pela Comissão Europeia em 11 de dezembro de 2019, define um roteiro para uma economia circular com impacto neutro no clima, em que o crescimento económico esteja dissociado da utilização dos recursos.

Grupos ambientalistas europeus saudaram a apresentação, pela Comissão Europeia, das estratégias da biodiversidade e do “prado ao prato”, assinalando que foi ouvida a ciência para propor os “importantes compromissos”.


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