Ambiente Floresta

Alentejo poderá ter em breve mais de 1100 km de caminhos pedestres na “Grande Rota do Montado”

O Alentejo terá em breve a “Grande Rota do Montado”, uma das potencialidades do Alentejo será dinamizada, nomeadamente a natureza e em particular o Montado.

Este projeto, enquadra-se na atividade de pedestrianismo, do Turismo de Natureza e do Turismo Cultural, e é um projeto de implementação de uma rede de percursos pedestres, que surge da vontade de dinamizar a região do Alentejo Central, tirando partido das suas potencialidades.

A “Grande Rota do Montado”, junta os 14 municípios da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), nomeadamente Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Viana do Alentejo e Vila Viçosa.

Segundo a CIMAC, pretende-se “congregar os fatores diferenciadores do território com a geração de dinâmicas que advêm de um projeto desta natureza, constituindo um forte argumento de atratividade e promoção desta região particularmente rica em valores patrimoniais, quer naturais quer culturais, ao mesmo tempo que serve para contrariar tendências relacionadas com os fenómenos de empobrecimento, envelhecimento e despovoamento da região”.

Valorizar um território rico em paisagem, cultura, tradição e saberes, é objetivo deste projeto criar uma infraestrutura que permita tirar partido deste potencial, proporcionando oportunidades para novos usos económicos, sociais e culturais, que permitam a atracão e a fixação das populações e a criação de emprego, numa região significativamente afetada pelo despovoamento e pelo abandono da terra.

Com a “Grande Rota do Montado” pretende potenciar o pedestrianismo, intimamente ligado às áreas do desporto, do turismo e do ambiente. Promove a atividade física em simultâneo com os princípios de sustentabilidade e conservação da natureza, sendo uma forma de valorização ativa do património natural e cultural das regiões, dando-o a conhecer.

A CIMAC revela que “atualmente existe uma única Grande Rota de âmbito regional no Alentejo, a Rota Vicentina. Para além desta, que se centra no litoral alentejano, existem ainda outros projetos de âmbito regional, desenvolvidos por entidades com competências no território, como por exemplo o “Alentejo Feel Nature”, da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), os “Caminhos de Santiago”, responsabilidade da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo”.

Existem ainda várias pequenas rotas, mas que se encontram de forma dispersa e heterogénea no território, implementadas e promovidas sobretudo pelas autarquias locais.

E esta situação “não revela por inteiro nem faz jus às potencialidades que a região encerra para a prática do pedestrianismo, sendo também objetivo deste projeto a promoção da atividade à escala regional, reforçando a posição do Alentejo Central enquanto território privilegiado para a mesma, em articulação com o turismo de natureza e o turismo cultural – interligando-se com as rotas de âmbito local existentes no território e, à escala nacional e internacional, estabelecendo contactos com infraestruturas análogas presentes nas regiões vizinhas e em Espanha

E perante tamanha imponência paisagística alentejana surge o montado, “um sistema agro-silvo-pastoril ecológico e sustentável, único e característico da Península Ibérica, com ampla distribuição no território de intervenção, daí a sua íntima relação com a Grande Rota, e daí a adoção desta designação para o projeto, demonstração do desejo de se identificar com o território onde se implanta”.

A CIMAC acrescenta ainda que “pretende-se, por um lado, a criação de uma imagem coesa, transversal a todo o território, respeitando, por outro, a diversidade existente que o caracteriza. A construção de uma identidade regional da rota, que a destaque a nível nacional e internacional, passará pela ligação aos locais de valor cultural e natural que se considerem relevantes na persecução desse objetivo, intercalando valores rurais e urbanos e adquirindo assim esta dualidade entre unidade e diversidade, identitária da paisagem alentejana”.

Por entre os Princípios Gerais deste projeto, “tem planeado mais de 1100 km de percursos estruturados numa rede de caminhos, que se pretende coesa, contudo diversificada, utilizando diferentes tipologias de percursos, assinalando a diversidade paisagística do território do Alentejo Central e sobretudo as diferentes expressões que o Montado assume. A rota é constituída por etapas lineares que unem e/ou passam por núcleos urbanos de maior ou menor dimensão, de forma alternada com a paisagem rural envolvente, refletindo o carácter diversificado do território onde se insere”.

Referem que o traçado de cada etapa foi desenhado tendo em conta os locais de valor nacional e internacional existentes na região, nos planos natural e cultural, e sempre que possível, integra ainda os locais mais relevantes a nível regional. Frequentemente são também assinalados os valores de âmbito local que existem ao longo da rota ou na sua envolvente imediata.

Foram considerados diferentes tipologias de informação:

– Património imóvel, onde foi determinante a existência de monumentos ou sítios, classificados nas categorias de valor nacional, interesse público ou concelhio, incluindo os que ainda se encontram em vias de classificação e os apenas inventariados;

– Conservação da natureza, com destaque para as áreas integradas na Rede Natura2000, (incluindo Sítios de Importância Comunitária e/ou Zonas Especiais de Proteção), IBA’s, Biótopos CORINE, as Matas Nacionais e o Arvoredo de Interesse Público, e ainda os recursos hídricos em geral;

– Incluíram-se as linhas férreas desativadas, algumas já convertidas em ecopistas, destacando-se que esta é a única região do país interligada por estas vias (a famosa Estrela de Évora) e com este projeto tornadas acessíveis a pé ou de bicicleta.

– Noutras áreas não incluídas nas anteriores, foi importante a existência de património geológico, classificado ou não.

A GRM constituirá a “espinha dorsal” da rede de rotas pedestres já existentes ou a implementar nos diversos concelhos, assumindo claramente o seu carácter regional e complementar das redes locais. Em alguns casos é coincidente com troços de rotas já existentes, e noutros, estabelece pontos de contacto com elas promovendo o usufruto do território nos diversos níveis de abordagem possíveis.

Também os aspetos relacionados com a circulação e segurança de quem utiliza esta estrutura, definidos em programa preliminar, foram considerados e orientaram as opções de traçado, nomeadamente:

– A prevalência dada a caminhos rurais públicos, recorrendo-se a caminhos ou trilhos privados quando não existe alternativa e com a devida autorização dos proprietários;

– A definição de uma extensão média das etapas de 20 km, garantindo-se uma maior flexibilidade e tornando a rota acessível a todo o tipo de praticantes de pedestrianismo, mais ou menos experientes. Os locais de início/ fim das etapas, localizando-se sempre que possível em povoações, de diferentes dimensões, constituem-se como pontos de apoio logístico aos caminhantes e permitem uma maior diversidade de abordagem pelos praticantes;

– O desenho do traçado de forma a garantir o acesso aos pontos fulcrais que determinaram a o acesso à modalidade do pedestrianismo, mas ainda assim tornando possível, em simultâneo ou alternativa, outras modalidades (bicicleta, canoa, etc.);

A Grande Rota do Montado será registada e utilizará, na sua identificação e marcação no terreno, marcas em conformidade com regulamento próprio da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, com vista à sua homologação por este organismo.

Fonte: odigital.pt – Alentejo