Hortofruticultura

Granizo arrasa frutos vermelhos e arruina “completamente” ano agrícola

Em Sever do Vouga, “capital do Mirtilo”, meia dúzia de minutos de granizo do tamanho de “ovos” arrasou várias plantações, especialmente nas freguesias de Rocas. Pelo menos cerca de 30 produtores que vendem para as cooperativas Mirtilusa e Bagas de Portugal foram afetados.

“Temos agricultores que perderam praticamente tudo”, revelou ao Jornal de Notícias o responsável da Mirtilusa, José Carlos Sousa, que fala em perdas de cinco a seis toneladas entre os seus, alguns já no município vizinho de Oliveira de Frades. Paulo Nogueira, presidente da Bagas de Portugal, adiantou que a média dos prejuízos dos cerca de 20 associados afetados rondou 40%.

Frederico Barbosa, 40 anos, ia colher hoje 200 quilos de mirtilo das árvores plantadas em um hectare e meio de terreno em Rocas. Ontem, cerca de 60% dos frutos vermelhos estavam no chão. A “granizada” das 19 horas de anteontem custou-lhe 5000 euros. “Em oito anos de produção, nunca vi nada assim, era granizo enorme, do tamanho de ovos”, contou ao JN. Num ano já negro, pelo cancelamento da Feira do Mirtilo, que iria realizar-se no final deste mês, devido à pandemia, o mau tempo foi mais um “rombo”.

Pormenores

Explicação – Foi um episódio “típico da primavera”, apesar das dimensões “extremas” do granizo, adiantou Patrícia Marques, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “Na península havia uma depressão. E o aquecimento, aliado à humidade, causou o crescimento de nuvens a grande altitude. Quanto mais altas, mais gelo têm, o que originou aquele granizo”, explicou a meteorologista.

Locais mais afetados – A grande quantidade de precipitação registou-se no Fundão, Sever do Vouga, Tarouca e Góis. Também “fora do normal” foi a quantidade de descargas elétricas registadas na trovoada.

Fonte: Jornal de Notícias


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