Editorial

Felizmente hoje a produção nacional é mais valorizada

Felizmente que a produção nacional está a ser reconhecida e a sua qualidade mais escrutinada pelo consumidor. A origem dos produtos agrícolas é hoje um dos principais requisitos a ter em conta no momento da aquisição, já que depois mais facilmente conseguimos ter uma ideia mais precisa acerca da qualidade dos mesmos.

A qualidade vem da sua origem, e não é só do país, da região ou do local, mas também da exploração, incluindo o próprio produtor na sua dinâmica organizacional.

A nossa produção nacional é de certo muito diferente para melhor, quando comparamos com a de outros países concorrentes em termos de mercado, e isso dá-nos alguma vantagem económica. A localização geográfica, o clima e os investimentos tecnológicos efetuados nestes últimos anos, ajudam-nos a produzir mais e melhor, com a garantia dada pelas empresas de certificação, com o seu acompanhamento criterioso até ao controlo analítico do produto final, contribuindo decisivamente para uma maior segurança alimentar dos consumidores.

Mas mais qualidade significa reforço no investimento, na inovação e no conhecimento, só assim haverá melhoria dos nutrientes na nossa alimentação e a tão necessária redução do impacto ambiental. Mais conhecimento significa consequentemente mais racionalização dos métodos de cultivo e de produção no sentido de se produzir o que se vende ao invés de vender o que se produz.

É importante ainda referir que a propagação do novo coronavírus, como infelizmente constatámos, obrigou milhares de empresas a parar a sua atividade, mas a agricultura não parou, porque se parasse, podíamos não morrer pela infeção do vírus mas morreríamos inevitavelmente pela fome. Este facto fez quebrar a dormência na visão de muitos de nós ao não darmos conta da importância vital do setor primário que tantas vezes é menosprezado.

Nesta edição da Revista Voz do Campo, apresentamos alguns trabalhos de reportagem em redor da produção nacional, o que pensam e como estão organizados os seus produtores, sem esquecer uma abordagem ao comportamento de algumas cadeias da grande distribuição. Não basta dizer que os nossos produtos são os melhores, é preciso demonstrá-lo, e é com este espírito que a partir de agora vamos também dar uma ‘ajuda’ aos nossos leitores.

Paulo Gomes, Diretor