Certificação EMPRESAS & PRODUTOS

Agricert celebra 20 anos, com projetos pelo mundo fora

Equipa da Agricert

A Agricert foi criada em 2000, na altura com objetivo de se propor como Organismo Privado de Controlo e Certificação de produtos agrícolas, pecuários, florestais e alimentares, incluindo os produtos de agricultura biológica.

De lá para cá a evolução foi de tal ordem que hoje opera diretamente ou através de parcerias com mais de 10 esquemas de certificação por 23 países. Maria João Valentim, a diretora executiva da empresa, faz-nos um retrato da atividade da Agricert.

Passados 20 anos o que é hoje a Agricert? Ao longo destes 20 anos a Agricert tem trabalhado para merecer o seu lugar no mercado. Iniciámos com a certificação de produtos tradicionais como exemplo o ‘Presunto de Barrancos DOP’ e neste momento, somos reconhecidos por várias entidades internacionais como por exemplo a Comissão Europeia, operamos diretamente ou através de parcerias com mais de 10 esquemas de certificação por 23 países.

O nosso dinamismo e espírito jovem permitiu a nossa expansão, sempre confiantes que estávamos à altura de cada desafio, fomos conquistando a confiança dos nossos clientes, parceiros e entidades com as quais nos relacionamos. Orgulhamo-nos do que alcançámos durante este percurso, hoje somos vistos com respeito, estamos mais fortes e igualmente íntegros.

Como evoluiu a agricultura nestes anos? Tem sido uma evolução gradual, havendo ainda um longo caminho a percorrer. Mas o trabalho que os politécnicos e as universidades têm feito, tem sido notório, cada vez há mais jovens a trabalhar na agricultura e que estão porque gostam efetivamente do que fazem e que querem aplicar técnicas novas. Estes jovens arriscam cada vez mais, inovam e promovem a mudança de comportamentos enraizados de quem já trabalha na agricultura há muitos anos. Por outro lado, a introdução de novas culturas, a utilização mais eficiente dos recursos disponíveis, a maior e melhor organização da produção, numa maior qualificação técnico-profissional do respetivo tecido empresarial e na cobertura de novos mercados nacionais e internacionais, têm sido preponderantes para o desenvolvimento do setor agrícola. Todos estes aspetos conduziram a um incremento de investimento no setor nos últimos anos.

A Agricert tem de estar à altura deste desafio permanente. Mais do que nunca, todos os que fazem da agricultura o seu modo de vida estão sensíveis para as questões ambientais e para a necessidade de sermos sustentáveis e por isso para a certificação dos seus produtos e a consequente valorização e reconhecimento dos mesmos.

Que tipo de cliente é “parceiro” da Agricert? São potenciais clientes, todos os operadores individuais ou empresas que queiram trabalhar bem e produzir com qualidade de forma sustentável. Todos estes, encontrarão a porta do escritório da Agricert aberta. Isto inclui o pequeno agricultor em Arcos de Valdevez, o operador que tem 600ha no Egito, ou 60 locais de produção no Vietname.

E a procura dos consumidores pelos produtos certificados, de que forma evoluiu? O mercado de produtos biológicos, ou certificados GlobalG.A.P. está em franca expansão. Os contactos entre empresas estabelecem-se rapidamente e à distância de um click, e se por um lado o mercado de produtos de qualidade certificada em Portugal ainda está um pouco aquém, no resto do mundo, a procura é elevada. Se visitarmos por exemplo um supermercado na Alemanha, para cada referência de produto convencional (não biológico) é disponibilizada um refêrencia do mesmo produto, mas produzido em modo produção biológico. Ainda há um longo caminho a percorrer em Portugal para alcançarmos este patamar, mas sabemos que atualmente o cliente está cada vez mais informado, tem a noção do impacto que a sua alimentação tem na sua saúde e do impacto que os seus hábitos de consumo têm no planeta e portanto as expectativas no futuro são muito elevadas.

O Gerente da Agricert Hermenegildo Castanho em ação de controlo de ananás
GlobalG.A.P. em Angola

Um dos nossos maiores objetivos para 2020/2021 é afirmarmo-nos enquanto entidade formadora

Quais são os principais projetos que têm a decorrer? Mesmo com a atual situação de pandemia, na Agricert há sempre muitos projetos em cima da mesa! Neste momento estamos a solicitar a acreditação como entidade inspetora para a norma do ‘Porco Ibérico’, mas um dos nossos maiores objetivos para 2020/2021 é afirmarmo-nos enquanto entidade formadora. Estamos com vários projetos em curso, em áreas muito diversificadas, que vão muito para além da agricultura, como seja a gestão, qualidade e segurança alimentar, entre outras.

Em países terceiros estamos ansiosamente a aguardar pela publicação do último pedido de extensão, onde estão incluídos vários países como China e Vietname.

O Gerente da Agricert Hermenegildo Castanho e a gestora da qualidade Diana Silva em visita a produtores de uva de Agricultura Biológica no Egito

Como estão esses projetos em países terceiros, e em que moldes? No exterior essencialmente trabalhamos no modo de produção biológico e no Global.G.A.P. Produtores de todos o mundo querem colocar os seus produtos na União Europeia e para isso têm de cumprir as regras estabelecidas pelos donos de esquema ou autoridades competentes. De momento em Portugal a Agricert é o único Organismo de Certificação reconhecido pela Comissão Europeia para o fazer. Nesta atividade tanto recorremos a recursos internos, como a parcerias com outras entidades que demonstram ter a mesma postura que nós e que nos oferecem confiança. A atual situação de pandemia tem condicionado a nossa evolução nos projetos que temos em curso. O facto de não podermos viajar muda tudo, mas serve para sistematizarmos procedimentos e reorganizarmo-nos.

Há outros países e estratégias na “mira”? Atualmente estamos a solicitar a acreditação a toda a América, no âmbito da certificação biológica, o que nos abre sempre as portas para começar outros projetos.

Numa época em que há tanta preocupação com a segurança alimentar, qual é a vantagem para o produtor em obter a certificação GlobalG.A.P.? Em Portugal ainda há algum desconhecimento nesta matéria, a generalidade dos produtores primários desconhece a necessidade de ter um sistema de segurança alimentar implementado. O GlobalG.A.P. obriga a uma análise de risco de contaminação da cultura, ajustada à realidade da exploração, mais ou menos complexa consoante as operações realizadas e consoante as culturas instaladas. Obriga ainda a que sejam estabelecidas medidas que visam reduzir para níveis aceitáveis a probabilidade e a severidade desses perigos.

Quais as garantias que o consumidor tem ao adquirir um produto com esta certificação? O consumidor de produtores certificados segundo este esquema tem a garantia de que o produto foi produzido cumprindo com os requisitos de segurança alimentar, foi produzido de forma sustentável, cumprindo as boas práticas agrícolas, respeitando o bem-estar animal e o bem-estar e direitos dos trabalhadores. Nenhum outro esquema de certificação oferece atualmente tantas garantias. Por isso a distribuição a nível mundial está a solicitar aos seus fornecedores a implementação deste esquema.

Qual a expectativa em relação às Jornadas para o Desenvolvimento Rural do Norte Alentejano que a Agricert realiza anualmente, face à atual situação de pandemia? Este ano decorreria a IV edição, mas dada a situação de incerteza e porque a realização de um evento como este carece de meses de preparação, optamos por não realizar. Mas fica a promessa de que retomaremos assim que estejam reunidas condições para o fazer, de forma a que todos possamos desfrutar.