EMPRESAS & PRODUTOS

Agricultura. Sobreviver a uma pandemia

Acompanhamento técnico em altura de pandemia na zona de Ervidel

Sobreviver a uma pandemia: Agricultura, um setor habituado a cenários de risco e à necessidade de adaptação constante

Dois meses depois de ser decretado Estado de Emergência em Portugal, o país encontra-se agora na fase de desconfinamento, no início da recuperação de uma “nova normalidade” e na constatação, na prática, das consequências de funcionar durante tanto tempo a meio-gás. Feito o balanço, a par de uma boa atuação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e dum comportamento exemplar da população em geral, houve uma outra área que não falhou a nenhum dos portugueses: a agricultura e a cadeia alimentar desde o produtor até ao consumidor.

Houve e continuam a existir constrangimentos e dificuldades por parte dos produtores, principalmente para aqueles que trabalham legumes, frutos, flores e ornamentais, produtos frescos e bastante perecíveis cuja quebra inicial na procura foi abrupta e levou à eliminação de muitas produções em curso. Contudo, o mercado reajustou-se e estes produtos estiveram sempre à disposição dos consumidores durante esta pandemia. Para os mais desatentos, se dúvidas existissem sobre a importância da agricultura, estas dissiparam-se com a irrevogável premissa de que todos precisamos de nos alimentar e que para isso existem empresas que não podem parar.

Mas… E as empresas deste setor? Em que condições funcionaram? Em que medida foram afetadas pelo fecho das fronteiras e pela diminuição das exportações?

No caso da Hubel Verde, empresa dedicada à prestação de assessoria agronómica e venda de produtos de engenharia e tecnologia, a estratégia passou por dar continuidade ao trabalho que estava a ser desenvolvido no apoio aos produtores, naturalmente adaptando o trabalho à nova realidade.

“A palavra que caracteriza estes tempos é incerteza”, começa por dizer João Caço, diretor executivo da Hubel Verde. “Não sabíamos – nem nós nem ninguém – o que ia acontecer, e isso obrigou-nos, por exemplo, relativamente aos fornecedores, a fazer um maior esforço de tesouraria para aprovisionar stocks. Tivemos que nos precaver, que antecipar encomendas, para termos stock suficiente para todos os clientes no caso do fecho de fábricas, de fronteiras ou de proibição da circulação dos meios de transporte terrestres…. Ao nível interno tivemos duas grandes preocupações: manter em segurança os nossos funcionários e as suas famílias e manter em segurança todas as instalações para evitar algum encerramento”, continua o responsável por esta empresa nacional, com sede em Olhão.

“O nosso setor teve, desde sempre, necessidade de se adaptar e desta vez foi mais uma”.

Pedro Rosa (Hubel Verde) e Hélder Zacarias (cliente).

“O que se passava antes desta pandemia é que estávamos subvalorizados”

“Tivemos de nos reinventar”, é a opinião generalizada de técnicos e diretores da Hubel Verde. Neste período a maior parte das visitas técnicas passaram a ser feitas através de um ecrã e houve alturas até, conta Luís Gamito, coordenador de zona da empresa, em que “técnico e o produtor coincidiram na mesma exploração, mas afastados e a falar através do telemóvel, por forma a garantir a segurança de todos mas também a imprescindível continuidade das produções que estavam em curso”. O mesmo responsável garante que, apesar das adversidades, este foi um setor menos afetado, muito em parte por já ser experiente em mudanças. “O nosso setor teve, desde sempre, necessidade de se adaptar e desta vez foi mais uma”, afirma.

“O que se passava antes desta pandemia é que estávamos [setor agroalimentar] subvalorizados ou subestimados. No entanto acho que os acontecimentos ajudaram a mudar este panorama. Costuma dizer-se que em casa sem pão todos ralham e ninguém tem razão e, rapidamente, os decisores políticos entenderam a importância de se darem condições para este setor continuar a laborar. Se a livre circulação de bens não tivesse sido mantida ou se não tivesse existido uma resposta de resiliência dos produtores, a escassez de produtos alimentares poderia ter ocorrido.

As pessoas tiveram a oportunidade para distinguir, por via das circunstâncias, o que são bens de primeira necessidade e sua importância na base de qualquer sociedade. Outra coisa que podemos ver como positiva para o setor agrícola nesta pandemia foi a criação de alternativas – por parte dos produtores – para vender os seus produtos. Desde a promoção e venda “online”, à venda porta-a-porta, à criação de cabazes para facilitar o escoamento dos frescos, não faltaram ideias… E isso foi positivo, porque acrescentou valor e confiança entre o produtor e o consumidor final”.

“Mais do que produtos, vendemos know-how”

Poderiam enumerar-se as dezenas de produtos e gamas, escolhidos meticulosamente por serem aqueles em que a Hubel Verde realmente acredita. Mas a verdade é que os produtos por si só não valeriam tanto quanto valem se não lhes fosse acrescentado o serviço de acompanhamento e assessoria técnica que a Hubel Verde presta aos seus clientes.

“Mais do que os produtos que vendemos, a Hubel Verde acrescenta valor a este setor pela sua capacidade técnica e multidisciplinaridade. Nós temos uma equipa pensada na ótica da prestação de um serviço que aporte valor aos nossos clientes e isso reflete-se na quantidade de agrónomos que temos. Cerca de 50% da nossa força de trabalho são quadros qualificados na área da agronomia, apoiados por mais uma série de colaboradores em que muitos são igualmente quadros qualificados, como é caso das nossas áreas de gestão financeira, de logística, ou até de marketing e comunicação”, reforça João Caço.

Hélder Zacarias, cliente da Hubel Verde há mais de 20 anos, defende que é indispensável o apoio que recebe na sua exploração de framboesas. “O Pedro Rosa [um dos consultores técnicos da Hubel Verde que presta assessoria a Sul do país] é sem dúvida, com ou sem pandemia, uma mais-valia para a minha exploração. Ele traz sempre soluções para as questões ou problemas que vão surgindo, quer ao nível do maneio da cultura quer ao nível de recomendações para aplicações relacionadas com a nutrição ou com a fitossanidade”.

Autoria: Hubel Verde