EMPRESAS & PRODUTOS Hortofruticultura Reportagem

Referência na produção e exportação de cenoura, batata e cebola

A Primohorta é uma sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, que agrupa 11 sócios produtores, cada qual com uma quota igual. Reconhecida como Organização de Produtores tem a produção centrada nos distritos de Santarém e Setúbal, nomeadamente nos concelhos de Salvaterra de Magos, Alcochete e Montijo, onde está sediada.

A Primohorta preocupa-se em produzir alimentos de elevada qualidade, com práticas sustentáveis que respeitam o Homem, e o Ambiente, e que contribuem para o desenvolvimento económico e social. Na Primohorta os produtos são colhidos e expedidos todos os dias, para que cheguem à mesa dos consumidores com a frescura do campo, sem recurso a armazenagem e químicos, mantendo sempre o seu sabor e valor nutritivo, com constante certeza de uma total garantia de segurança e qualidade.

A área de produção ronda os 1500 hectares, destinados sobretudo à produção de cenoura, batata e cebola, sendo a primeira a mais representativa, avança à nossa reportagem um dos sócios-gerentes da Primohorta, Paulo Leite

De acordo com o responsável, a região foi pioneira na produção de cenoura e tem sido em parte essa tradição que tem incentivado os produtores a darem-lhe continuidade. Mas é de apontar também o clima propício (temperado), dada a imediação das bacias do Tejo e do Sado, mas também a proximidade com o Mercado Abastecedor da Região de Lisboa.

No caso da Primohorta, que foi constituída há 20 anos face a uma resposta insuficiente do mercado no que respeita ao escoamento dos produtos e à necessidade dos produtores serem cada vez mais profissionais, a concretização desses objetivos resultou numa capacidade de produção e negocial que se traduz por exemplo na exportação direta de cenoura para uma cadeia de supermercados na Alemanha, há mais de 10 anos.

Paulo Leite afirma que na Primohorta produzem-se cenouras todo o ano. “Frescas sem recurso a armazenagem e químicos, diretamente dos nossos campos para a mesa do consumidor. O grau de autoabastecimento do mercado interno da cenoura é deficitário, inferior a 70%, o que quer dizer que se continua a importar muita cenoura, cenoura esta que podia ser produzida em Portugal”.

No caso da cebola, o sócio-gerente da Primohorta refere que a cultura foi perdendo alguma expressividade sobretudo quando as variedades mais tradicionais foram substituídas por outras novas, mais adaptadas à mecanização. Ainda assim a organização está a tentar desenvolver com esta cultura o mesmo trabalho que já fez com a cenoura.

A batata, que também já foi uma cultura muito representativa, sofreu alguma desvalorização no segmento fresco e houve uma viragem para a batata de indústria, sendo essa a que hoje predomina na região, na razão dos 60% para 40% (batata de consumo).

Nós portugueses, temos uma “ capacidade de produzir limitada pela nossa dimensão, para nos diferenciarmos num mercado global é fundamental privilegiar a segurança alimentar, e a adoção de modos de produção sustentáveis, com o consequente impacto económico

Para além do mercado da exportação a Primohorta trabalha o mercado interno, tendo como parceiros a moderna distribuição nacional, privilegiando estes canais em relação a outros, onde, assegura Paulo Leite, ainda predomina uma atitude que não se coaduna com a forma de trabalhar da Primohorta, referindo-se concretamente a casos de economia paralela.

Vocacionada para mercados que privilegiem a qualidade, na Primohorta há um intenso trabalho para garantir que cada vez mais tanto no campo como na central, trabalha de acordo com as modernas exigências de uma agricultura sustentável e cumprindo com um grande número de certificações e referenciais de qualidade, tendo a organização investido em recursos humanos nas áreas da segurança alimentar e da certificação, bem como nas áreas da agricultura sustentável e comunicação.

Por isso mesmo Paulo Leite defende regulamentação sobre a qualidade do produto, assumindo que existe muito desperdício de verbas públicas a nível europeu, usadas para apoiar alguma produção que nem sempre resulta em produtos de qualidade.

Assim, Paulo Leite deixa o repto para que por exemplo não entrem em Portugal produtos sem análises de resíduos. “E nós portugueses, como não temos capacidade de produzir muito, só tínhamos a ganhar se adotássemos uma atitude de nos diferenciarmos dos outros, privilegiando a segurança alimentar e os modos de produção sustentáveis, mas isso custa dinheiro”.

Por outro lado, argumenta que “quando não existe organização nem capacidade para perceber o que o cliente quer, certamente vão existir problemas de comercialização”, admitindo que “existe uma grande falta de rigor nas nossas organizações e na nossa atitude para com o mundo empresarial”.

De uma forma geral as culturas são todas mecanizadas e os próprios equipamentos também têm evoluído, particularmente na última década e com maior incidência nos últimos cinco anos, também fruto dos apoios do PDR. Ainda assim, há tarefas que continuam a realizar-se manualmente, o que depois acaba por encarecer o produto, como é o exemplo da cebola precoce, que tem uma carga muito acrescida de mão de obra tanto na plantação como na colheita, que pode chegar a representar 30% dos custos da cultura.

A evolução permite aos agricultores terem maior rendimento, maior capacidade de trabalho e principalmente condições de trabalho, com o próprio produto final a ganhar qualidade

“Trazemos segurança para a fileira, por via da transparência e qualidade do trabalho que nos caracteriza, criando uma relação de confiança com os clientes e fornecedores, que acredito será cada vez mais importante no futuro. Estamos aqui e preparados para os desafios que o mercado nos traga, sempre com a certeza que fazemos o melhor para dar aos consumidores produto nacional de qualidade , saboroso e fresco, todos os dias”, conclui Paulo Leite.