Agrociência Hortofruticultura

Algumas notas sobre a importância do ZINCO na Nutrição da Macieira

Introdução:

Durante os últimos anos temos vindo a observar nos nossos pomares de macieiras, com alguma frequência, carências nutricionais ligadas ao zinco e às quais não se tem dada grande importância.

Há muitos fruticultores que não a indentificam e até por vezes a confundem com a sintomatologia da carência de boro.

Este tipo de carência pode estar relacionada com a sensibilidade de algumas variedades, com as características físico-químicas do solo e com problemas de adubações excessivas com fósforo e cálcio, que podem precipitar os sais de zinco presentes no mesmo.

O zinco é um elemento essencial no desenvolvimento e crescimento vegetativo normais das plantas e tem uma influência enorme a nível da floração e do vingamento dos frutos.

Estimula o crescimento precoce e o engrossamento dos jovens frutos.

Aumenta a produção das fitohormonas (auxinas), que estimulam a multiplicação e a divisão celular.

Dinâmica do Zinco no solo:

O zinco encontra-se como ião Zn++ na solução do solo em pequeníssimas quantidades.

É absorvido pelas plantas, predominantemente, como catião bivalente Zn++, a níveis de pH baixos e como monovalente, ZnOH+, a pH mais elevados (Manuel Augusti, 2004).

A absorção de zinco diminui à medida que aumenta o pH do solo.

O transporte na planta decorre essencialmente via xilema, sendo a mobilidade via floema bastante reduzida (Smith e tal, 1987).

O Zinco é essencial:

  • Na síntese das hormonas de crescimento
  • No processo fotossintético
  • Na indução floral
  • Na melhoria do engrossamento, da maturação e coloração dos frutos

Sintomatologia de carência

As carências de zinco estão muito presentes nos pomares de macieiras, especialmente na Golden Delicious, que é uma variedade de grande sensibilidade.

O zinco, sendo um elemento pouco móvel na planta, aparece de preferência nas folhas mais jovens.

  • Folhas em roseta, ficando pequenas e mais estreitas (figura 1).
  • Folhas deformadas, com o bordo da folha virada para cima (figura 2).
  • Desfoliação precoce com folhas na extremidade, especialmente nas Golden (figura 3).
  • Entrenós ficam curtos (folhas muito próximas) nos ramos pricinpais.
  • Queda de flores.
  • Aparecimento de carepa (figura 4).
  • Frutos pequenos, deformados e fendilhados (figura 5).
  • Maturação dos frutos mais lenta.

A análise foliar é uma ferramenta muito segura, para diagnosticar e medir os níveis de carência de Zn.

Os níveis foliares de Zn são um indicador muito utilizado para avaliar o estado nutritivo dos pomares e para confirmar a sintomatologia da carência de zinco.

Na avaliação desta carência é importante ter em conta as diferentes relações entre o zinco e os outros nutrientes (em especial o fósforo e o cálcio).

Valores de referência para interpretação da análise foliar

Macieira

  • Folhas do terço médio do lançamento do ano colhidas entre os 90 e os 120 DAPF

Fonte: Manual de Fertilização das Culturas do Laboratório Químico Agrícola Rebelo da Silva

Condições de aparecimento da carência em zinco:

  • Em solos ácidos, arenosos e pobres em zinco
  • Em solos em que o zinco se mantém inassimilável
  • Em solos de pH elevado
  • Em solos ricos em Fósforo
  • Em Primaveras frias e húmidas.

Nota: Nos pomares de pómoideas da região do Norte, deve dar-se atenção a possíveis situações de carência, porque existem nesta região condições propícias ao aparecimento de teores baixos de zinco a nível do solo, como sejam os solos de origem granítica, de reacção ácida, de textura ligeira e de intensa lixiviação.

Como corrigir a carência de zinco

  • Realizar pulverizações com sulfato de zinco, após a queda das pétalas, à dose de 200 g /100 litros e/ou em pós-colheita, mas antes da queda total das folhas, à dose de 0,5 kg / 100 litros.
  • Em pós-colheita, é vantajoso juntar-se ao sulfato de zinco, cerca de 1,5 kg de ureia, por 100 litros de água. V Nota: Actualmente existe no mercado um grande número de fitonutrientes, que contêm zinco, associadas a outras moléculas, que o tornam mais assimilável e com maior mobilidade na planta.

Nota: Actualmente existe no mercado um grande número de fitonutrientes, que contêm zinco, associadas a outras moléculas, que o tornam mais assimilável e com maior mobilidade na planta.

Bibliografia consultada:
AUGUSTÍ, Manuel – Fruticultura, 2004 CTIFL, Centre Technique Interprofessionnel de fruits et legumes – Le pommier, 2002 GUERRA, António Pedro Tavares Guerra – Algumas considerações sobre a Fertilização das culturas arbóreas, D.R.A.E.D.M., 1986 LOUÉ, André – Los Microelementos en agricultura, 1988 SMITH, G.S., BUWALDA, J.G.and CLARK, C.J. – Nutrient dynamics of a kiwifruit ecoeystem.Sci.Horticulturae, 1988 TROCME, S. GRAS, R – Suelo y Fertilizacion en Fruticultura, 2ª édition, 1979