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“Também compete a nós, agricultores, fazermos o marketing dos produtos nacionais”

A atual Sociedade Agrícola da Alorna, em Almeirim, é o resultado da evolução de vários séculos de história e de histórias, mas, respeitando esse passado está bastante focada no futuro.

Responsável(pela área agrícola): Pedro Mascarenhas
Culturas: floresta,milho,vinha,fava,ervilha,batata de indústria,batata-doce,amendoim (…)
Atividade mais representativa em termos de negócio: vinho
Local: Ribatejo (Almeirim) - Área:2800 hectares

É provável que o nome ‘Alorna’ reporte imediatamente para os vinhos, até porque a extensão de vinha aproxima-se dos 200 hectares, mas há uma panóplia de culturas agrícolas nos cerca de 2800 hectares que compõem a Sociedade. Como nos explica o responsável pela área agrícola da Sociedade, Pedro Mascarenhas, contabilizam-se 1500 hectares de floresta e várias culturas anuais, como o milho, que ocupa na ordem dos 250 hectares.

Numa atividade permanente, faz-se a rotação entre um leque de culturas como a fava, a ervilha, batata de indústria, batata doce e amendoim, estando já programada a atividade dos próximos cinco anos, uma vez que algumas culturas não devem ser repetidas no período de quatro anos, como é o caso da batata, do amendoim ou da cenoura, para cuja produção foi arrendada uma área a uma empresa francesa que vai avançar com esta cultura na região.

Vinho é a área de negócio mais representativa

Em termos de negócio a atividade mais representativa é o vinho – Quinta da Alorna Vinhos – com uma grande dimensão e implantação no mercado, sendo inclusivamente comum a aquisição de uvas para a produção de algumas gamas. Já em termos de ocupação (área) a mais significativa é a floresta, mas tratando-se de cultura extensiva, não tem o mesmo impacto a nível de negócio como as culturas anuais, cada qual com a sua margem, ou a vinha.

São todas culturas de ar livre, regadas (incluindo uma parte da vinha) e nos últimos anos tem sido notório um grande salto na tecnologia utilizada na exploração. Desde os sistemas de rega automatizados controlados a partir de um telemóvel, aos mapas de produtividade em cada parcela, estações meteorológicas, sondas para medição da humidade do solo (…) são ferramentas indispensáveis à obtenção de informação que permitem pôr em prática uma agricultura de precisão.

Se tem valido a pena? Pedro Mascarenhas é da opinião que sim e que tem sido essa a razão para o investimento verificado na agricultura portuguesa nos últimos anos, com projetos apoiados pela União Europeia e pelo Estado Português que refletem essa aposta na tecnologia. E isso coloca-nos ao nível de alguns dos países mais evoluídos da Europa, nomeadamente nas zonas mais férteis do país, como no Vale do Tejo, o Alentejo ou no norte, onde se faz produção mais intensiva e maior investimento em tecnologia.

A Sociedade Agrícola conta com uma equipa permanente de cinco pessoas mas trabalha com três empresas diferentes que envolvem uma dezena de operadores de máquinas. Esta opção por empresas de prestação de serviços justifica-se numa lógica de gestão de recursos, pelo elevado preço de máquinas específicas, como por exemplo as utilizadas para a sementeira do amendoim, ou para a colheita do milho que não seriam viáveis para as áreas cultivadas.

“Não podem definir-se estratégias quando não existem ideias claras”

Olhando para a atividade e para as principais dificuldades sentidas, o responsável regista uma melhoria significativa de relacionamento com os produtores por parte de entidades oficiais, como o INIAV e a DGAV, agora mais próximos a nível da investigação, participando em ensaios e colaborando na resolução de problemas técnicos. Já sobre as políticas agrícolas, se já havia indefinição em relação ao novo Quadro Comunitário de Apoio, resta saber que influência vai ter nesse aspeto a atual situação de pandemia. Em resumo, “não podem definir-se estratégias quando não existem ideias claras”.

Regista ainda o elevado preço da energia elétrica, sobretudo porque há uma grande parte do ano (inverno) em que se paga a potência contratada mas não há consumo e no caso dos produtos fitofarmacêuticos, refere serem cada vez mais caros e em menor número, “se bem que se forem bem utilizados pode tirar-se partido deles. E existem alguns produtos novos, menos agressivos do ponto de vista ambiental e mais seguros para o utilizador. Sendo Portugal um país pequeno, não é fácil haver organizações interprofissionais nas principais fileiras, como existe em França, que comparem a eficácia das várias substâncias ativas e que divulguem os resultados aos associados“.

Sobre o atual momento que vivemos a empresa preparou um Plano de Contingência ainda antes de ter sido decretado o Estado de Emergência e que que tem sido cumprido pela maioria dos funcionários, pelo que até agora não se registou uma perturbação significativa no normal funcionamento da mesma.

“Existem todos os motivos para consumir os produtos portugueses”

Numa mensagem para os consumidores, Pedro Mascarenhas acredita que existem todos os motivos para consumir os produtos portugueses, “porque são da melhor qualidade devido ao clima que temos que lhe confere sabor, cor, (…), têm menos custos ambientais porque não têm transportes longínquos como os que vêm de outros continentes ou de países distantes, são seguros face aos rigorosos controlos e acima de tudo porque são nossos e temos de apoiar a produção nacional”. O responsável é da opinião de que na distribuição moderna, onde se vende grande parte do volume hoje em dia, devia apostar-se ainda mais nos clubes de produtores nacionais e identificar melhor e de uma forma mais clara se é produto nacional ou não. “Mas também nos compete a nós agricultores fazer o marketing dos produtos nacionais”.

O escoamento dos produtos da Sociedade é feito essencialmente através de organizações de produtores, como a Torriba (hortoindustriais) e a Agromais (cereais).

PRODUTOR ACOMPANHADO POR:


 

Principais variedades utilizadas: P0937 e P1049 - duas variedades de milho, ciclo médio, de elevado potencial e muito tolerantes ao cephalosporium,
uma doença de solo endémica no Vale do Tejo e com grande repercussão na produção final.Assessoria técnica: Aos campos de milho, de abril a novembro.
A assessoria é complementada pela interpretação das imagens de satélite de toda a área de milho, trabalho regular realizado pelo departamento
especializado da Corteva sediado em Sevilha.De dezembro a abril, o técnico Pioneer, responsável de zona, procede à apresentação e discussão dos resultados
e ajuda à programação da cultura para a campanha que se segue. Outras ações: realização de ensaios de adaptação e de valor agronómico de variedades de milho,
com o objetivo de selecionar novos produtos com potencial produtivo e elevada tolerância ao cephalosporium.

Artigo publicado na edição impressa de junho/2020. Subscreva a nossa publicação e receba mensalmente outros artigos. ↵