Cereais EMPRESAS & PRODUTOS Hortofruticultura Reportagem

“Se usarmos os produtos portugueses em detrimento de outros”

“Não é uma questão de serem melhores ou piores. Se usarmos os produtos portugueses em detrimento de outros, estamos a ajudar a nossa economia e logo, a nós próprios”

Exploração: Conqueiros Invest. Responsável: Rui Veríssimo
Culturas: milho, olival, amendoal, carne em regime extensivo 
e uma pequena zona de arroz. Local: Alentejo. 
Área: mais de 600 hectares de milho

A plataforma digital Alimente quem o Alimenta criou uma nova área de registo de Mercados Locais, onde as entidades responsáveis por estes espaços podem efetuar a respetiva inscrição, através do preenchimento de uma ficha de registo, fornecendo algumas informações relativas ao mercado, entre as quais, um curta descrição, a sua localização, contactos e horário de funcionamento.

Embora o milho continue a principal cultura da Conqueiros Invest, ultimamente tem-se registado uma diversificação do investimento noutras culturas com alto rendimento, nomeadamente o olival e o amendoal. São várias as razões desta opção, entre as quais os problemas causados pela escassez de água, que obrigam a uma gestão muito rigorosa deste recurso. Neste momento já foram convertidos dois pivots de milho em olival, precisamente porque com um sistema de gota-a-gota é possível rentabilizar muito mais o espaço que num sistema de pivot e contornar algumas limitações naturais do terreno, em especial ao nível da drenagem, explica-nos o responsável , Rui Veríssimo Batista.

Desta forma está a ser criada uma estrutura, com três ou quatro pólos fortes de produção, no qual o milho continua a ter um papel principal, mas onde surgem também o olival, amendoal, carne em regime extensivo (aproveitar os restolhos) e uma pequena zona de arroz. A Conqueiros Invest divide-se em três pólos em diferentes zonas do Alentejo e conta com uma equipa de 8 pessoas. Tudo o que tem de ser feito para além disso baseia-se na prestação de serviços.

O total da área de milho ultrapassa ligeiramente os 600 hectares, sendo o pólo de Alvalade aquele que conta com maior área desta cultura (cerca de 400 hectares). Ora, numa tão grande extensão é necessário utilizar variedades de diferentes ciclos e a estratégia de mercado passa por trabalhar com vários fornecedores.


PRODUTOR ACOMPANHADO POR:

Principais variedades: OGMS (P0937Y e P1049Y) - Características: são tolerantes à broca do milho, de elevado potencial produtivo e grande eficiência na utilização
da água de rega. A produção tem normalmente o destino das rações para animais. Assistência técnica: Assessoria técnica regular apoiada na monitorização por satélite.

“ A viabilidade da cultura não está em causa se se for evoluindo com novas tecnologias” A viabilidade da cultura não está em causa se se for evoluindo com novas tecnologias e as marcas forem apostando na melhoria genética das culturas, assume Rui Veríssimo. E, em seu entender isso tem acontecido, ao avançar que hoje em dia as culturas têm um potencial genético muito superior ao que tinham no passado. “Esse aumento de produção (16-17-18 ton./ha) compensa a baixa dos preços que se verifica, mas, por outro lado, só se consegue com aumento de know-how técnico, nomeadamente nas áreas da rega e fertilização para chegar ao máximo potencial, com custos controlados. Se continuarmos a fazer milho como no passado, com produções de 13-14 ton./ha, então não é viável”.

“A única forma de rentabilizar foi mexer nos custos de produção e isso depende da tecnologia” Esta adaptação tem sido mais evidente nos últimos quatro a cinco anos e fruto de alguma necessidade, porque quando o milho baixou o preço, foi necessário ir à procura da rentabilização da cultura, que estava na tecnologia. “A única forma de rentabilizar foi mexer nos custos de produção e isso depende da tecnologia”, assume o empresário. Sendo uma cultura que necessita de muita água, carece também de muita manutenção e gestão a nível de equipamentos. Ainda nesta matéria Rui Verísssimo, à data desta entrevista (maio) referia que nenhuma das três barragens no Perímetro de Rega de Campilhas e Alto Sado tinha água, pelo que, se não tivesse já uma ligação a Alqueva a situação poderia ser complicada. A vasta experiência na cultura permite dar solução com relativa facilidade a outras questões.


PRODUTOR ACOMPANHADO POR:

Principais produtos usados nas culturas: Adubação de fundo no Milho: H15 PlusGel 6% N / 15% P2O5 / 10% K2O / + 35% M.O.L. (aplicado localizado com equipamento Tecniferti Apps com taxa variável).
Vantagens: Libertação gradual dos nutrientes; Ação anticompactação (anticrosta); Aumenta a capacidade de retenção de humidade no solo; Maior concentração de água e fertilizantes junto da planta;
Aumento da absorção dos elementos químicos pelo efeito de aderência do gel às folhas (efeito laminar); Reduz a lixiviação do azoto para as águas subterrâneas pela presença do gel.
Adubação de cobertura no Milho: HUMIFOSFATO® 2Z(2% N / 2% P2O5 / 14% K2O / +30% M.O.L.) aplicado via Pivot. Vantagens: Aumenta a capacidade de retenção de humidade no solo; Facilita a absorção
de alguns ácidos fúlvicos; Alimenta a vida microbiana no solo; Adubação de cobertura no Milho: NITRO GEL® ZZ (30% N / 0,3% Zn [1,5% ZnSO4]) aplicado via Pivot. Vantagens: Aumenta a capacidade 
de retenção de humidade no solo; Reduz a lixiviação do azoto para as águas subterrâneas pela presença do gel. Assistência técnica: Acompanhamento à cultura, às aplicações dos produtos e assistência aos equipamentos de aplicação.

“A única forma de rentabilizar foi mexer nos custos de produção e isso depende da tecnologia” Esta adaptação tem sido mais evidente nos últimos quatro a cinco anos e fruto de alguma necessidade, porque quando o milho baixou o preço, foi necessário ir à procura da rentabilização da cultura, que estava na tecnologia. “A única forma de rentabilizar foi mexer nos custos de produção e isso depende da tecnologia”, assume o empresário. Sendo uma cultura que necessita de muita água, carece também de muita manutenção e gestão a nível de equipamentos. Ainda nesta matéria Rui Verísssimo, à data desta entrevista (maio) referia que nenhuma das três barragens no Perímetro de Rega de Campilhas e Alto Sado tinha água, pelo que, se não tivesse já uma ligação a Alqueva a situação poderia ser complicada. A vasta experiência na cultura permite dar solução com relativa facilidade a outras questões.

“Apesar dos preços baixos tem sido possível escoar o milho” O escoamento do milho é feito através do Agrupamento de Produtores OPCER, do qual Rui Veríssimo também é dirigente. E, segundo nos explica, apesar dos preços baixos “tem sido sempre possível escoar o produto e até numa situação privilegiada para nós e para o vizinho grupo Valouro”. Já sobre a reação da empresa ao atual momento que o país e o mundo atravessam, Rui Veríssimo recorda que no início da pandemia adotou-se uma atitude conservadora de compra de muitos fatores de produção, mas à medida que o tempo foi passando, a atividade acabou por decorrer com relativa normalidade. Em relação à posição da empresa face ao futuro, a opção foi fazer o que sabe e esperar pelo que reserva o mercado daqui a algum tempo. Nas outras áreas de investimento da empresa tem sido possível trabalhar normalmente.

Questionado a pronunciar-se sobre o apelo ao consumo dos produtos nacionais, aquilo que o nosso entrevistado diz ao consumidor português é que se está a consumir produtos nacionais está a ajudar-se a si próprio, porque está a ajudar a economia. “Não é uma questão de serem melhores ou piores. Se usarmos os produtos portugueses em detrimento de outros, ainda que eventualmente um ou outro possa ser mais caro, estamos a ajudar a nossa economia e logo, a nós próprios”.