Formação Inovação Tecnologia

Partilha de sementes (e saberes) à distância de um clique

O projeto “Germinar um banco de sementes”, criado pela associação Margens Simples, que visa a criação de um banco de sementes a partir do espaço escola e envolvendo a comunidade local, já lançou o website.

Através da nova plataforma digital – www.germinar.pt – é possível requisitar e partilhar sementes sem sair de casa e assim contribuir para a conservação do património genético existente no país.

Neste website estão, também, disponíveis conteúdos e atividades desenvolvidas pela comunidade escolar que envolve mais de 250 alunos da Escola Josefa de Óbidos e Escola Eng. Ressano Garcia, em Lisboa. Uma partilha de conhecimentos que está em constante atualização.

O objetivo é claro: dar continuidade à diversidade e à conservação de sementes, assim como contribuir para que o hábito de as guardar e trocar se universalize, uma prática comum na agricultura sustentável. Pretende-se que o banco de sementes cresça – em número de espécies e de variedades de qualidade – e que chegue ao maior de número de pessoas, garantindo que a comunidade tenha sempre disponíveis sementes guardadas e sementes plantadas.

Informação sobre o projeto “Germinar um banco de sementes”

Desenvolvido pela associação Margens Simples, e financiado pelo programa BIP/ZIP – Câmara Municipal de Lisboa, o projeto tem também como parceiros o Agrupamento de Escolas Padre Bartolomeu de Gusmão, a empresa Sementes Vivas, o projeto RESEED, e o Banco de Sementes A.L. Belo Correia – da Universidade de Lisboa – o maior e mais antigo banco de sementes de espécies autóctones em Portugal continental, a Valorsul e o grupo Carmo Wood.

Envolvendo os alunos, professores, educadores e a comunidade local de forma participativa, com a construção de um espaço apto à germinação – horta –, e usando a troca e multiplicação de sementes como mote, pretende-se fortalecer o sentido de comunidade e promover a consciencialização de questões ambientais amplas, como: a recuperação da biodiversidade de ecossistemas naturais e agrícolas; promoção de espécies e variedades tradicionais portuguesas; promoção da descarbonização; e a promoção do consumo crítico e da economia circular (reduzir, reutilizar, reciclar).

O projeto é composto por seis ações, dentro e fora da escola:

  1. Arrancou com a atividade de formação e sensibilização para Bancos de Sementes, para um público de 258 alunos – 2º e 6º ano – das Escola Primária Ressano Garcia e Escola Secundária Josefa de Óbidos. Com caráter quinzenal, professores e alunos têm-se envolvido ativamente nas ações dentro e fora do espaço da sala de aula.
  2. Criação de “Um arquivo de sementes” um banco de sementes que tem um repositório físico e, para o qual foi criada uma plataforma digital onde este património genético pode ser pesquisado segundo critérios específicos e requisitados, fomentando a circularidade das sementes.
  3. Da escola passamos para junto da comunidade local. Três entidades serão as “agências” do projeto escola junto da comunidade local, disponibilizando o material genético e servindo de ponto de recolha, a quem pretenda “doar” sementes.
  4. Criámos um espaço físico onde as sementes podem ser germinadas – dois estufins para a germinação e cerca de 110m2 de horta, com mais de 35m2 em camas elevadas – no pátio da Escola Josefa de Óbidos. Aqui os alunos podem ter um contato direto com a terra e adquirir um conhecimento pela prática, com o envolvimento direto desde o planeamento e construção até à gestão e recolha.
  5. Celebraremos o início do ano letivo 2020/21 com uma exposição que abre as portas da escola para divulgar tudo o que se aprendeu e construiu durante um ano de atividade.
  6. Com o decorrer do projeto produz-se um manual “em dispersão”, um documento que compila as dinâmicas metodológicas do projeto e conhecimento adquirido. Pretende-se potenciar a dimensão educativa da informação ambiental recorrendo a uma linguagem compreensível e acessível, sem perder o rigor científico.

Estas atividades pedagógicas com as mãos na terra, pretendem dar a conhecer melhor as plantas e a sua interdependência com todos os seres vivos, perceber como as usamos, e de que forma podemos resolver problemas ambientais mais amplos ao mudar as nossas lógicas de produção e consumo.