Agropecuária

Distocia: existe diferença nas causas entre vacas e novilhas?

Na indústria leiteira, na qual a principal fonte de receita é a produção e venda de leite, o parto da vaca e os cuidados com a bezerra são áreas muitas vezes negligenciadas.

Com isso, o problema com partos distócicos tem sido praticamente ignorado. Poucos produtores de leite incorporam estratégias de acasalamento para diminuir a ocorrência de distocia ou têm formas de manejo de parto e de bezerros recém-nascidos que abordam especificamente o problema.

Talvez como resultado dessa desatenção da indústria leiteira às dificuldades de parto, a taxa de distocia em bovinos leiteiros é maior do que em bovinos de corte. Uma pesquisa americana relatou, em 1994, que 18% dos partos necessitaram de assistência, enquanto a taxa de parto com distocia nas vacas de primeira lactação foi de 32%. Em comparação, no ano de 1997, nas explorações de corte foi relatado que 17% das novilhas e 3% das vacas apresentaram distocia.

Num estudo realizado na Universidade Estadual do Colorado, pelo programa de gestão pecuária integrada, as explorações de leite foram avaliadas quanto à ocorrência de distocia e os seus efeitos nos bezerros e nas vacas. As taxas de distocia nessas explorações variaram de 30 a 40%, sendo superiores a 50% em vacas de primeira cria. Bezerros nascidos em parto distócico tiveram de 3 a 24 vezes mais chances de morrer ao nascer, probabilidade 1,5 vezes maior de adoecer antes do desmame e taxa de mortalidade quase duas vezes maior no momento do desmame.

Logo, os impactos da distocia em animais leiteiros incluem aumento da morte e doenças em bezerros, bem como redução da produtividade e aumento de doenças em vacas. Com isso, acumulam-se os impactos económicos devido a custos com tratamento aumentados, redução do desempenho da bezerra e redução da eficiência reprodutiva.

Diferença entre as causas de distocia em novilhas e vacasAs causas de distocia em vacas e novilhas muitas vezes são diferentes. Uma novilha ainda está a crescer, logo, será menor que uma vaca madura. Além disso, pelo facto de novilhas nunca terem parido, os tecidos do canal de parto (cérvix, vagina e vulva) nunca foram dilatados. Assim, a distocia nas novilhas é frequentemente associada à problemas no canal do parto, o qual não dilata o suficiente. Estas distocias podem frequentemente ser corrigidas dilatando a vagina e a vulva manualmente.

Por outro lado, quando a distocia ocorre em vacas, geralmente é resultado de um problema mais sério. O tamanho do canal do parto de uma vaca é menos restritivo do que o de uma novilha, assim, quando a distocia ocorre, normalmente tem relação com outro processo de doença concomitante ou com bezerros extremamente grandes, malformados ou mal posicionados. Por estas razões, mesmo uma distocia suave em vacas pode aumentar a probabilidade de natimortos e de bezerros comprometidos quando comparados aos nascidos de uma novilha com distocia.


Fonte: MilkPoint

Baseado no artigo Distocia: cuidados com o parto em explorações leiteiras, anteriormente publicado no site MilkPoint, de autoria de Ricarda Maria dos Santos e José Luiz Moraes Vasconcelos.