Agroindústria

Agroindustriais posicionam-se com uma forte orientação exportadora

Em Portugal existe uma forte tradição na produção de hortícolas para consumo em fresco mas também a produção com destino à transformação industrial.

Pimento, brócolo, ervilha, batata, curgete, alho, cebola, tomate, batata-doce (…) integram um vasto leque de culturas que ocupam centenas de hectares, nomeadamente no Ribatejo e mais recentemente no Alentejo.

No Anuário Agrícola de Alqueva 2020, publicado pela EDIA, pode ler-se precisamente que foi de 2012 para 2013 que ocorreu o aumento mais expressivo de área ocupada por hortícolas nos perímetros do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. Este facto explica-se essencialmente pelo aumento da área equipada disponível. Entretanto a tendência foi de estabilização da área nos 3.000 ha/ano.

O tomate de indústria é a cultura que se destaca, em área e volume de produção, mas há outros produtos e processos que também têm vindo a crescer, e com forte orientação exportadora

Com maior longevidade, assegurada pelos vários processos de conservação (congelação, sumos, secagem ou desidratação …) estes produtos estão de alguma forma a “viver com mais tranquilidade” o atual momento de pandemia, até porque existe uma articulação criteriosa entre a produção e a indústria e as produções já estavam todas contratadas, não se registando constrangimentos a nível de escoamento.

Na Agromais – Entreposto Comercial Agrícola – cujos agricultores associados produzem cerca da 1550 hectares de hortícolas para a indústria, admite-se que o consumo destes produtos tem crescido e essa é uma tendência que irá manter-se, “a par de uma preocupação não só pela origem dos produtos, mas também pela forma de cultivo”.

Mas isso não invalida que se tema pelo futuro, nomeadamente por força daquilo que o canal HORECA (restauração) normalmente absorve e que por consequência das circunstâncias poderá vir a mudar, antevendo-se a necessidade de procurar novos e distintos mercados (ver página 30).

Da parte da produção reconhece-se a vantagem de trabalhar com contratações prévias, que garantem o escoamento do produto, além de todo o tipo de apoio no processo produtivo. Todavia, o responsável pela Organização de produtores Torriba, assume que paira uma grande preocupação no setor dado que “são culturas de grande investimento e obrigam a uma grande capacidade de resposta, quer seja financeira quer seja técnica e neste momento, na visão de Gonçalo Escudeiro, não tem ao seu dispor todos os instrumentos de gestão de risco (ver páginas seguintes).



Quanto à evolução do setor, Vasco Reis acredita que haverá um aumento generalizado da procura de hortoindustriais, “não só pela procura de alimentos como também pela qualidade de produção

Já o administrador da CADOVA – Cooperativa Agrícola do Vale de Arraiolos – , Vasco Reis, lamenta que os preços praticados nem sempre sejam os mais vantajosos. Constituída por várias secções de apoio aos associados, detém também uma Organização de Produtores de Cereais e uma Organização de Produtores de Frutas e Produtos Hortícolas que representa cerca de 55% do volume total comercializado, possuindo 46 produtores associados ativos e representando cerca de 1.100 ha. A área de intervenção destes produtores estende-se pelos concelhos da Chamusca e limítrofes, incluindo também os concelhos de Montemor-o-Novo, Évora e Serpa.

As culturas produzidas vão desde o tomate, ao pimento, brócolo, ervilha, curgete, abóbora butternut, beringela e fava sendo que, no último ano iniciou-se a comercialização de amêndoa. Todas as culturas produzidas pelos associados têm como destino a indústria, quer de concentrado de tomate, de congelação ou outras que, “apesar de preços inferiores comparativamente ao mercado de fresco, garantem a colocação da produção”, assegura o dirigente. E essa é aliás a principal dificuldade enunciada pelo administrador, quando classifica a qualidade do produto nacional como inigualável, comparativamente ao mercado de importação. E é também por isso que segundo o mesmo se tem assistido a uma diminuição acentuada da área de tomate de indústria na região, contrariamente ao aumento de custos de produção e do elevado custo de transporte. Deseja que os consumidores adotem como regra a procura de produtos de origem nacional e que exista uma maior valorização da produção.

Na Bonduelle acredita-se que a alimentação vegetal per capita ainda tem margem para crescer

A Bonduelle assume-se como um grupo cujo slogan principal é ‘a natureza é o nosso futuro’, ou seja, acredita no futuro da produção e da alimentação vegetal, apoiada nas melhores práticas agrícolas.

Trabalha com cerca de 200 agricultores, junto dos quais contrata anualmente cerca de 1800 hectares, maioritariamente na Ribatejo, e culturas como pimento, brócolo, ervilha, curgete, beringela, tomate e cebola. Destas, frisa o diretor da empresa, António Manso, destaca-se o pimento, seguido de muito perto pela beringela, em termos de expressão para a Bonduelle.

O principal processo por que passam estes hortícolas na unidade industrial (Santarém) é a ultracongelação, embora passem por três processos térmicos auxiliares prévios: o branqueamento, a fritura e a grelha.

Na empresa acredita-se que a alimentação vegetal per capita ainda tem margem para continuar a crescer e logo será uma oportunidade para o setor dos ultracongelados.

Também por essa razão, todos os anos na Bonduelle efetuam-se ensaios e testes de produção industrial com outros legumes, mas que de momento, não são expressivos.