Ambiente Apicultura

Comissão de Acompanhamento para a Vigilância, Prevenção e Controlo da Vespa velutina

A vespa-asiática não será mais agressiva quando isolada, nem será possuidora de um veneno mais ativo do que o da vespa-europeia; mas será mais agressiva na defesa do ninho, o que obriga a cuidado redobrado.

A subespécie que ocorre em Portugal parece ser menos agressiva do que as outras 14 subespécies. Contudo, ainda sem predadores naturais como certas aves insectívoras, as suas características vorazes de predação de abelhas domésticas e de outros polinizadores essenciais, principalmente durante o Verão, colocam em risco, para além da apicultura, de pomares e das culturas agrícolas, a diversidade biológica dos invertebrados nos diversos ecossistemas. Como nota, pode-se dizer que já existem referências de algum controlo por bútio-abelheiro Pernis apivorus, na Galiza.

Em Portugal foi criada oficialmente uma estrutura bastante alargada, denominada “Comissão de Acompanhamento para a Vigilância, Prevenção e Controlo da Vespa velutina” onde participam o ICNF, o INIAV e a DGAV, a GNR-SEPNA, a Proteção Civil, a Direção-Geral de Saúde, também as autarquias e os apicultores.

Esta Comissão acompanha a implementação do “Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal”, que estabelece as ações a executar para alertar e minimizar os danos da invasão, das quais se destaca a recolha de avistamentos de vespas e ninhos em todo o território. As ocorrências devem ser reportadas a qualquer entidade de segurança ou autarquia, podendo também ser diretamente registadas em STOPvespa (stopvespa.icnf.pt). Acima de tudo, a sequente destruição dos ninhos não deve ser feita de modo autónomo por quem os avista pois a sua perturbação ineficaz pode gerar um ataque por parte das vespas e a posterior disseminação. Assim, estas ações, em princípio noturnas já que esta vespa é diurna e recolhe ao ninho pela noite, devem ser sempre executadas por profissionais (bombeiros, GNR-SEPNA, Proteção Civil).

É importante proteger as abelhas domésticas até que surjam predadores naturais para a vespa-asiática ou até aquelas aprenderem a proteger-se em redor da colmeia. Foi referido que familiares asiáticas envolvem o predador com diversos indivíduos batendo as asas energicamente provocando-lhe a morte pelo aumento radical de temperatura.

A história da vespa-asiática é comum a tantas outras espécies exóticas que se tornaram invasoras ao serem transportadas, voluntária ou involuntariamente, do seu ecossistema, escapando-se e desenvolvendo as suas populações, depois, de modo exponencial, no novo meio, favorável e, ainda, na ausência do controlo dos seus predadores naturais. O facto de ser um animal não solitário torna ainda mais preocupante a sua presença. 

Das várias subespécies deste himenóptero da família Vespidae, a Vespa velutina nigrithorax foi assinalada oficialmente pela primeira vez em França em 2004. Provavelmente, importada acidentalmente numa mercadoria de bens alimentares vinda da Ásia. A sua distribuição asiática estende-se pelas regiões tropicais e subtropicais do Norte da Índia e do Leste da China, Indochina e Indonésia, por zonas montanhosas de clima ameno, adaptando-se assim, com facilidade, ao clima temperado do Sul da Europa.

A partir da região de Lot-et-Garonne, entre Bordéus e Toulouse, ocupou rapidamente o Sudoeste de França. Em 2010 surgiu no Nordeste de Espanha. Em 2011 chegou à catalã Girona e, no ano seguinte, à Galiza.

A vespa-asiática é bem distinta da vespa-europeia Vespa crabro Lineu, 1758. É um inseto bastante escuro e um pouco maior do que a congénere autóctone. As obreiras medem entre 17 e 32 mm conforme as características do alimento disponível, enquanto a rainha chegará aos 35 mm de comprimento. O corpo é aveludado e sombrio, assim como os dois pares de asas e as patas castanhas cujas extremidades são amarelo vivo, facto que a nomeia e distingue. Cor que também apresenta em alguns segmentos gástricos e numa banda dorsal do quarto segmento do abdómen. A cabeça é preta com faces amarelo-alaranjado.

Em setembro de 2011, na região de Viana do Castelo, a espécie invasora foi confirmada pela primeira vez em Portugal por entomólogos e apicultores. O investigador José Manuel Grosso-Silva e o apicultor Miguel Maia (Associação Apícola Entre Minho e Lima) confirmaram que dali os núcleos se expandiram pelo Noroeste e Centro de Portugal. Atualmente, apenas o Baixo Alentejo e o Algarve ainda não foram atingidos mas a sua ocupação será, muito provavelmente, inevitável. Pretende evitar-se que os arquipélagos dos Açores e da Madeira sejam atingidos.

Como as outras vespas, o seu ciclo de vida é anual e inicia-se na Primavera, quando a rainha jovem acorda da hibernação, escondida ao abrigo do mau tempo mas fora do ninho, em árvores, no solo ou em fissuras de rochas. Em fevereiro-março, a rainha fundadora e fecundada irá em busca de alimento nutritivo à base de açúcares com que se alimenta, procurando abrigo numa árvore oca ou numa construção onde iniciará a postura, fundando a colónia, alimentando as larvas, entretanto nascidas, com alimento proteico vindo das incursões de caça a colmeias de abelhas domésticas Apis mellifera Lineu, 1758, mas também de outras vespas, moscas e demais artrópodes (em meio urbano, é frequente o relato das suas visitas a talhos). É, deste modo, iniciado o ninho primário à base de fibras de celulose mastigadas, esférico e de tamanho maior do que uma bola de ténis.

A partir de abril-maio com o nascimento das fêmeas obreiras a colónia recrudesce e mover-se-á para um ninho definitivo, geralmente suspenso de ramos de uma árvore alta, podendo superar os 80 cm. Estes ninhos são claros e têm uma forma arredondada, como uma gota, possuindo uma abertura lateral como saída.

Em setembro-outubro, a colónia atinge o número máximo de indivíduos que pode ir até 13.000 onde se incluem as potenciais rainhas fundadoras, que poderão chegar a algumas centenas. Em média, cada colónia pode gerar seis novos núcleos. Nascem os machos (um pouco maiores que as obreiras) e as fêmeas sexuadas. Realiza-se a fecundação. Outono avançado, as futuras rainhas deixam o ninho que será abandonado, no Inverno, por morte da rainha fundadora, dos zangãos e das obreiras. Nessa altura, as novas rainhas hibernarão. Em Portugal, constatou-se que o vespeiro, se a temperatura assim o permitir, poderá continuar ativo até à Primavera seguinte. Degradando-se com as intempéries, o ninho não volta a ser ocupado.

Fonte: ICNF