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“Se não tivesse havido evolução tecnológica, hoje nem se faria arroz”

Foto: Seara

José Pinto Costa é produtor de Arroz no Vale do Mondego, mais concretamente nos concelhos da Figueira da Foz e Montemor-o-Velho, há 25 anos. Cultiva 300 hectares, onde anualmente semeia três variedades de arroz de tipo carolino: ‘Ariete’, ‘Teti’ e ‘Menezes’, com a primeira a representar na ordem de 80% da produção.

PINTO COSTA, SOCIEDADE DE AGRICULTURA DE GRUPO LDA

Administrador: José Pinto Costa 

Atividade: Produção de Arroz

Local: Mondego 

Área: 300 hectares

Estas são as variedades escolhidas porque na hora de planificar a produção há que pensar no mercado e, de acordo com o produtor, neste momento “pede arroz carolino da linha Ariete”. O cereal é escoado para uma empresa portuguesa, que por sua vez canaliza a produção para os Emirados Árabes Unidos, “um mercado muito exigente em termos de qualidade, mas disponível para valorizar o que é bom, talvez um pouco até ao contrário do mercado nacional”.

Preparação das sementeiras


O Mondego produz arroz carolino de muita qualidade

José Pinto Costa aponta muitas características qualitativas ao arroz carolino que produz, nomeadamente no desempenho que tem em termos culinários, resultando “em pratos deliciosos”. Deve-se não só às propriedades da variedade como também à especificidade da região onde é produzida (neste caso o Mondego), onde não se registam grandes amplitudes térmicas.


Campo de arroz

Embora satisfeito, gostaria de poder trabalhar com novas variedades, mais produtivas. “São variedades boas mas já se trabalha com elas há muitos anos – é preciso que a investigação continue o bom trabalho que tem feito na procura de novas variedades”, sustenta o produtor.

Sobre a atual campanha, as chuvas que ocorreram em maio atrasaram as sementeiras e, agora que estão terminadas, surge o problema do controlo das infestantes. E essa é uma das principais dificuldades da cultura, pelo facto de existirem poucas soluções. José Pinto Costa aponta a necessidade das empresas obtentoras de moléculas fazerem o seu trabalho na parte da investigação no sentido de encontrarem novas soluções, registando igualmente a sensibilidade das entidades oficiais para este problema, existindo uma autorização extraordinária para utilização de mais uma molécula, face à gravidade da situação. Diz ter conhecimento de quem já pensasse em abandonar a atividade do arroz e mudar de cultura. “Mas na região do Mondego uns 80% da área de arroz não são reconvertíveis para outras culturas”.

Assim, em jeito de súmula, para o produtor é preciso uma grande dose de motivação e resiliência para trabalhar uma cultura destas, porque, se não for muito bem trabalhada, desde a primeira até à última operação, não terá sucesso.

José Pinto Costa está ligado a uma Organização de Produtores – Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho – que faz o acompanhamento técnico da cultura e em termos de empresa tem três trabalhadores efetivos, alocando mais alguns em épocas específicas de trabalho.

PRODUTOR ACOMPANHADO POR:


A Lusosem, com forte presença na cultura do arroz, trabalha diariamente com os seus parceiros na área das sementes certificadas,
proteção e nutrição das plantas para desenvolver soluções eficazes, inovadoras e sustentáveis para a orizicultura nacional, 
prestando de forma complementar uma assistência técnica de proximidade e confiança. Em 2020, apresenta o herbicida Loyant® 
solução inovadora para a gestão das infestantes no arroz. O amplo espectro de ação, a sua flexibilidade de utilização, a ampla 
janela de aplicação e o seu perfil favorável para o meio ambiente, aplicador e consumidor, fazem do Loyant* uma ferramenta
indispensável para melhorar a rentabilidade e sustentabilidade do arroz nacional. * AEE nº2020/05 concedida pela DGAV

É necessário que nos deem condições de continuarmos a acreditar e investir

Referindo-se ao futuro, o empresário é da opinião que a agricultura e no caso concreto a cultura do arroz, terão sempre de existir para alimentar as pessoas e quer acreditar que a conjuntura que todos estamos a viver seja razão para que os decisores políticos, nacionais e europeus, estarem mais atentos para que a Europa seja autossustentável.

Muitas das operações são já mecanizadas e com muita tecnologia envolvida, de forma a conseguir aumentar os rendimentos em termos de produtividade e também reduzir custos. Face à experiência que tem, José Pinto Costa acredita que se não tivesse havido evolução tecnológica, hoje nem se faria arroz.