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REPORTAGEM → O mercado está a mudar e produz-se cada vez mais por encomenda

A empresa Viveiros Monterosa, Lda. foi fundada no Algarve há quase 50 anos por três investidores suecos e na altura com objetivo de produzir legumes frescos com destino ao norte da Europa.

Sócio-gerente: Eduardo Martins
Atividades: Produção de plantas ornamentais
Local: Algarve
Área: 30 hectares de viveiros (sete hectares de estufas e o restante de ar livre)
Especificidades: plantas em vaso

Várias contingências inviabilizaram este plano, virando-se então para a produção de plantas ornamentais, também muito canalizadas para o mercado da exportação. Este projeto foi sempre encabeçado por Detlev von Rosen, mas hoje a empresa tem dois sócios ativos, portugueses, que detêm metade do capital, enquanto o restante é detido pelos herdeiros dos sócios-fundadores suecos.

Desde essa época aos dias de hoje registou-se uma grande evolução da empresa, com o consequente aumento da área de produção, da própria gama de plantas disponível, assim como de infraestruturas de apoio na zona de Moncarapacho e Olhão, dispondo igualmente de um viveiro em Vila Nova de Gaia.


Um modelo de diversidade

Eduardo Martins é um dos atuais sócios da empresa, para onde entrou há 25 anos como diretor de produção. Explica à nossa reportagem que a empresa dispõe de 40 hectares de área, 30 dos quais de viveiros (sete hectares de estufas e o restante de ar livre) para produção de plantas em vaso. Estão envolvidos cerca de 190 funcionários, um número justificado pelo critério de obter uma planta final de alta qualidade e porque é um viveiro com uma gama muito vasta – 180 produtos de 150 espécies diferentes – constantemente. “Há outros modelos de negócio, em que os viveiros são especializados, mas o nosso modelo é de diversidade”, diz o administrador.


Procura-se atingir um produto de alta qualidade

Há uns 15 anos, numa das áreas disponíveis, a empresa avançou também para a produção de azeite de alta qualidade, com instalação de olivais e um lagar próprio. Nessa altura entrou no mercado dos azeites de quinta, que já lhe valeram vários prémios, incluindo já este ano duas medalhas de ouro e duas medalhas de prata num concurso em Nova Yorque.

O escoamento faz-se através de centros de jardinagem (…) exportando cerca de 40% da produção nomeadamente para a Holanda, Alemanha, países escandinavos, França (…), com uma faturação na ordem dos seis a sete milhões de euros. “Temos uma posição forte na exportação, sobretudo nos meses de março a maio, enquanto que o mercado nacional é trabalhado em contínuo”.

O responsável pelos Viveiros Monterosa analisa também uma mudança no mercado das plantas, com as grandes superfícies a ganharem terreno em detrimento dos centros de jardinagem independentes. O que muda é que esses canais trabalham com quantidades muito maiores e, para além disso, exigem certificações que obrigam os viveiros a adotar os critérios de produção desses mesmos canais. “Tipicamente, até aqui produzia-se e depois via-se o que se vendia. Agora está a mudar e produz-se cada vez mais por encomenda, para determinadas cadeias”, refere Eduardo Martins.

Neste momento, e face às alterações provocadas pelo COVID 19, a empresa está a pensar num investimento na mecanização e até mesmo à alteração do modelo de negócio para uma gama que não seja tão diversa.

PRODUTOR ACOMPANHADO POR:

A Pindstrup possui mais de 100 anos de experiência no negócio da turfa. É uma das líderes na produção de substratos a nivel mundial,
com base na Dinamarca e fábricas na Letónia, Espanha, Reino Unido e Rússia. Exporta para mais de 100 paises, com escritórios de vendas
na China, América, Rússia, Sudoeste da Ásia e muitos países da Europa.

Na parceria com os Viveiros Monterosa, selecionou-se um conjunto de misturas de acordo com as espécies cultivadas, para obtenção de alta
qualidade e homogeneidade nas diferentes culturas.

Falando sobre as condições do país para a produção de plantas, Eduardo Martins aponta ao Algarve um clima excecional para a produção de plantas ornamentais, o que se traduz em plantas “com muito pouco artificialismo”, ou seja “de melhor qualidade”. Além das condições naturais, a empresa procura os melhores fornecedores e aqui Eduardo Martins assume que neste aspeto não é nacionalista, apontando o exemplo dos substratos Pindstrup, “que além de serem de qualidade também são de confiança”. E a confiança também é um argumento que o viveiro Monterosa usa na venda dos seus produtos.