Agropecuária EMPRESAS & PRODUTOS Reportagem

“Os agricultores preferem vender ao mercado nacional, se as condições forem favoráveis”

O empresário quer passar o gosto pela atividade às gerações futuras

O Grupo Cabral está hoje, como esteve no passado, vocacionado para a produção agropecuária. Sendo um Grupo familiar, segue as mesmas linhas do seu fundador, António Fernandes Piçarra Cabral.

GRUPO CABRAL

Administrador: Ricardo Cabral 

Atividades: Agropecuária 

Local: Alentejo (com escritórios em Évora, o Grupo possui propriedades em Alcácer do Sal, Viana do Alentejo e Alvito)

 Área: 2600 hectares

As Herdades que fazem parte do Grupo são propriedade de vários membros da família, que partilham a administração do mesmo, nomeadamente José Luiz Cabral e Isabel Cabral, António Cabral e Nuno Cabral, que esteve à frente das empresas durante mais de 20 anos juntamente com o fundador, até à passagem de testemunho para Ricardo Cabral, que falou à nossa reportagem.

Um efetivo de 850 vacas

Com escritórios em Évora, o Grupo possui propriedades em Torrão (Alcácer do Sal), Viana do Alentejo e Alvito num total na ordem dos 2600 hectares e onde se faz a criação de vacas para cruzamento industrial (Limousine, Salers, Angus e Charolesa), contabilizando-se um efetivo de Um efetivo de 850 vacas aproximadamente 850 vacas. Conta também com cerca de 3500 ovelhas de raça Merino, para venda de borregos e anualmente são igualmente produzidos perto de três mil porcos pretos escoados através da parceria com uma empresa espanhola.

Pincipal atividade do Grupo é a agropecuária

O mesmo reforça que o principal ramo de negócio do Grupo é a agropecuária e como tal as restantes culturas agrícolas são pensadas sobretudo para a alimentação dos animais, incluindo-se as forragens, culturas anuais e prados permanentes, tanto de regadio como de sequeiro. Dessa produção, há 20 a 30% que se destina a fenosilagens (matéria verde) e o restante a fenos em seco.

Em regime fixo, nos quadros do grupo estão dez pessoas, mas quando há picos de trabalho a empresa recorre à prestação de serviços podendo chegar a mais dez. Em termos de mecanização, a política do Grupo é estar munida da maquinaria indispensável para o bom funcionamento, embora existam algumas tarefas em que se torna mais económico recorrer à prestação de serviços.

Ricardo Cabral admite que neste ramo de atividade tem havido uma evolução gradual e sustentável, concretamente no que se refere à reprodução animal. Além disso, o Grupo possui um avançado sistema informático onde os animais estão todos inseridos, sendo possível consultar o histórico de cada animal a partir de uma base de dados que tem vindo a ser construída ao longo dos anos. “O saldo é positivo, mas a evolução tem de acontecer de acordo com a evolução/necessidades do mercado”.

Relacionamento das empresas com os agricultores evoluiu para melhor

O Grupo Cabral trabalha com a Naturalcarnes, a Ajasul e a Certis, associações que lhe prestam apoio na comercialização dos produtos, assessoria nas candidaturas, assessoria nos projetos, certificação das empresas do Grupo em modos de alta qualidade do trabalho (…). A nível dos fatores de produção Ricardo Cabral nota um maior profissionalismo, ficando para trás o formalismo que existia entre o agricultor e as empresas. “Agora o agricultor está no campo e é o técnico da empresa que vem ter com ele para perceber quais são as necessidades, exatamente como na parte da veterinária que quase é como se fizessem parte da empresa, tudo isto com ganhos para o produto final”. Refere também o caso da Fertiprado, empresa com quem trabalha há mais de 15 anos e talvez tenha sido umas das primeiras empresas a mudar o paradigma. “Os resultados estão à vista, porque todas as apostas feitas por nós com a Fertiprado são ganhas, seja na parte do regadio, seja na parte de prados de sequeiro, mais no panorama agroflorestal”.

“O próprio Governo e a grande distribuição têm de preocupar-se em dar condições aos portugueses para que possamos escoar cá a carne e não a fazer sair”

Já no que toca ao escoamento dos animais, o canal privilegiado é a exportação. “Estamos a exportar para o Médio Oriente e esse tem sido um pilar para os preços estarem normalizados, com poucas oscilações. São animais exportados vivos, principalmente por motivos religiosos desses mercados”. Ricardo Cabral faz a sua análise e acredita que exporta-se mais do que se consome em Portugal porque as grandes superfícies compram carne mais barata lá fora. “Mas, dados os últimos meses de estado de emergência, nota-se uma maior preocupação em consumir nacional. Mas o próprio Governo e a grande distribuição têm de preocupar-se em dar condições aos portugueses para que possamos escoar cá a carne e não a fazer sair”. Assim, defende o empresário, “o consumidor tem a garantia de uma melhor compra e de um produto de melhor qualidade, com benefícios em termos de saúde porque sabemos como é que produzimos a nossa carne”. E vai mais longe ao dizer, “os agricultores preferem vender ao mercado nacional, se as condições forem favoráveis”.

PRODUTOR ACOMPANHADO POR:

Acrescentar valor às explorações dos agricultores é o que nos move. Trabalhamos com base em relações de confiança suportadas
por uma política de proximidade, veiculada através da nossa equipa técnica e dos nossos distribuidores. Cada exploração é única,
tem as suas próprias vicissitudes. É fundamental fazer essa análise para bem adequar a proposta de produto para cada caso. 
Posteriormente é necessário fazer o acompanhamento técnico dos produtos para potenciar a sua produtividade e qualidade. 
É fundamental medir resultados, fazer ajustes. Estar presente nos sucessos e nos desaires. 
Aprendemos todos os dias com os nossos clientes. Trabalhamos assim há 30 anos.
A todos aqueles que em nós têm depositado a sua confiança, um sincero bem-hajam! 
Fertiprado ↵

Futuro passará pela diversificação

A nível de projetos de futuro antevê-se a diversificação dos setores, nomeadamente para o setor frutícola e do olival, numa lógica de complemento às outras atividades, mas também no sentido de ir ao encontro das necessidades nacionais e até internacionais.

Admite que é difícil mudar a curto prazo, pois “países como o Brasil, Argentina, Nova Zelândia, EUA (…), produzem muitos mais animais, logo, conseguem baixar os custos de produção e, por outro lado, têm regras de produção diferentes da nossa. Ou seja, não estamos a competir em pé de igualdade e aqui faria falta uma intervenção de nível europeu que impusesse regras específicas aos produtores de fora da União Europeia e aí de certeza que a produção nacional iria ganhar”.