Agrociência

Colza em Portugal – Um interesse renovado

A colza assume-se hoje como a segunda espécie de semente oleaginosa mais produzida no mundo, apenas ultrapassada pela soja e seguida de perto pelo girassol.

Esta crucífera é utilizada essencialmente para a extração de óleo, que depois de refinado é transformado em biodiesel ou em óleo para consumo humano, sendo a farinha resultante um produto interessante para o mercado das rações para animais. A produção mundial de colza assenta essencialmente na Europa e no Canadá, que são responsáveis por cerca de 60% de toda a semente produzida. Em Portugal foram várias as tentativas, sem sucesso, de afirmar a cultura. Por um lado não havia interesse de compra por parte da indústria e por outro, as variedades disponíveis não estavam adaptadas às condições do nosso país. A partir de 2015 a realidade mudou.

As marcas de semente apostaram em novas variedades, que mostraram excelentes resultados, quer de produtividade quer de teor em óleo, e a indústria (SOVENA) assegurou a compra de toda a semente produzida, com a intenção de valorizá-la em biodiesel. O pico de área semeada aconteceu no ano 2017 onde se instalaram cerca de 5 000 hectares. Hoje a área semeada encontra-se estabilizada nos 1 500 hectares mas há fortes expectativas de aumento para os próximos anos. Uma das exigências na produção de biodiesel é que todas as matérias primas utilizadas sejam “sustentáveis”. Isto significa que toda a semente de colza que será valorizada em biodiesel terá que passar por um processo de certificação que prove a sustentabilidade da semente. Em Portugal praticamente 100% da semente produzida é classificada como “sustentável”.

A colza aparece nos sistemas de produção em Portugal como uma excelente cultura alternativa. Para além de ser um ótimo antecedente cultural tanto para leguminosas, como para gramíneas, uma vez que com as suas raízes aprumadas melhora substancialmente a estrutura do solo, é ainda determinante na diminuição de alguns problemas de sanidade vegetal e controlo de infestantes.

É considerada uma excelente cultura de rotação e como se trata de uma cultura Outono/Inverno é uma alternativa a considerar para zonas de sequeiro ou de regadio onde a disponibilidade de água é limitada. Existe no mercado português um elevado número de variedades desta espécie, com diferentes características, o que muitas vezes torna difícil para o agricultor eleger a melhor solução para a sua realidade. Estas variedades carecem, igualmente, de testagem em maior escala, em regime de rotação com outras culturas, nomeadamente cereais, leguminosas, girassol e milho, em diferentes tipologias de terreno e com condições climáticas distintas. Nesse sentido, foi desenvolvido o Grupo Operacional (GO) – OleoColza: Validar a capacidade produtiva da colza (Brassica napus L.).

Este GO é constituído por uma equipa pluridisciplinar que engloba a investigação, indústria e agricultores e encontra-se em execução até ao fim de 2021. O objetivo principal é o de contribuir para a resolução de algumas das limitações atuais ao nível da produção da colza em sintonia com as especificações da indústria. Neste sentido foram definidos os seguintes objetivos específicos:

1. Identificar e testar variedades de colza, disponíveis em Portugal, no que se refere ao potencial produtivo, tolerância a doenças e impacto na rotação com outras culturas, ao medir o impacto de acréscimo de produtividade, na rotação, de culturas precedentes à colza;

2. Criar um itinerário técnico para divulgar e promover esta cultura junto dos agricultores;

3. Contribuir para a promoção e consolidação da fileira produtiva, concentrando a oferta, para fornecer à indústria lotes de colza homogéneos e de elevada qualidade. Durante o período de execução deste GO têm decorrido diversas ações de divulgação e disseminação, incluindo workshops e dias de campo nas explorações dos parceiros do GO Oleocolza com o intuito de apresentar os resultados preliminares do projeto e de visitar campos de colza em diferentes condições e estados de desenvolvimento.

Autoria:

→ Nuno SIMÕES1, José PEREIRA2, Rui ALMEIDA3, Carla NENO4, Isabel DUARTE1

1 – Instituto Nacional de Investigação Agrícola e Veterinária (INIAV, IP); 2 – Sovena Oilseeds Portugal, S.A; 3 – Consulai – Consultadoria Agro-Industrial; 4 – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC)