Cereais Grande Entrevista

Objetivo da fileira centra-se no desenvolvimento de variedades de arroz nacionais e na promoção e divulgação do produto nacional

O Centro Operativo e Tecnológico do Arroz – COTArroz – foi reconhecido como Centro de Competências em 2018 – o que veio (re)afirmar os seus objetivos iniciais. Dentro da organização da fileira, centrada na Casa do Arroz, o COTArroz concentra-se no desenvolvimento de variedades de arroz, através do Programa Nacional de Melhoramento Genético do Arroz.

Um trabalho longo, dinâmico e contínuo mas que nos últimos anos possibilitou a inscrição de três variedades no Catálogo Nacional de Variedades. Após o trabalho de obtenção de uma nova variedade do ponto de vista científico há ainda um vasto trabalho burocrático a desenvolver mas a direção do COTArroz está confiante nas diversas linhas avançadas promissoras que serão sérias candidatas a serem variedades num futuro próximo.

Sendo o COTArroz o Centro de Competências do Arroz, quais são as principais Competências que lhe estão inerentes?

O Centro Operativo e Tecnológico do Arroz foi criado em 2003 com o objetivo principal de promoção e desenvolvimento da fileira orizícola nomeadamente através da investigação aplicada, da melhoria do nível de conhecimentos no setor, aprofundamento da cooperação e parceria e da dignificação e qualificação dos agentes e produtos.

O seu reconhecimento como Centro de Competências, em 2018, veio afirmar os seus objetivos iniciais, competindo-lhe:

  • A identificação das necessidades dos agentes económicos;
  • A definição conjunta com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), indústria, produção e distribuição da estratégia e das prioridades da investigação;
  • A captação de financiamento que sustente projetos de I&D;
  • A promoção da cooperação com redes de I&D internacionais;
  • A concentração e interface com as instituições científicas e respetivos especialistas/investigadores com vista à produção de conhecimento.

Portugal é o país da Europa com o maior consumo de arroz per capita (18 Kg/ano de arroz branco)

Qual é o “peso” do setor do arroz em Portugal?

Portugal é o país da Europa com o maior consumo de arroz per capita (18 Kg/ano de arroz branco), cerca de 4,5 vezes superior à média da UE. Atualmente, a cultura do arroz representa uma área de cultivo de cerca de 27.000 ha onde são produzidos perto de 160.000 toneladas (140.000t carolino e 20.000t agulha) de arroz paddy (casca) por ano o que equivale a cerca de 110.000 toneladas de arroz branqueado. Contudo, as importações de arroz agulha e basmati em película são de 180.000 toneladas.

A quantidade de arroz branqueado, utilizado em Portugal e vendido pela indústria é de 200.000 toneladas, o que representa um volume de negócios na agricultura de 50 milhões de euros.

A quantidade de arroz branqueado, utilizado em Portugal e vendido pela indústria é de 200.000 toneladas, o que representa um volume de negócios na agricultura de 50 milhões de euros e, em simultâneo, um volume de negócios na indústria/distribuição que ronda os 200 milhões de euros.

A fileira está organizada na Casa do Arroz representando mais de 90% dos agricultores e da indústria

Qual tem sido a evolução da fileira? E quais são as suas principais necessidades?

A fileira está organizada na Casa do Arroz representando mais de 90% dos agricultores e da indústria e neste momento o grande objetivo da fileira centra-se no desenvolvimento de variedades de arroz nacionais bem como na promoção e divulgação do nosso produto. Nesse sentido o COTArroz trabalha no primeiro pilar e a Casa do Arroz no segundo, através do programa nacional de melhoramento de variedades de arroz e do projeto europeu ”Sustainable European Rice – Don’t think twice”, respetivamente. Com as novas variedades de arroz 100% nacionais fechamos o ciclo produtivo do arroz em Portugal e com a campanha promocional europeia internacionalizamos o nosso produto com a nossa gastronomia tradicional que é riquíssima.

Uma das ações do COTArroz é o Programa Nacional de Melhoramento Genético do Arroz. Qual é o grande objetivo deste programa?

O Programa Nacional de Melhoramento Genético do Arroz desenvolve-se numa parceria entre o INIAV e o COTArroz e conta ainda com a colaboração da DRAP Centro e do ITQB/IBET. O grande objetivo deste Programa é obter variedades de arroz portuguesas ajustadas às condições agrícolas e económicas do sistema de produção de arroz em Portugal, adequadas às necessidades da indústria e orientadas para as preferências dos consumidores e claro, a disponibilização das mesmas aos agricultores nacionais.

Em que ponto se encontra?

O trabalho de melhoramento genético é longo, dinâmico e contínuo e o Programa de Melhoramento de Arroz que temos em Portugal é muito jovem, visto que apenas teve início em 2004, após uma interrupção de cerca de 20 anos nos trabalhos de melhoramento em arroz. O Programa Nacional de Melhoramento Genético do Arroz tem progredido continuamente e em 2017 foram inscritas, no Catálogo Nacional de Variedades, duas variedades: Ceres (tipo Carolino) e Maçarico (tipo Agulha) e em 2018 uma variedade de arroz carolino – Diana. Este Programa já se encontra em velocidade cruzeiro, o que significa que todos os anos se dão novos passos para se criarem novas variedades.

Neste momento encontram-se em processo de inscrição (2º ano) duas variedades de arroz carolino que, se tudo correr como previsto, serão introduzidas no mercado em 2021

O desenvolvimento de variedades nacionais e consequente produção de semente certificada obtida e multiplicada em Portugal possibilita uma maior garantia de controlo da qualidade das sementes (…).